10/05/2025
Escola Municipal “de Anísio Teixeira” Ceará - 90 Anos
(1935-2025)
Olá, Malungos!!*
Neste ano de 2025, a Escola Municipal Ceará celebra seu jubileu de 90 anos, e temos muitos motivos para comemorar, mas também refletir – qual o nosso projeto de escola pública? Quais as identidades, paradigmas e ideias de educação perpassaram nossa comunidade escolar por todo esse período?
Para entendermos esse processo, Malunguinhos, vamos pensar o Brasil no contexto histórico da fundação de nossa escola. Os anos 1920 foram marcados por diferentes projetos de modernidade. Se o Império consolidou a formação do território nacional em seu processo de Estado-nação, à nascente República caberia a tarefa de instituir o povo-nação que, pela primeira vez, era alçado ao centro da reflexão nacional. Muitas vezes violenta, a política higienista que estabelecia a sua própria gente como o alvo a ser combatido foi sendo substituída.
Assim, era necessário pensar a cidadania e a educação dos trabalhadores e suas famílias. Com essa visão, já nos anos 1930, Anísio Teixeira foi nomeado Diretor-Geral da Instrução Pública do Distrito Federal, em 1931, com a missão de ampliar e reformar antigas unidades de ensino do DF que, por ora, teriam por meta fomentar uma educação integral, pois a escola não deveria se limitar a ensinar a ler, escrever e contar, mas procurar
desenvolver na criança uma série de “hábitos sadios, inteligentes e belos”, além de prepará-la para uma nova sociedade intelectual e técnica. O processo de aprendizagem se daria por uma série de atividades, que seriam guiadas pelo interesse do aluno (...). A escola deveria se preocupar com a criança do povo. Por isso, era necessária uma educação massiva.
Tal projeto embala o natalício da Escola Municipal Ceará. Em um Brasil modernista e perpassado pelas ações do Movimento Tenentista e da Revolução de 24 de Outubro (que dá nome à Praça de Inhaúma) de 1930, Anísio cria um conjunto de escolas com nomes de Estados do Brasil com a concepção de que a Educação tinha como objetivo maior a democratização da sociedade brasileira. Dessa forma, um projeto nacional foi colocado em prática, resultando numa arquitetura escolar do tipo neocolonial, a qual foi desenhada em forma de navio. Ao adentrar o prédio original e subirmos sua escada, ainda se preserva a leve sensação de sair do cais para a nave do conhecimento, a nave Ceará.
As escolas inauguradas por Anísio Teixeira expressavam as idéias e sentimentos absorvidos no contexto das lutas políticas, desde os anos 1920 – a centralidade de projetos modernistas e a preocupação com a formação do povo brasileiro.
E hoje, Malungos? Quais projetos de educação embalam nossos sonhos? Quais os legados da Escola Ceará para a nossa comunidade? O projeto de Anísio por uma escola que contribua para a formação integral do povo brasileiro está encerrado? Ou ainda temos um enorme ‘passado pela frente’? Entre nessa nave e venha celebrar, refletir e lutar por uma educação pública, gratuita e de qualidade para a nova geração de Malunguinhos. Afinal, É Ceará, Malungos?!
*Trata-se daqueles escravizados que chegavam ao Brasil no mesmo navio negreiro. Hoje ressignificamos para aqueles e aquelas que embarcaram em diferentes épocas na nave da nossa escola, a nave Ceará.