18/03/2026
Um dia de viagem, passa um ano calamidade na saúde, calçadas ruins...
VIAGEM NÃO É POLÍTICA PÚBLICA.
Ninguém é contra lazer para a terceira idade.
Idoso tem direito a descanso, convivência e dignidade.
Mas vamos falar sério:
viagem não substitui política pública.
Política pública de verdade para a pessoa idosa é rede permanente: saúde preventiva, fisioterapia, transporte, centro de convivência nos bairros, combate ao isolamento, proteção contra violência, apoio a cuidadores, cultura e atividade física continuada.
Em Volta Redonda, a estrutura da política do idoso segue frágil e subordinada à assistência social. O próprio Conselho da Pessoa Idosa está vinculado à SMAS, e o Fundo Municipal dos Direitos do Idoso teve orçamento de R$ 4 milhões para 2026.
Só que a prefeitura homologou R$ 6,49 milhões para bancar as viagens da “Melhor Idade”.
Ou seja: a viagem custa mais do que todo o fundo anual da política do idoso.
Isso depois de o TCE-RJ já ter mandado devolver R$ 3 milhões por gastos considerados ilegítimos com hospedagem em resort de luxo no programa anterior.
Então não é cuidado estrutural.
É outra coisa.
É uma ação pontual, cara, altamente visível e politicamente rentável.
É o tipo de gasto que gera foto, aplauso e gratidão imediata — mas não constrói uma rede pública de proteção ao envelhecimento.
Enquanto isso, o que deveria ser prioridade segue em segundo plano: mais atendimento contínuo, mais proteção social, mais saúde, mais presença territorial, mais política pública de verdade.
Idoso merece respeito. Não uso político.