Grupo Tortura Nunca Mais/RJ

Grupo Tortura Nunca Mais/RJ Página oficial do Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro, fundado em 25 de setembro de 1985. Pela vida, pela paz: tortura nunca mais!

Quem Somos


O Grupo Tortura Nunca Mais/RJ (GTNM/RJ) foi fundado em 1985 por iniciativa de ex-presos políticos que viveram situações de tortura durante o regime militar e por familiares de mortos e desaparecidos políticos e tornou-se, através das lutas em defesa dos direitos humanos de que tem participado e desenvolvido, uma referência importante no cenário nacional. Considerando que o regime di

tatorial contribuiu decisivamente para o esgarçamento e a deterioração de valores éticos, o GTNM/RJ constituiu-se em torno do resgate de valores, da dignidade, da defesa e dos direitos da cidadania. Desta maneira, tem assumido um claro compromisso na luta pelos direitos humanos, pelo esclarecimento das circunstâncias de morte e desaparecimento de militantes políticos, pelo resgate da memória histórica, pelo afastamento imediato de cargos públicos das pessoas envolvidas com a tortura, pela formação de uma consciência ética, convicto de que estas são condições indispensáveis na luta hoje contra a impunidade e pela justiça. Algumas conquistas, ao longo destes mais de quatorze anos, têm sido alcançadas: torturadores foram afastados de cargos públicos, profissionais de saúde nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo que colaboraram com práticas de tortura, como médicos que emitiram laudos falsos, tiveram seus registros cassados e foram impedidos de exercer suas atividades profissionais. Sistematicamente a entidade tem denunciado antigos e novos casos de tortura, exigindo punição para aqueles que violam os direitos humanos, através de notas na mídia, entrevistas, atos públicos, seminários e outras atividades. Na linha de valorização das experiências de luta, o GTNM/RJ tem sensibilizado governos e comunidades ao homenagear pessoas mortas sob tortura e desaparecidos políticos através da inauguração de ruas e escolas públicas com seus nomes. Promove anualmente, há doze anos, a cerimonia de entrega da Medalha Chico Mendes de Resistência homenageando pessoas e entidades que se destacaram na luta em prol dos direitos humanos no Brasil e no exterior. Na perspectiva de formação de uma consciência crítica de defesa intransigente dos direitos humanos, o GTNM/RJ tem participado de encontros nacionais e internacionais junto a estudantes, trabalhadores, profissionais de saúde e de educação, apontando sempre em direção à construção de uma rede social que contribua para romper definitivamente com as práticas de violência e impunidade. O GTNM/RJ promove encontros semanais em sua sede, possuindo cerca de 100 membros filiados e mantém uma publicação trimestral regular, o Jornal do GTNM/RJ. O GTNM/RJ tem assumido cada vez mais um papel importante na sociedade, devido à sua ação permanente em defesa dos direitos humanos. A edição de 1997 do Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro do Centro de Pesquisa e Documentação e da Fundação Getúlio Vargas traz um verbete sobre a entidade. Presente na imprensa em entrevistas e declarações, apoiando entidades de defesa dos direitos de cidadania, promovendo eventos sobre a história recente de nosso país, participando de simpósios e congressos de direitos humanos, o GTNM/RJ tem conquistado reconhecimento e solidariedade de um número cada vez maior de pessoas, grupos e organizações nacionais e internacionais. É filiado ao SOS Torture (Genebra), à FEDEFAN - Latin America Federation of Arrested and Disappeared People Relatives – (Caracas, Venezuela) e à Sociedade Internacional para Saúde e Direitos Humanos - International Society for Health and Human Rights e à Red Latinoamericana y del Caribe de Instituciones de la Salud contra la Tortura, la Impunidad y otras Violaciones a los Derechos Humanos do IRCT (Conselho Internacional de Reabilitação de Vítimas de Torturas - Dinamarca). Assim, as ações do GTNM/RJ têm se apoiado na premissa de que, com a apropriação de nossa história recente, estaremos mais capacitados para fazer frente às práticas de violações de direitos humanos que se apresentam na atualidade do panorama nacional, como efeitos da impunidade. Essas ações têm como imperativo ético denunciar o que ocorreu nas prisões durante a ditadura militar e o que ocorre na atualidade, como conseqüência da preservação dos métodos e das práticas autoritárias e arbitrárias, para que, algum dia, todos possamos dizer “Nunca Mais” à tortura e à impunidade. Diretoria Atual

