26/05/2026
No Auditório José Pelúcio Ferreira, esta segunda-feira (25), o seminário “Perspectivas do Sul Global para a Soberania Digital: o potencial da relação Brasil e China” promoveu o debate sobre a cooperação sino-brasileira no desenvolvimento da autonomia tecnológica do país. Luiz Antonio Elias, presidente da Finep, ressaltou, em sua fala de abertura, a responsabilidade e preocupação do governo brasileiro com a pauta. “Colocamos recursos, bastante significativos, para promover uma discussão interna acerca da inteligência artificial, na dimensão da soberania”, afirmou.
Para compor a mesa, estiveram presentes representantes de movimentos sociais e o pesquisador chinês, Jeff Xiong, cuja trajetória intelectual percorre a prática da indústria, tecnologia e reflexão crítica sobre autossuficiência digital. Em sua palestra, Xiong falou a respeito dos dilemas estruturais enfrentados por países em desenvolvimento, dos níveis de independência no índice de soberania digital, no qual o Brasil ocupa a 48ª posição entre 86 países, e dos caminhos para a autodeterminação. Dentre eles, foram listados a exploração de modelos de investimento e o tratamento dos dados como um fator econômico. Segundo ele, “é impossível reproduzir o que a China fez, é preciso um intercâmbio de conhecimento”.
O dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e coordenador para América Latina do Baobab – Associação Internacional para Cooperação Popular, que foca na cooperação científica e tecnológica no Sul Global, Luiz Zarref, destacou a importância da diplomacia popular e mencionou a importância da parceria chinesa para a independência de sistemas operacionais, como no caso da mecanização da agricultura familiar, fator essencial no impulsionamento da reforma agrária popular. “O oligopólio, controlado por empresas europeias e estadunidenses, impede o desenvolvimento de tecnologia de máquinas que sejam acessíveis para nós e atendam nossa demanda”, disse.
Tica Morena, militante da Marcha Mundial das Mulheres e doutora em sociologia pela Universidade de São Paulo (USP), colocou a estratégia que combina formação política, técnica, desenvolvimento e infraestrutura como parte essencial da construção de um letramento digital sólido. A ativista também citou a IARAA, a Inteligência Artificial da Reforma Agrária e Agroecologia, desenvolvida a partir de um código aberto chinês: “Não podemos esperar ter um modelo nosso para conseguir se apropriar do processo de desenvolvimento tecnológico”.
Representantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE) também participaram da discussão, evidenciando a importância da atuação de diferentes setores da sociedade na promoção do controle dos fluxos de dados.
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro BNDES ABDE - Associação Brasileira de Desenvolvimento