17/01/2020
Toma-se todo o cuidado para evitar comparar comportamentos do governo Jair Bolsonaro com práticas adotadas pelo regime nazista de Adolf Hi**er. Jornalistas e historiadores, por mais que cocem as mãos diante de fatos e processos similares, sabem que há um abismo intransponível de distância entre ambos.
Existe até um nome para o uso dessa comparação: "Reductio ad Hi**erum", ou seja, a redução de uma argumentação a Hi**er e os nazistas. Como há poucas coisas tão ruins na história da humanidade como esse, comparar alguém a ele é tentar desqualif**ar pura e simplesmente quando faltam argumentos. Por isso, é visto como uma falácia.
Mas, nesta quinta (16), o secretário da Cultura de Jair Bolsonaro, o dramaturgo Roberto Alvim, legitimou comparações que se evitava fazer com o governo federal quanto aos seus surtos autoritários e fascistas ao copiar um discurso de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda da Alemanha nazista, em um vídeo gravado por ele para falar de um programa de apoio às artes.
Pior: também copiou a estética de Goebbels, a aparência, as palavras escolhidas, o tom de voz, a trilha sonora. O plágio foi primeiro notado pelo site Jornalistas Livres.
"A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada", disse o ministro de Hi**er em discurso para diretores de teatro, segundo o livro "Goebbels: a Biography", de Peter Longerich.
"A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada", afirmou Roberto Alvim.
Após visitar o Memorial do Holocausto, em Israel, em abril, Jair Bolsonaro afirmou que o nazismo foi um movimento de esquerda. Alinhava-se ao seu ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e ao guru de ambos, Olavo de Carvalho, mas batia de frente com a posição expressa por pesquisas do próprio Memorial, pelo governo da Alemanha (que viu o nazismo nascer) e pela esmagadora maioria dos historiadores em todo o mundo, que tratam do assunto praticamente como consenso.
Roberto Alvim pode até se justif**ar, dizendo que isso não passou de uma "performance" artística para causar incômodo, a fim de reduzir o estrago. Isso se tiver coragem de assumir o que disse.
Ele prestou, contudo, dois favores. Primeiro, devolveu o nazismo ao seu lugar de direito, ou seja, junto a governos de extrema-direita.
E ajudou o governo a sair do armário. Já que um alto funcionário de Bolsonaro abraça a ética e a estética nazista, a população do Brasil e do mundo pode chamar o governo por aquilo que alguns de seus membros almejam que ele seja.
(Leia a íntegra do texto no post do blog)
Toma-se todo o cuidado para evitar comparar comportamentos do governo Jair Bolsonaro com práticas adotadas pe