Presidente: Rafael Maul de Carvalho Costa

1ª Vice-Presidente: Cecilia Maria Bouças Coimbra

2ª Vice-Presidente: Joana D'Arc Fernandes Ferraz

1ª Secretária: Lívia de Barros Salgado

2ª Secretária: João Costa Filho

1º Tesoureiro: Victória Lavinia Grabois Olimpio

2ª Tesoureiro: Carmen Lapoente Silveira

Astrojildo Pereira - Medalha Chico Mendes de Resistência 2026 - Nascido em 8 de outubro de 1890, em Rio Bonito, interior...
28/03/2026

Astrojildo Pereira - Medalha Chico Mendes de Resistência 2026 - Nascido em 8 de outubro de 1890, em Rio Bonito, interior do Estado do Rio de Janeiro, era filho de um médico proprietário rural e comerciante. Na década de 1910, aproximou-se dos núcleos anarquistas. Em 1913, participou ativamente da organização do II Congresso Operário Brasileiro, que, dirigido então pelos grupos anarquistas, reestruturou a Confederação Operária Brasileira (COB).

Em fins de 1918, participou de uma frustrada tentativa de levante anarquista, razão pela qual foi preso. No entanto, os ecos da Revolução Socialista de 1917 na Rússia já se faziam sentir entre os militantes do movimento operário no Brasil, e Astrojildo acabou por afastar-se do anarquismo.

Após a fundação do PCB, fez sua primeira viagem a União Soviética (1924) e foi encarregado, em 1927, de estabelecer o primeiro contato do PCB com o líder do movimento tenentista Luiz Carlos Prestes, então exilado na Bolívia.

Na década de 1940, Astrojildo se uniu às forças políticas que se mobilizaram contra o nazifascismo e pelo fim do Estado Novo. Foi um participante ativo e destacado do I Congresso Nacional de Escritores realizado no início de 1945, que desempenhou papel importante nas lutas pelas liberdades democráticas.

Em 1958, fundou e dirigiu Estudos Sociais, revista teórica vinculada ao PCB, que circulou até 1964. 

Foi preso pelos agentes da ditadura em outubro de 1964. Na prisão, seus problemas cardíacos agravaram. Foi posto em liberdade, por força de um habeas corpus em janeiro do ano seguinte, quando declarou à imprensa ser um "marxista convicto", conclamando a luta pelas franquias democráticas. Morreu no Rio de Janeiro em 20 de novembro de 1965, sendo sepultado em Niterói. 

Pela Vida Pela Paz
Tortura Nunca Mais


Tauã Brito da Cruz - Medalha Chico Mendes de Resistência 2026 - é uma força em forma de mulher. Mulher negra, empreended...
27/03/2026

Tauã Brito da Cruz - Medalha Chico Mendes de Resistência 2026 - é uma força em forma de mulher. Mulher negra, empreendedora, mãe do Wellington e da Isabelly. Dedicada e dona de uma sensibilidade que transforma a dor em propósito e constrói todos os dias uma história marcada por resiliência e coragem, feita de sentimentos que muitas das vezes nem cabem em palavras.

É confeitaria e empreendedora por necessidade, guerreira por essência, construiu seu caminho com as próprias mãos. Na confeitaria, cada doce leva mais do que sabor: leva pedaços da sua história, sua luta e sua capacidade de recomeçar todos os dias. Não entrega apenas doces: entrega amor, superação e cuidado em cada detalhe. Sua rotina hoje é intensa, equilibrando trabalho, maternidade e sua luta por justiça pelo que fizeram com seu filho.

