10/01/2023
Nota sobre os acontecimentos provocados pelo bolsonarismo no dia 08/01/2023
Para nós sempre foi muito nítida a relação de posse dos capitalistas em relação aos Estados, especialmente com os Estados dependentes como é o Brasil. O que antes era lobby dos empresários pressionando congressistas e pagando para terem seus interesses privados defendidos no congresso, mesmo contra os interesses públicos, hoje é administração, já que maior parte dos congressistas são financiados pelo capital privado, suas eleições são financiadas por eles e quando eleitos pertencem aos capitalistas que os financiam.
Desde a constituição de 1988, que deveria alçar o Povo Brasileiro em um patamar muito maior de dignidade, os interesses do povo trabalhador vêm sendo preteridos a cada governo, numa crescente e intensa agenda de retirada de direitos. O Golpe jurídico-parlamentar contra Dilma Rousseff, a transição com Temer e a eleição de Bolsonaro foram possibilitadas pelos anseios de um setor neoliberal do capitalismo internacional. Bolsonaro representa este setor do neoliberalismo que nega avanços civilizatórios, propaga e implementa a necropolítica. É uma forma triunfalista, que precisa vencer a qualquer custo seus inimigos e neste caso, o capitalista vence quanto mais lucro consegue, submetendo presidentes e governantes como Bolsonaro e seus lacaios a fazerem o que querem: tirar direitos trabalhistas, acabar com a aposentadoria, explorar a classe trabalhadora em níveis cada vez mais intensos etc.
A classe trabalhadora é alvo constante de ideologia hegemônica, através dos mais variados instrumentos, com destaque para a comunicação de massa (potencializada pelo advento das redes sociais) e a instrumentalização da religião. A utilização das redes sociais para manipular perfis, alimentando suas crenças com conteúdos falsos, odiosos, alimentando o triunfalismo, o rancor e o ódio já foi mais que comprovada, entretanto, não se torna possível a regulamentação dessas redes no país, já que elas são parte do capitalismo internacional que não respeita os Estados e se fizeram o principal meio de divulgação das ideias neoliberais e portanto, do convencimento da classe trabalhadora em submeterem-se à retiradas de direitos e ao estado de coisas atual. E isso, em grande parte, é realizado através do moralismo. O moralismo é a ênfase em valores morais que constituem às sociedades, pegando apenas alguns aspectos e reforçando-os num fundamentalismo cego, com o reforço de elementos simbólicos da religião, as pessoas são capaz de matar ou morrer para defenderem o que acreditam.
Assim, nós sabemos que grande parte das pessoas que estão nas manifestações bolsonaristas não são terroristas. Estão lutando pelo que acreditam. E o que acreditam são valores reforçados pelo capitalismo neoliberal: fascismos, neonazismos e totalitarismos. Há um grupo bolsonarista católico que se chama de “A nova cruzada”. As cruzadas ocorreram quando a Igreja da Cristandade, por disputa de poder e territórios, assassinou cruelmente a todos que não concordavam com ela.
O bolsonarismo é o neoliberalismo e este é a face totalitária do próprio capitalismo. Esta extrema direita está organizada mundialmente, tem organicidade nos seus mais de 300 escritórios que produzem diariamente conteúdo de convencimento e propaganda. Isso é veiculado pelas redes sociais, impulsionado, com milhões de dólares diariamente, chegando a cada pessoa de acordo com suas crenças.
Só será possível derrotar o bolsonarismo assumindo que o Estado Democrático de Direito burguês não nos serve mais enquanto povo. Porque ele é o problema. É um Estado da burguesia, que defende apenas os direitos e privilégios burgueses e cria leis, manipula o Direito para beneficiar a si mesmos, reprimindo à classe trabalhadora.
Precisamos de um novo pacto social e não o construiremos em quatro anos. Nem pelas eleições burguesas. Lula e o PT sabem disso. E por que não dizem? Por que não chamaram o povo às ruas?
As manifestações de Junho de 2013 representaram o rompimento com o Estado Democrático de Direito. As esquerdas não estavam e não estão prontas para assumir a responsabilidade de romper com ele. O capitalismo sempre está, pois para ele não importa. É preciso nos irmanar com os países que já perceberam isso há décadas e tentam com todas as dificuldades, encontrar seus caminhos, novos caminhos. Outras formas de governo, a partir de um pacto social que só pode ocorrer desde baixo, à esquerda. É preciso convocar o povo e às forças políticas internacionais e nacionais que realmente se importam com a soberania dos Estados.
A organização popular em fóruns regionais, estaduais e nacional permanentes que permitam a participação e o exercício democrático participativo, a transparência nos critérios, as deliberações em consenso e um conjunto de novos instrumentos construidos e reconhecidos pelo Povo. É fundamental que as esquerdas utilizem de seus instrumentos: partidos, centrais sindicais, correntes políticas, fundações etc. para construir este outro pacto social de forma verdadeiramente popular e democrática.
Se quisermos vencer esta onda de totalitarismos que ascendeu com o bolsonarismo, é fundamental que a chamemos pelo nome: capitalismo. E um de seus principaios instrumentos, que o que mantem é o Estado Democrático de Direito, criado para possibilitá-lo e administrá-lo.
Enquanto insistirmos fingir que precisamos “restaurar à democracia”, esta democracia burguesa, que nunca chegou ao povo brasileiro, será difícil que o povo volte ter esperança real e acredite nas esquerdas brasileiras. A verdadeira democracia, participativa e responsável, popular, não acontecerá no capitalismo. É preciso que isso seja dito. Porque o discurso conservador do Estado Democrático de Direito e da democracia burguesa é o discurso que quer conservar o modelo de sociedade que sempre oprimiu e ainda oprime grande parte do povo.
Somos esquerda porque temos um projeto diferente a oferecer e a construir. E ele tem nome e é Socialismo. E é um socialismo democrático, desde o povo, com o povo e para o povo. Enquanto não mostrarmos que ele é possível e que sabemos como construí-lo, enquanto nossas ações e formas de luta não fazerem o povo ver que é possível, nosso papel enquanto esquerda não estará sendo cumprido.
É preciso coragem. Bolsonaro propôs um rompimento e metade das pessoas do país o seguiram. Sabemos que é um falso rompimento e que ele utilizou de métodos totalitários.
Mas e nós, vamos seguir querendo conservar aquilo que sempre oprimiu ao povo? Ou vamos avançar, assumindo nossa vocação, para a verdadeira democracia socialista?