05/08/2026
Pesquisa Meio/Ideia: Lula recupera força, lidera a disputa e vive seu melhor momento em 2026
Aprovação do presidente sobe, avaliação negativa do governo recua e Lula vence todos os adversários testados no segundo turno. Pesquisa também revela desafios entre jovens, homens, evangélicos e eleitores do Sul.
Por José Alfredo Carvalho — ex-vereador e coordenador da RedePT Brasil
A nova rodada da pesquisa Meio/Ideia, divulgada neste início de agosto, apresenta o melhor cenário para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde o começo da série histórica realizada pelo instituto.
A aprovação de Lula chegou a 48,5%, enquanto a desaprovação ficou em 49%. Na prática, os dois indicadores estão empatados. Em maio, a situação era bem diferente: apenas 44% aprovavam o presidente, diante de 53% que o desaprovavam.
A mudança representa uma recuperação política importante. Em poucos meses, Lula conseguiu reduzir uma diferença negativa de nove pontos para apenas meio ponto percentual.
A avaliação geral do governo confirma essa tendência. Os que consideram a administração ótima ou boa somam 36,6%, praticamente o mesmo percentual dos que a classificam como ruim ou péssima, 37%. Em maio, havia uma distância de quase 15 pontos entre os dois grupos.
Outro número relevante é o apoio à continuidade do presidente: 48% dos entrevistados afirmam que Lula merece permanecer no cargo por mais quatro anos, o maior percentual registrado pela pesquisa.
Não se trata ainda de uma eleição resolvida. Mas também já não é possível sustentar a narrativa de um governo isolado, sem capacidade de reação ou eleitoralmente derrotado. Lula recuperou competitividade, voltou a ocupar o centro da disputa e chega à reta decisiva como favorito.
Lula lidera o primeiro turno
No cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece com 43% das intenções de voto, contra 35% de Flávio Bolsonaro. Os demais nomes permanecem distantes: Ronaldo Caiado registra 5,7%, Renan Santos tem 4,7% e Romeu Zema aparece com 2,6%.
A pesquisa mostra que a polarização continua estruturando o processo eleitoral. Somados, Lula e Flávio concentram 78% das intenções de voto.
Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, Lula também lidera: tem 34,4%, contra 23% de Flávio Bolsonaro. Essa vantagem demonstra maior lembrança e consolidação do nome do presidente.
Vitória em todos os cenários de segundo turno
Lula vence todos os adversários testados em uma eventual segunda votação.
Contra Flávio Bolsonaro, o presidente aparece com 48,5%, diante de 43% do candidato da extrema direita. A vantagem é de 5,5 pontos percentuais.
Lula também supera Ronaldo Caiado por 48,5% a 40%; Romeu Zema por 48,5% a 37%; e Renan Santos por 48% a 34,7%.
Flávio Bolsonaro é o adversário mais competitivo, mas também possui a maior rejeição entre os nomes apresentados: 48% afirmam que não votariam nele de jeito nenhum. Lula aparece logo atrás, rejeitado por 47,4%.
Esse é um dos principais alertas da pesquisa. A força eleitoral dos dois primeiros colocados convive com uma rejeição elevada, demonstrando que a campanha será marcada pela disputa de um eleitorado que não se identifica integralmente com nenhum dos dois campos.
Mulheres e Nordeste sustentam a recuperação
A aprovação de Lula alcança 55,5% entre as mulheres, contra 43,1% de desaprovação. Entre os homens, a situação se inverte: 41% aprovam o presidente, enquanto 55,4% desaprovam.
Regionalmente, o Nordeste continua sendo a principal fortaleza do campo democrático e popular. Na região, a aprovação de Lula chega a 63,2%. No Sudeste, onde se encontra a maior parcela do eleitorado nacional, há equilíbrio: 46,3% aprovam e 50,9% desaprovam.
O Sul permanece como o território mais difícil para o governo, com aprovação de 30,9% e desaprovação de 66,8%.
A divisão religiosa também continua profunda. Entre os católicos, Lula possui aprovação de 57,9%. Entre os evangélicos, apenas 23,7% aprovam o presidente e 74,1% desaprovam sua atuação.
Os números mostram que o diálogo com os evangélicos não pode ser tratado apenas como tarefa eleitoral ou aproximação ocasional com lideranças religiosas. É necessário construir presença permanente nas comunidades, combater preconceitos, defender a liberdade religiosa e dialogar com a vida concreta das famílias.
Economia melhora, mas segurança exige resposta
A avaliação da economia também apresenta recuperação. O governo passou a ser considerado ótimo ou bom por 34,7% e ruim ou péssimo por 37,6%. A diferença, que já foi muito maior, caiu para menos de três pontos.
A educação é a área mais bem avaliada, com 40,7% de ótimo ou bom, diante de 29,4% de ruim ou péssimo.
Na saúde, os indicadores estão próximos do equilíbrio: 35,4% avaliam positivamente e 38,7% negativamente.
A segurança pública permanece como o principal ponto fraco. Apenas 28% consideram positiva a atuação do governo no setor, enquanto 44,8% a classificam como ruim ou péssima.
O governo precisa enfrentar o tema com firmeza, inteligência e políticas concretas contra o crime organizado, sem reproduzir o discurso autoritário e demagógico da extrema direita.
Favoritismo não significa eleição ganha
A pesquisa é positiva para Lula. O presidente recuperou aprovação, reduziu a avaliação negativa do governo, lidera o primeiro turno e vence todos os adversários no segundo.
Mas não há espaço para acomodação.
Lula ainda encontra dificuldades entre os homens, os jovens, os evangélicos, os eleitores das faixas intermediárias de renda e a população do Sul. A rejeição também permanece elevada.
O desafio é transformar a melhora dos indicadores econômicos e sociais em esperança concreta. O povo precisa sentir, no preço dos alimentos, no salário, no emprego, no acesso à saúde, à educação, à moradia e à segurança, que o Brasil está avançando.
A eleição deixou de ser uma batalha defensiva para Lula. O presidente recuperou a iniciativa e voltou a ser o favorito. A vitória, porém, dependerá de organização, mobilização popular, diálogo e capacidade de apresentar um projeto de futuro.
Não é hora de comemoração antecipada. É hora de ampliar a unidade, disputar cada consciência e defender a democracia diante daqueles que continuam colocando seus interesses familiares e políticos acima dos interesses do Brasil.
Pesquisa Meio/Ideia: 1.500 entrevistas realizadas por telefone entre 31 de julho e 3 de agosto de 2026. Margem de erro de 2,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Registro no TSE: BR-04579/2026-BRASIL.
A matéria foi elaborada a partir dos dados integrais da pesquisa Meio/Ideia de agosto de 2026.