É uma mulher de posicionamento, voz ativa e olhar atento às injustiças. Aprendeu a não se calar diante do que acredita. Carrega dentro de si uma mistura rara de firmeza e sensibilidade, sendo apoio para quem ama e inspiração para quem acompanha sua trajetória.

Hoje enfrenta a maior perda que qualquer mãe poderia ter. Mesmo assim, ela não quebrou, pelo contrário, fez nascer uma mulher ainda mais firme, mais sensível e mais consciente da sua própria força.

Wellington Brito dos Santos foi um dos assassinados pela polícia na maior cachina da história do Rio de Janeiro, no dia 28 de outubro de 2025, na Vila Cruzeiro. Tinha apenas 20 anos. Seu corpo foi encontrado por sua mãe e por moradores do local em uma mata, junto com outros corpos, tendo seus braços amarrados e um tiro à queima roupa na cabeça.

Perder o filho fez Tauã despertar para uma luta que acredita que todos os pretos e moradores de favelas deveriam ter: a luta por dignidade, justiça e por um olhar de vida, para que não sejam vistos apenas como corpos tombáveis e sem valor. 

Pela Vida Pela Paz
Tortura Nunca Mais



Eufrásia Maria Souza das Virgens – Medalha Chico Mendes de Resistência 2026 – é Defensora Pública do Estado do Rio de Ja...
27/03/2026

Eufrásia Maria Souza das Virgens – Medalha Chico Mendes de Resistência 2026 – é Defensora Pública do Estado do Rio de Janeiro com atuação na Coordenadoria de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (CDEDICA) e conselheira estadual de direitos da criança e do adolescente (CEDCA/RJ). É também integrante do Fórum Estadual de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil e Proteção ao Trabalhador Adolescente (FEPETI), da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) e da ColetivA Mulheres Defensoras Públicas do Brasil.

Nasceu em 1971 na zona rural de Ipiaú/Bahia, primeira de 7 filhos de Crispiniano Menezes das Virgens e Gildete Souza das Virgens. Veio para o Rio de Janeiro, tendo ingressado na faculdade de Direito em julho de 1990, contando com apoio moral e material de um casal de tios, Jaci Sousa e Antônio Sampaio. Foi aprovada no XIII Concurso da Defensoria Pública, onde tomou possem em 05 de outubro de 1995. É mãe de um jovem de 27 anos, Lucas Souza Ribeiro, e avó de um menino de 1 ano e 8 meses, Isaac.

Ao longo da atuação institucional tem pautado na agenda de defesa intransigente dos direitos de crianças e adolescentes e enfrentado as violações perpetradas não apenas pela família, mas também, principalmente, pelo Estado. Tem lutado, portanto, para a proteção integral dos direitos de crianças e adolescentes, bem como enfrentado violações, mal tratos e torturas que ocorrem cotidianamente em estabelecimentos para estes segmentos da população. Por sua corajosa atuação, recebeu vários prêmios e várias homenagens.

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Solange de Oliveira AntônioSolange de Oliveira Antônio, conhecida como Sol, é filha de imigrantes que ajudaram a erguer ...
27/03/2026

Solange de Oliveira Antônio

Solange de Oliveira Antônio, conhecida como Sol, é filha de imigrantes que ajudaram a erguer a periferia paulistana. Sua mãe, vinda de Sergipe, e seu pai, de Mirandópolis, estabeleceram-se no Parque Santa Madalena no final dos anos 1950. Lá, Sol nasceu e cresceu em uma casa construída pelos próprios pais. Sua história reflete o fracasso da promessa de ascensão social operária: a geração de Sol e seus filhos não herdaram a estabilidade sonhada, sendo confrontados pela exclusão e pela violência urbana.

O destino de Solange foi selado em 3 de março de 2015. Seu filho, Victor Antônio Bravo, foi executado pela Polícia Militar no bairro de Perdizes. Após a morte de Victor, Sol mergulhou em uma depressão profunda e paralisante. Por nove meses, ela se encontrou reclusa, enfrentando o pânico, a dificuldade de sair da cama e o peso de um luto insuportável.

