29/05/2026
Com a eferverscência dos movimentos sociais na cena nacional de meados dos anos 1970, a campanha pela reconstrução da União Nacional dos Estudantes (UNE) ganha fôlego. Entre 1975-76, a retomada da entidade ocorre a partir da articulação de estudantes de universidades do país que se organizam em prol da restituição da liberdade dos Diretórios Centrais dos Estudantes (DCEs), da União Estadual dos Estudantes (UEE) de cada estado e da retomada dos Encontros Nacionais dos Estudantes (ENE).
A “Lei Suplicy” (lei 4.464/1964) havia retirado da UNE a condição de entidade representativa dos estudantes de ensino superior, criando o Diretório Nacional dos Estudantes, subordinado ao Ministério da Educação e Cultura (MEC). Em 1966, os decretos-lei n.57.634, de janeiro de 1966, e n.08, de junho de 1966, suspenderam as atividades da UNE por tempo indeterminado e, em 1967, o decreto-lei n.228 extinguiu os órgãos estudantis de âmbito estadual. Submetidas ao MEC, as entidades de representação estudantil legais tornaram-se parte da burocracia governamental.
Apesar da ilegalidade, a UNE tentou seguir firme. Porém, o nível de repressão aos estudantes tornava-se cada vez mais violento. Em março de 1968, o secundarista Edson Luís Lima Souto, de 18 anos, foi morto pela polícia no Rio de Janeiro, durante manifestação estudantil, e, em outubro, no 30º Congresso da UNE, em Ibiúna (SP), líderes estudantis e mais de setecentos delegados foram presos e enquadrados na lei de segurança nacional. Após o AI-5, em dezembro de 1968, a UNE teve mais líderes presos, exilados e desaparecidos, o que paralisou suas atividades.
Monitorados como “ilegais” pela ditadura, a UNE e o seu 31º Congresso marcam a retomada da entidade. Em Salvador (BA), de 29 e 30de maio de 1979, reuniu cerca de 10 mil estudantes, além de líderes políticos e sindicais. Delegados escolheram um colegiado de representantes de diretórios regionais e aprovaram a realização de eleições de nova diretoria da UNE.
Do ponto de vista organizacional, o “Congresso da Reconstrução” carimba a refundação da UNE, depois de mais de uma década de clandestinidade. Do político, simboliza o processo de derrocada da ditadura.