10/07/2022
Não houve revolução, o povo foi usado como bucha de canhão
NÃO TEVE REVOLUÇÃO EM 9 DE JULHO!!!
E como fazemos em todo 9 de julho, lembramos que em 1932 não houve revolução, mas sim os ricos usando o povo como bucha de canhão.
Em tempo: nem Vargas e nem a burguesia paulistana!
Sim, era um movimento "contra" Getúlio. Mas isso significa algo positivo? Analogamente, basta ver o resultado do atual golpe jurídico-midiático do Brasil para perceber que ser oposição não torna ninguém um arauto revolucionário.
32 foi uma tentativa de golpe dentro do golpe orquestrada pelas elites paulistas - que se viam menos privilegiadas com o governo Vargas. Estavam certos de que iam conseguir o apoio dos aristocratas do RJ, RS e de MG, mas, na hora H, foram traídos. Sem apoio militar e financeiro os recursos logo acabaram, e os oligarcas paulistas se renderam numa derrota acachapante que nunca foi aceita (vide até hoje 9 de julho ser um feriado, o que mostra o ranço dessa gente).
Enfim, o caso é que a elite cafeeira decidiu retomar o poder político sobre a União de outras maneiras, e, dentre as medidas tomadas, em 1934 foi criada a Universidade de São Paulo com o lema "scientia vinces" (vencerás pela ciência) - o que deu certo, avaliando o papel da universidade na formação da elite paulista (e o desta no cenário político-econômico brasileiro nas décadas seguintes).
Realmente não sabemos de onde tiraram que este era um movimento contra a opressão do Estado. Ao contrário, era uma guerra pela manutenção dos privilégios da elite cafeeira que não via com bons olhos o processo de industrialização que Vargas planejava implantar. Sim, o objetivo era manter o Brasil um grande cafezal. Então, parabéns aos otários(as) que aqui vieram bostejar ao longo dos últimos nove's de julho. São todos defensores dos coronéis do café. Mais que isso, reconhecer este fato não faz ninguém um defensor de Vargas. A história pode ser mais complexa que as dicotomias aparentes. E que fique claro outra vez: o protofascista Getúlio não tem nosso apoio!
O mais importante é notar que as pessoas enviadas para morrerem nas trincheiras eram os filhos dos operários e dos trabalhadores, ludibriados pela retórica da "luta contra a ditadura". Assim como em todos os recentes processos políticos do país, em 1932 a imprensa também teve um papel fundamental na mobilização e manipulação das massas.
Não se pode concordar com um movimento oligárquico e ruralista, conservador e elitista. Ainda que ele, aparentemente, seja contra um governo igualmente tirano. Os caminhos da liberdade do povo não serão guiados pela burguesia e nem pelos fascistas. Não seremos bucha de canhão!
Curiosamente, notem que essa data é ferozmente defendida pela alta cúpula da política e elite paulista, pelos carecas fascistas e por toda corja de lacaios da burguesia. Jamais estaremos desse lado!
Nosso respeito aos mortos nessa guerra de interesses que nunca foi para emancipar o povo. Solidariedade para todas as famílias pobres que foram destruídas para que a burguesia nacional pudesse prosperar. O fato de muitos soldados/trabalhadores terem participado dessa farsa, enganados pela elite, não significa que devemos nos orgulhar do ocorrido. É preciso superar o discurso mentiroso que os reacionários nos enfiam goela abaixo ano após ano. O sangue derramado nunca foi o deles.
PAZ ENTRE NÓS, GUERRA AOS SENHORES!