A busca por respostas sobre o assassinato de Victor começou, sozinha, por meio das redes sociais. Buscando outras mulheres que sentissem a mesma dor, Solange começou a mapear o sistema de justiça e a entender seu funcionamento. Decidiu, então, travar uma batalha solitária contra o Estado para obter o laudo de necrópsia e o boletim de ocorrência completo de seu filho. Ao conseguir os documentos, Sol descobriu a farsa escancarada em que opera o sistema de justiça brasileiro: a versão de que Victor morrera em confronto era mentira. O laudo e imagens de vídeo provaram que ele foi executado.

O movimento que começou em sua sala de estar, no Parque Santa Madalena, ganhou corpo e escala pública ao encontrar apoio no Centro de Direitos Humanos de Sapopemba (CDHS). O luto, antes íntimo, tornou-se coletivo e político: assim nasce o Movimento de Mães e Familiares em Luto da Zona Leste (MLZL). Hoje, Solange é uma liderança que organiza audiências públicas, atos e redes nacionais, lutando para que a história de seu filho e de tantos outros não seja silenciada e caia em esquecimento.

Pela Vida Pela Paz
Tortura Nunca Mais


João Bosco – Medalha Chico Mendes de Resistência 2026 – nasceu em 1946, em Ponte Nova/MG. Filho de pai libanês e irmão d...
26/03/2026

João Bosco – Medalha Chico Mendes de Resistência 2026 – nasceu em 1946, em Ponte Nova/MG. Filho de pai libanês e irmão do também músico Tunai (falecido em 2020), começou a cantar nas missas da sua cidade natal e a estudar violão e piano já na infância, incentivado pela família modesta de 10 filhos, porém repleta de músicas.

Suas primeiras influências foram de Ângela Maria, Cauby Peixoto, Elvis Presley, Ray Charles e Little Richards, Ernesto Nazareth ao samba carioca dos anos 1930; do bolero do compositor francês Maurice Pavel aos boleros populares nacionais dos anos 1940 e 1950. Também é marcante em suas músicas a influência do jazz, da bossa nova, do tropicalismo, dos ritmos africanos, caribenhos e árabes.

Em 1970, conheceu aquele que viria a ser o seu mais frequente parceiro, com quem compôs mais de uma centena de canções: Aldir Blanc. Desta potente e fecunda parceria nasceram sambas que se tornaram verdadeiros hinos da MPB. As melodias de Bosco se articulam perfeitamente com as letras de Blanc. Ao longo de sua carreira, foram cerca de 48 álbuns com grandes sucessos e trilhas de novelas que marcaram gerações.

João Bosco, um dos maiores compositores da música popular brasileira, é reconhecido por harmonias sofisticadas, arranjos originais de violão rítmico e experimentalistas. João nunca se rendeu a modismos ou se desviou do caminho que decidiu traçar e que o levou de sua pequena Ponte Nova até os mais importantes palcos do Brasil e do mundo.

Em seu autorretrato, apresenta-se como um artista cuja “boca é toda ouvidos para o meu coração” e com “ouvidos que atentam para outras bocas”. Diz, ainda, ser “amamentado” pelo seu violão e “morar na estrada” concluindo que: “sem saber quem sou e nem porque vim, eu vou”.

Sorte nossa, poder acompanhar a continuidade da linda e potente trajetória desse grande artista “estradeiro”, artesão caprichoso que segue tocando as melhores tramas musicais por todo o mundo!

Pela Vida, Pela Paz
Tortura Nunca Mais!



Aldir Blanc – Medalha Chico Mendes de Resistência 2026 - nasceu no Rio de Janeiro, em 1946, filho de Helena Aguiar Mende...
25/03/2026

Aldir Blanc – Medalha Chico Mendes de Resistência 2026 - nasceu no Rio de Janeiro, em 1946, filho de Helena Aguiar Mendes e Alceu Blanc Mendes. Passou sua infância e juventude nos bairros do Estácio, de Vila Isabel e da Tijuca. Em 1972, formou-se médico na Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro (atual UERJ). Nessa época já era conhecido como compositor, principalmente, pelas músicas lançadas em festivais e início de sua parceria com João Bosco em 1970. Como cronista, colaborou em jornais e revistas como O Dia, Jornal do Brasil, Pasquim, O Estado de S. Paulo e O Globo.

