27/06/2020
CIDADÃO DO RECIFE, QUEM LHE REPRESENTA?
Ninguém mora no estado ou no país. Moramos todos fisicamente no espaço da cidade, com as pessoas que vemos e tocamos (não em tempos de pandemia), falamos, ouvimos. Nela crescemos, estudamos, trabalhamos e constituímos família. Frequentamos os espaços de nossa rua, nosso bairro, nossa cidade. Os espaços de compartilhamento da vida!
É tempo de cidade!
Como vai nossa cidade? O projeto CIDADÃO IMPERADOR entende que a cidade é feita para as pessoas. A administração de uma cidade deve ter como prioridade a qualidade de vida das pessoas. De pessoas entendidas como iguais, sem nenhuma distinção de nível social, posses econômicas, conhecimento intelectual ou quaisquer outras distinções ou conceitos usados para o afastamento de semelhantes.
Assim, o orçamento de uma cidade, e sua execução, deve ter como foco permanente a melhoria da qualidade de vida de seus cidadãos.
As políticas públicas, projetos de médio e longo prazos, a serem traçadas para a administração de uma cidade, devem atender sempre a questionamentos do tipo – como o cidadão está sendo priorizado e como a qualidade de vida está sendo garantida com mais mobilidade social e diminuição de desigualdades.
A sociedade civil organizada, representada por todos os estamentos sociais, deve ter a força necessária e suficiente para garantir o atingimento de objetivos e metas voltados para esse compromisso, o de melhoria da qualidade de vida do cidadão.
A participação ativa das forças sociais é imprescindível para fazer face às pressões praticadas por fortes corporações econômicas que, geralmente, estão mais próximas ao poder e que visam a maximização continuada de seus interesses. Sem isso, os valores da riqueza cultural e humana da cidade vão sendo relegados a segundo plano. Vale repetir frase que colocamos no artigo O Recife, a Quem Pertence?: no Recife, cresce a cada dia a impressão de que a economia pediu divórcio da cultura. E quer parecer que o pedido foi homologado sem direito a partilhas!
Vivemos uma grande crise de representatividade. Na Grécia antiga, a democracia teve início com a participação ativa e direta da população na relação com os detentores do poder. Nos dias atuais o atendimento aos interesses da sociedade depende da atuação de seus representantes no Executivo e no Legislativo. É imprescindível que o elo se fortaleça em uma atuação que corresponda diretamente ao atendimento à melhoria da qualidade de vida da população, com diminuição crescente das desigualdades sociais.
Ao colocar o foco na rua do Imperador Pedro II como um piloto, o projeto CIDADÃO IMPERADOR defende uma plataforma comprometida com uma maior convivência das pessoas em espaços com menos veículos automotores, com mais pessoas caminhando, trocando ideias e se fortalecendo na defesa de sua cidade, sem diferenças de nível social, intelectual, de riqueza ou de quaisquer outras formas de distanciamento. Ian Gehl, arquiteto e urbanista dinamarquês afirmou "se as pessoas, e não os carros, são convidadas para a cidade, o tráfego de pedestres e a vida urbana aumentam na mesma proporção" (Gehl, Ian, Cidade para Pessoas). A cidade do Recife é exemplo de que isso é possível, só que de forma meteórica, nos dias de carnaval – onde ninguém pergunta nada a ninguém, só br**ca e se diverte como irmãos. Viva o frevo!
A brutal pandemia que atinge toda população mundial, com mais de 400 mil mortes até início de junho deste ano, chega à casa de cada um sem perguntar idade, crença, riqueza, ou quaisquer outras formas de diferenciação entre as pessoas. A doença trata a todos como iguais. Por que na promoção da saúde não tratamos também a todos como iguais? f**a a pergunta.
Como o mundo vai se refazer depois da pandemia? Melhor, ou pior? A ser melhor, deveria olhar mais para o meio ambiente, deveria dar mais atenção ao humano, deveria subordinar o crescimento econômico ao crescimento das pessoas. A ser melhor, deveria reduzir a concentração econômica em favor de uma melhor distribuição de renda, com menos pobreza, com mais saúde, com mais emprego e renda. Entender que a relação com as pessoas não é uma relação de consumo mas de humanidade, com mais respeito à dignidade, direito de todos!
E você, como pessoa, como você pretende ser depois da pandemia? A ser melhor, deveria olhar mais para o próximo, pessoa igual a você. Deveria se preocupar com a diminuição da desigualdade social, com uma sociedade com mais acesso à educação, à saúde, ao emprego. Sua qualidade de vida será sempre melhor se a qualidade de vida de todos também melhorar.
Essas são crenças do projeto CIDADÃO IMPERADOR. Da Rua do Imperador Pedro II, no Recife, para o mundo.
E para concluir, repetimos parte da letra da composição Vou te Contar de Tom Jobim, tão bem interpretada por João Gilberto:
Fundamental é mesmo o amor,
É impossível ser feliz sozinho.