A figura central da guerra foi o líder paraguaio Solano López (1826-1870), e o que os historiadores dizem dele é portanto bem representativo das correntes de interpretação. Referência:
http://www1.folha.uol.com.br/fol/brasil500/histpar_1.htm
Breve Histórico da Guerra. A Guerra do Paraguai foi gerada pelos conflitos na Bacia do Prata, no que diz respeito a livre navegação. Rios que em grande parte
navegáveis, constituíram sempre o eixo do comércio e comunicação, para todos os países para onde correm: Argentina, Paraguai, Uruguai e Brasil. E justamente por isso a região foi palco de muitos conflitos. O Paraguai situava-se no interior do Prata e não tinha acesso direto ao mar, ficando, assim, à mercê de Buenos Aires, que controlava o estuário. Carlos Antonio López, pai de Francisco Solano López, criava dificuldades de acesso aos navios brasileiros à província de Mato Grosso. Vemos que a Bacia do Prata era de importância fundamental para o Brasil, pois o rio Paraguai era o acesso mais rápido, e principal meio de comunicação, à província do Mato Grosso. Ao mesmo tempo ocorria no Uruguai, pós-independência (1828), constantes lutas pelo poder entre blancos e colorados, os dois grandes partidos uruguaios. O Uruguai era um protagonista menor, porém peça fundamental no jogo estratégico da região. Para o Paraguai, a independência uruguaia era crucial, pois julgava que disso dependia a manutenção de seu livre trânsito pelo estuário do Prata. Os blancos eram agressivos ao Brasil. Os brasileiros que residiam no Uruguai sofriam prejuízos e eram vítimas de agressões. Em 1864 assume a presidência da República uruguaia Atanasio Aguirre que era do partido blanco. O Brasil, então, exigiu proteção à vida e às propriedades dos brasileiros, indenização por eventuais prejuízos que viessem a sofrer e a substituição de ministros antibrasileiros por políticos blancos moderados. Porém não ocorreu tal cumprimento por parte dos uruguaios o que levou o Brasil a invadir o país em 1864 e entregar a presidência ao colorado Venâncio Flores. O Paraguai em resposta a tal ato e temendo uma futura intervenção em seu país no dia 11 de novembro de 1864 capturou o navio a v***r ‘’Marquês de Olinda’’ e aprisionou o Presidente da província do Mato Grosso Coronel Carneiro de Campos. Esses últimos fatos são considerados como causas imediatas do conflito. Em janeiro de 1865, López pede autorização ao presidente argentino para atravessar com suas tropas a Província de Corrientes para combater no Uruguai e invadir o sul do Brasil. Bartolomeu Mitre, presidente da Argentina, pretendia manter-se neutro e recusa permissão, mas López ocupa Corrientes pela força obrigando a Argentina a tomar partido ao lado do Brasil. López esperava, também, encontrar apoio dos blancos no Uruguai, porém o país já estava sendo governado por Venâncio Flores, instalado pelo Governo Imperial brasileiro, que solidarizou-se com Brasil. No dia 1° de maio de 1865, forma-se a Tríplice Aliança, contra Solano López e seus exércitos. Historiografia Tradicional ( “história oficial” ). Pós-Guerra até fins da década de 1950;
Historiografia Revisionista. Surge à partir da década de 1960;
Historiografia Recente. Fins da década de 80 e início de 90;
Bibliografia
KOSHIBA, Luiz; PEREIRA, Denise Manzi Frayze. Américas: Uma Introdução Histórica. 2°ed. São Paulo: Atual Editora, 2000. p.10-120. PESQUISAS de conhecer: História do Brasil. São Paulo: Círculo do Livro, 1985. p.99-101. GUERRA do Brasil: Toda a Verdade sobre a Guerra do Paraguai (documentário). Sylvio Back, 1987. 104 min. KOSHIBA, Luiz; PEREIRA, Denise Manzi Frayze. História do Brasil: no contexto da história ocidental. 8 ed. São Paulo: Atual Editora, 2003. p.304-314. MANOEL Soriano Neto – Cel Inf QEMA. Guerra do Paraguai: Aspectos Sumários. Disponível em: < http://www.cdocex.eb.mil.br/site_cdocex/Arquivos%20em%20PDF/