Nos últimos 40 anos de sua vida – interrompida pela Covid-19 em 4 de maio de 2020 – viveu na Muda, sub-bairro da Tijuca, em companhia de Mari Lucia Sá Freire, a Mary do Blanc. Em torno deles, quatro filhas de casamentos anteriores, cinco netos e um bisneto. “É o nosso time de futebol”, dizia ele, que repetia com os netos o tratamento carinhoso recebido do avô português Antônio Aguiar. 

Escreveu seu tempo, seus contemporâneos e sua cidade, sobretudo em letra de músicas populares. Assim como Noel Rosa, Aldir Blanc estudou Medicina e foi criado em Vila Isabel. E como Noel, Aldir se foi num 4 de maio, 83 anos depois e na mesma Vila Isabel, de enfermidade pulmonar. Psiquiatra, Aldir chegou a ter consultório e a trabalhar no Hospital do Engenho de Dentro. Seus heróis eram anônimos, esquecidos, abandonados a não ser por sua poesia. A definição de um mestre como Dorival Caymmi é inequívoca e deve ser tomada literalmente: “Aldir Blanc é o ourives do palavreado”. Tratando a língua popular como ouro, criou um universo próprio, traduzindo-o em canções, poemas e crônicas da vida cotidiana carioca e brasileira. Letrista incomparável, foi parceiro de nomes como Maurício Tapajós, Moacyr Luz, Guinga e Cristóvão Bastos. Entretanto, seu grande e querido parceiro foi João Bosco, com quem lançou centenas de músicas, verdadeiros hinos da MBP.

Pela Vida 
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Quilombo da Marambaia - Medalha Chico Mendes de Resistência 2026 - A violência do Estado e o racismo atravessam a histór...
24/03/2026

Quilombo da Marambaia - Medalha Chico Mendes de Resistência 2026 - A violência do Estado e o racismo atravessam a história do Quilombo da Marambaia do Império aos dias atuais, tendo no período da Ditadura empresarial-militar de 1964 um momento de aumento das formas de controle, exploração e repressão dos quilombolas.
A região situada na Baía de Sepetiba, no Rio de Janeiro, foi utilizada no século XIX como local de desembarque do tráfico ilegal de pessoas escravizadas. Desde então, famílias se estabeleceram ao longo da região, constituindo uma comunidade negra de camponeses e pescadores, como grande parte dos quilombos em todo o Brasil.
A década de 1970, período de maior repressão sob o governo Médici, coincide com o momento de “chegada da Marinha” na região. O fato alterou os modos de vida de todos que viviam ali, sob a justificativa de transformação do para “uso exclusivamente militar” e da instalação do Centro de Adestramento Militar da Ilha da Marambaia.
A permanência de práticas reiteradas e cotidianas de violações de direitos na Ilha da Marambaia, mesmo no período de transição democrática, aponta para uma forma de violência sistemática naquele território. Daí, a organização da Associação de Remanescentes de Quilombos da Ilha da Marambaia (ARQIMAR).
No ano de 2002, o Ministério Público Federal ajuizou Ação Civil Pública para assegurar os direitos centenários da população tradicional e obteve vitória parcial para que a Marinha do Brasil e o Estado brasileiro fossem obrigados a “tolerar” a ocupação quilombola na Ilha. A Ação Civil Pública tramitou até 2015, quando foi possível a assinatura e homologação de um Termo de Ajuste de Conduta que finalizasse o litígio.
Apesar das vitórias, o Quilombo da Marambaia permanece em luta pela garantia plena à autonomia e liberdade das suas formas de viver, de sua terra e mar. Parafraseando Gilberto Gil, existiram, resistiram e ressurgiram El Dourados negros no Brasil. Existem, resistem e ressurgem sempre El Dourados negros no Brasil. Como um deles, o Quilombo da Marambaia existe e resiste!
Pela Vida Pela Paz
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Mães da Praça de Maio – Linha Fundadora (Medalha Chico Mendes de Resistência 2026)A organização Mães da Praça de Maio na...
24/03/2026

