16/07/2019
NOTA SOBRE AGRESSÃO SOFRIDA POR ALUNA NA UERJ
O Centro Acadêmico de Comunicação Social está organizando uma rede de apoiadores, com o DCE e demais CAs da Universidade, para que juntos tenhamos peso para pressionar a reitoria e a segurança e cobrar mais rigor e comprometimento por parte da instituição para com a violência sofrida por uma aluna da Faculdade de Comunicação.
Na noite do dia 11 de julho (quinta-feira), a aluna de Comunicação Social da UERJ foi agredida por um homem, que por sua vez não é aluno, dentro das dependências da Universidade durante uma confraternização.
A agressão se deu sem provocação ou desentendimento motivador, sendo apenas uma expressão da falta de limites de alguns homens em nossa sociedade.
Segundo a vítima, a confusão ocorreu porque o agressor estava do lado de fora de uma sala, onde acontecia uma confraternização entre alunos, chutando a porta para forçar sua entrada no espaço que já estava cheio. Ela, por estar perto da entrada, saiu para ver o que acontecia e pedir que quem estivesse fazendo aquilo parasse para não depredar o bem público.
Ao sair da sala, já foi recebida com truculência pelo agressor, que usou do tamanho e força para intimidar e se impor sobre ela. Em meio a confusão do desentendimento verbal, o agressor ainda tentou a coagir gritando que ela não sabia quem ele é e que deveria ter cuidado.
Mesmo com pessoas assistindo a cena, o homem a agrediu com um soco no peito. Neste momento a aluna revidou a agressão, até o momento desmotivada.
Em pouco tempo a segurança chegou e conteve o agressor.
Já com os seguranças presentes, o homem teve a coragem de partir para cima da aluna uma segunda vez, agora passando-lhe uma rasteira que veio a derrubá-la de peito no chão.
Somente após essa segunda situação, o agressor foi retirado da universidade, mas ainda de forma negligente para com o caso.
Os funcionários da segurança da UERJ, patrimoniais terceirizados e mesmo os concursados, não demonstraram o apoio devido a aluna. Após conterem o homem, fizeram diversos impedimentos quando a vítima e outras pessoas solicitaram o nome do agressor para a feitura do BO do caso.
Ao invés disso, estavam era solicitando constantemente o nome da vítima, que já estava muito assustada e não queria ser exposta.
Após tanta resistência em colaborar com a vítima, os seguranças acabam por libear o agressor sem que a polícia fosse contatada para registrar o episódio.
É inadmissível que qualquer mulher seja agredida de forma tão covarde por um homem, mais ainda que tal fato tenha ocorrido dentro de uma universidade e que seu setor de segurança, mesmo participando do fato, nada faça de concreto para que isso não saia impune.
É com muita indignação que escrevemos esta nota. Para declarar nosso apoio integral à vítima e nosso desejo de justiça!
Seja ele quem for, o agressor deve responder legalmente pelo seu ato. E a segurança da UERJ, por sua vez, a partir de decisão própria ou vinda de departamento superior na universidade, deveria ter o devido respeito e apreço com a situação da aluna.
Nós, alunas e alunos, professores e funcionários também somos patrimônio da UERJ e exigimos ser tratados com mais respeito.
Pedimos que compartilhem essa nota, para que com a devida visibilidade, a Universidade não ouse se abster desse processo de investigação tão importante neste momento.
Não podemos deixar que nossa liberdade e nosso valor sejam diminuídos, principalmente nos centros de produção de conhecimento e transformação de valores que são as Universidades.
Quando uma mulher é agredida e você se cala frente a isso, acaba por se tornar responsável e cúmplice da violência também.
E agora perguntamos, vocês acham razoável que a UERJ apresente tal postura frente aos absurdos acima relatados?
Nós achamos ultrajante e convocamos todas e todos a prestar apoio ao caso e pressionar os departamentos competentes para que algo de fato seja feito.
Não vamos deixar que nossa tão amada Universidade deixe de ser um lugar seguro para nossas existências, formação pessoal e profissional.
Não há mais espaço para violência contra mulher em nossa sociedade. E nós não nos calaremos diante desse episódio assustador de violência e barbárie. Com ou sem o apoio da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, estamos nessa luta por um mundo melhor e mais seguro, para todas e todos nós.
Centro Acadêmico de Comunicação Social | CACOS/UERJ