Guerra_do_Paraguai.pdf>. Visão Tradicional. A visão dita tradicional surgiu após a guerra e durou até fins da década de 1950. Surge num contexto cujos adeptos do Positivismo pressionavam pelo fim da Monarquia e queriam a implementação de uma República. Tal visão é composta, basicamente, por relatos militares e diplomáticos. É dotada de forte cunho patriótico, factual e centrada nas batalhas, nas negociações diplomáticas e nos atos dos grandes heróis e vilões. Atribui o conflito as pretensões expansionistas ou hegemônicas na região platina do presidente paraguaio Francisco Solano López, sempre retratado como um ditador sanguinário e megalomaníaco (mania de grandeza). Como foi dito, Solano López é o culpado da guerra e o Brasil nada mais teria feito do que reagir a agressão sofrida após o aprisionamento do navio a v***r “Marquês de Olinda”. Osório, Tamandaré e Caxias são retratados como grandes heróis e salvadores da pátria ao contrario de López que é tido como o causador e vilão do conflito. López se aproveita da guerra civil uruguaia para iniciar a Guerra da Tríplice Aliança. Visão Revisionista
Leon Pomer (historiador argentino) e Julio Jose Chiavenato (jornalista brasileiro) são os principais formuladores de tal visão acerca do conflito. Pretendem apresentar uma visão crítica da guerra. Surge no começo da década de 1960 e retrata o Paraguai como uma nação antiimperialista, fechada ao capitalismo britânico. Ao contrario da visão tradicional esta fala que a Inglaterra foi quem provocou a guerra. Ao contrário do Brasil e da Argentina, integrados ao capitalismo inglês, o Paraguai seria, antes da guerra, uma república prospera, cujo estado provia o país de uma via nacionalista de desenvolvimento econômico auto-suficiente, que o matinha independente da ingerência e do capital estrangeiros, fomentando a produção industrial e possibilitando aos camponeses a posse de pequenas extensões de terra, em grande parte pertencentes ao Estado. Logo, o Paraguai seria um obstáculo e uma ameaça à expansão britânica no Prata, sendo a guerra provocada por Bra e Arg, que, temendo a potência do país vizinho, teriam agido como instrumentos do imperialismo inglês na região. Eles usam esses argumentos porque o Brasil teria sido financiado, assim como a Argentina, pelos bancos ingleses. Ocorria também na época do conflito a 2° revolução industrial na Inglaterra. A Inglaterra abriria, então, mais um mercado aos produtos manufaturados. Válido ressaltar que tal visão é carente de fontes documentais. Visão Recente
Ricardo Salles e Francisco Doratioto são os principais nomes que defendem tal tese. Surge no final da década de 80 e começo da década de 90. Esta visão contesta os principais fundamentos revisionistas por ser carente de fontes documentais. Esta, ao contrário, é fundamentada em fontes documentais.Na interpretação anterior afirmava-se que o Paraguai investiu recursos próprios para desenvolver suas industrias. As pesquisas recentes mostram que os país contou com empréstimos britânicos. Também foram questionadas versões segundo as quais o exército paraguaio contava com soldados bem treinados e bem equipados e a sociedade era igualitária e altamente educada. Não estava nos planos da Grã Bretanha um conflito na região do prata, já que isso prejudicaria seus interesses comerciais. Aliás, uma carta do representante britânico Edward Thornton ao chanceler paraguaio, pouco antes do inicio da guerra ( dez de 1864 ) , deixa claro que não interessava a seu governo um confronto entre Paraguai e seus vizinhos. Seria mais apropriado pensar a guerra do Paraguai como um conflito cujas motivações encontram-se na própria dinâmica de constituição dos ESTADOS NACIONAIS platinos e na disputa entre esses países pelo predomínio político-econômico da região.