Mães da Praça de Maio – Linha Fundadora (Medalha Chico Mendes de Resistência 2026)
A organização Mães da Praça de Maio nasceu em fins de abril de 1977, de um pequeno grupo desesperado pela detenção clandestina de suas filhas e seus filhos. Na Praça de Maio, essas mulheres se reuniram em torno de uma pergunta: Quem desapareceu na tua família? Aos poucos, foram tomando consciência de que extrapolavam sua condição de mulheres domésticas, apesar de manterem sua condição de Mães. Em 1976, calculou-se que, de cada 5 desaparecidos, apenas um teria sido denunciado. Daí, surgiu o número simbólico de 30.000 desaparecidos, embora muitos não estejam registrados.
Quando as mães se deram conta de que havia desaparecidos por todo o continente, que se criou a Federação Latinoamericana de Associações de Familiares de Desaparecidos (FEDEFAM). Esta Federação foi criada em um encontro plurinacional de familiares exilados de desaparecidos, em San José, Costa Rica, em janeiro de 1981.
Os governos democraticamente eleitos não cumpriram as expectativas das Madres, uma vez que se manteve a impunidade para os crimes de lesa humanidade. O governo atual de Javier Milei é claramente negacionista. Ele quer acabar com a nacionalidade argentina destruindo toda instituição e todo órgão de direitos humanos silenciando todos os que defendem esses direitos, derrubando toda a produção comunitária nacional e tudo que é feito pela identidade da Argentina. Destrói a indústria, a educação, a saúde pública, reprimindo os atos de protesto social, a imprensa, os aposentados e as aposentadas, as pessoas com necessidades especiais, ou seja, a toda e qualquer pessoa que se manifeste por seus direitos.
As Madres seguem trabalhando e fazendo parte da FEDEFAM, em favor da memória e a procura de mais verdade, melhor justiça, reparação e garantias de não repetição. Aos 50 anos do golpe genocida, continuam os juízos contra criminosos de lesa humanidade em todo o país. Continuam lutando conforme a sua sigla: NENHUM DESAPARECIDO A MAIS EM NOSSO CONTINENTE E NO MUNDO!
Pela Vida Pela Paz
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Iara Iavelberg – Medalha Chico Mendes de Resistência 2026 – nasceu em São Paulo em 1944 numa família judia. Ingressou no...
23/03/2026

Iara Iavelberg – Medalha Chico Mendes de Resistência 2026 – nasceu em São Paulo em 1944 numa família judia. Ingressou no curso de Psicologia da USP em 1963. Cativou os amigos e companheiros de militância com sua inteligência, formação política, carisma e simpatia. “O sorriso dela não era de charminho nem convencional ou de estereótipo. Ela sorria inteira, alma e corpo. Havia uma alegria nela da qual o sorriso era a expressão”, lembra o filósofo João Quartim de Moraes.
Iara Iavelberg teve uma atuação destacada no movimento estudantil, presidindo a Associação Universitária dos Estudantes de Psicologia, o centrinho, atual Centro Acadêmico Iara Iavelberg da USP. Militou inicialmente na Organização Revolucionária Marxista – Política Operária, migrando posteriormente para a Vanguarda Popular Revolucionária e Movimento Revolucionário 8 de Outubro. Neste período conhece Carlos Lamarca, o capitão que desertou do Exército para ingressar na resistência armada à ditadura. A intensa relação duraria até o assassinato brutal de ambos, mas permaneceria para sempre na memória de muitos.
Após uma longa e cansativa disputa judicial, a família de Iara Iavelberg conseguiu o direito de exumar o corpo da guerrilheira para provar que sua morte, ocorrida em 20 de agosto de 1971, não decorreu de um suicídio conforme forjado pela ditadura militar, mas sim de um assassinato cometido pelos órgãos de repressão.
Iara Iavelberg viveu intensamente suas convicções políticas, sempre lutando por um país com menos desigualdades e violências.

