29/07/2019
Olá caloures, tudo bem?
Nós somos a Frente LGBT+ João W Nery do IP, e viemos falar um pouquinho da gente pra vocês.
A história dos vários coletivos e frentes LGBT+ que o (agora nosso) instituto conheceu é uma de muitas desavenças e desafios, que sempre acabaram sendo superados por conta de uma crença muito forte e muito presente de que precisamos continuar unidos. Nossa conformação atual surgiu de um grupo de alunos do centro acadêmico que se juntou no começo de 2018 para organizar a primeira semana focada em gênero e sexualidade da história do Instituto, e com a virada do ano e o novo cenário político decidimos que precisávamos nos fazer ainda mais fortes para sobreviver.
Nosso nome de batismo homenageia João W Nery, o primeiro homem tr*******al a realizar a cirurgia de afirmação sexual no Brasil. Ex-aluno do IP, se interessou por Psicologia justamente pois desde muito cedo foi ensinado a acreditar que sua existência era fruto de uma patologia. Depois, quando venceu uma ação legal para mudar seu nome e s**o no cartório, um processo histórico, foi extirpado de todos os seus diplomas e graduações, tendo que continuar seus estudos no exterior. Ele foi o primeiro homem trans a receber o título de Doutor Honoris Causa no mundo, e sua contribuição para a Psicologia e Antropologia são extensas, mas mesmo assim ele não é lembrado.
Conversaremos sobre isso mais a fundo com vocês durante nossa apresentação na SANA, mas a Psicologia teve um papel central e vergonhoso na criação, estabelecimento e manutenção de vários dos estigmas que LGBTs carregam até hoje, e justamente por isso, acreditamos que seja nossa responsabilidade coletiva fazer da Psicologia o dispositivo de libertação que ela deve ser. Assim, nos esforçamos para criar espaços seguros onde diferentes manifestações de sexualidade e expressões e identidades de gênero possam coexistir, dividir suas angústias, e aprender mais sobre si próprias.
Somos um coletivo novo, e apesar da nossa atuação ainda ser limitada, construímos a nossa segunda semana de diversidade sexual e gênero, e temos muito mais planos de elaborar eventos, grupos de estudos, rodas de conversa e festas para as pessoas LGBT+ do IP. Mantendo sempre em mente a responsabilidade que temos como futuros psicólogos de se opor veementemente aos projetos de "cura gay" e de acolher e respeitas todas a multitude de identidades sociais de gênero. A formação em Psicologia no Brasil, de uma maneira geral, não abrange questões quanto ao sofrimento da população LGBT+, heteronormatividade, privilégios cis, e mesmo a existência de pessoas travestis e não-binárias, e juntos, esperamos poder mudar esse cenário.
Não sabemos ainda de onde vocês vêm. Talvez alguns de vocês tenham convivido bastante com LGBT+, e talvez alguns de vocês não. O fato é que diante de todas as conquistas que tivemos nas últimas décadas, e a convivência rotineira com pessoas LGBT+ no ambiente fechado da faculdade, é fácil esquecer da opressão e violência que sofremos todos os dias. Mas nós nos lembramos. Nós ainda existimos.
Aproveitem muito a SANA, e a oportunidade de libertação que a faculdade significa! Estamos muito animados pra conhecer vocês!