12/08/2026
A Organização Mundial da Saúde defendeu o uso de evidências científicas na definição dos calendários de vacinação infantil após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinar uma ordem executiva que altera as recomendações do país. O calendário norte-americano, que previa 17 vacinas, passa a recomendar 11 imunizações para crianças. Outras seis foram reclassificadas e deverão ser indicadas apenas para grupos específicos ou conforme avaliação médica individual. Trump afirmou que a mudança levará a uma proteção de “padrão-ouro” e aproximará os Estados Unidos de outros países desenvolvidos que adotam calendários com menos doses.
Para a OMS, porém, a quantidade de vacinas recomendadas precisa considerar os riscos de cada população e as características de seus sistemas de saúde. O porta-voz da organização, Tarik Jašarević, afirmou que os calendários são definidos a partir de mais de seis décadas de pesquisas sobre o momento em que as pessoas estão mais vulneráveis a determinadas doenças e sobre o desenvolvimento do sistema imunológico. Segundo ele, os países costumam contar com grupos técnicos formados por especialistas de diferentes áreas, que elaboram recomendações independentes e baseadas em evidências. Esses grupos também utilizam orientações do Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas em Imunização da OMS.
A medida atende a uma antiga defesa do secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., que questiona a segurança das vacinas e já divulgou alegações associando imunização e autismo, relação que não encontrou evidências em estudos científicos ou entre autoridades de saúde pública. A ordem também recomenda substituir a vacina tríplice viral contra sarampo, caxumba e rubéola por três aplicações separadas. Associações médicas, especialistas e fabricantes criticaram a alteração por não haver novas evidências que justifiquem a mudança e alertaram para o risco de aumentar a vulnerabilidade de crianças a doenças evitáveis. A fabricante Merck também afirmou não existirem evidências publicadas de benefícios na separação das doses e apontou o risco de atrasos ou de vacinas não aplicadas.
Com informações da Folha de S. Paulo.