Pela Vida
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Francisco Manoel Chaves - Medalha Chico Mendes de Resistência 2026 - Mineiro nascido em 1910, era de origem camponesa e,...
23/03/2026

Francisco Manoel Chaves - Medalha Chico Mendes de Resistência 2026 - Mineiro nascido em 1910, era de origem camponesa e, ainda muito jovem, ingressou na Marinha de Guerra, onde sofreu preconceitos raciais. Em 03 de abril de 1935, engrossou as fileiras Aliança Nacional Libertadora, filiando-se em seguida ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). Após a derrota da insurreição armada, foi preso e, sendo mais tarde recolhido ao presídio da Ilha Grande. Graciliano Ramos, que com ele conviveu nessa época, narra em seu livro ‘Memórias do Cárcere’, os esforços de Chaves e de outros companheiros para denunciar as condições desumanas em que viviam os presos naquele autêntico campo de concentração.
Foi expulso da Marinha em 1937. Libertado no início da década de 1940, foi eleito suplente do Comitê Central do Partido Comunista, cargo que exerceu até 1946. Entretanto, saiu do PCB em 1962 para ser um dos fundadores do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Após o golpe de 1964, sofreu com perseguições e foi residir na região de Caianos, na época Goiás, hoje Tocantins, e se incorporou às Forças Guerrilheiras do Araguaia, sendo o mais velho guerrilheiro. Foi morto em combate em 21 de setembro de 1972, junto com José Toledo de Oliveira, próximo ao local onde morrera Miguel Pereira dos Santos, no dia anterior. Em 1991, durante a Segunda Caravana dos Familiares dos Desaparecidos na Guerrilha, foram encontrados remanescentes ósseos depois identificada como Maria Lúcia Petit e de Bergson Gurjão Faria; além deles, a perícia identificou remanescentes que, provavelmente, seriam de Francisco Manoel. Entretanto, essa ossada não pôde ser reconhecida, pois Francisco já não possuía família viva. Os restos mortais foram levados ao Departamento de Medicina Legal da UNICAMP/SP e, posteriormente, trasladados para a Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília, onde se encontram até hoje junto a outros vinte e sete remanescentes ósseos.

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Tortura Nunca Mais/RJ

*Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro convida para 38ª Medalha Chico Mendes de Resistência**Homenagens**Aldir Blan...
19/03/2026

*Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro convida para 38ª Medalha Chico Mendes de Resistência*

*Homenagens*

*Aldir Blanc* (in memoriam)
*Astrojildo Pereira* (in memoriam);
*Eufrásia Souza*;
*Francisco Manoel Chaves* (in memoriam);
*Iara Iavelberg* (in memoriam);
*João Bosco*;
*Madres de Plaza Mayo Línea fundadora*;
*Quilombo da Marambaia*;
*Solange de Oliveira Antonio* – Movimento Mães em Luto da Zona Leste (SP)
*Tauã Brito da Cruz*.

Dia 30/03/26
Hora: 17h30
Local: ABI (Rua Araújo Porto Alegre, 71, 9º andar, Centro).

*Entidades promotoras*
Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior - ANDES
Associação de Docentes da Universidade do Estado do Rio Janeiro – ASDUERJ
Associação dos Docentes da Universidade Federal Fluminense - ADUFF
Associação dos Docentes da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – Adunirio
Associação Brasileira de Imprensa – ABI
Partido Comunista Brasileiro – PCB
Associação José Martí
Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania – BH/MG
Movimento de Justiça e Direitos Humanos – MJDH-RS
Sindicato dos Psicólogos do Estado do Rio de Janeiro - SINDPSI-RJ
Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos – CEBRASPO
Centro de Defesa dos Direitos Humanos Petrópolis – CDDH
Comitê Chico Mendes
Justiça Global
Rede de Familiares e Comunidades contra a Violência
Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro – CRP-RJ

Pela vida, pela paz, tortura nunca mais!

Endereço

R. General Polidoro, 238 S/loja/Botafogo
Rio De Janeiro, RJ
22280-003

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