17/08/2026
O Dia Nacional do Patrimônio Histórico homenageia o nascimento de Rodrigo Melo Franco de Andrade, fundador do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), e busca conscientizar sobre a importância da preservação dos bens culturais do nosso país.
Para discutir esse tema, a ADUFSJ-SSIND conversou com Luzia dos Santos Abreu, docente do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFSJ.
Segundo Luzia, a compreensão do patrimônio passou por mudanças ao longo do tempo. Inicialmente, a preservação estava concentrada nos monumentos arquitetônicos, hoje o campo também incorpora saberes e práticas culturais reconhecidos pelas comunidades. Para a docente, entretanto, a divisão entre patrimônio material e imaterial precisa ser discutida de maneira mais aprofundada, especialmente no campo teórico, a partir de reflexões trazidas pela arquiteta Natália M. Vieira de Araújo, que trata ambos como uma simbiose entre matéria e não matéria, uma experiência vivida no espaço-objeto. “Toda materialidade manifesta um saber, uma ideia que, ao ser reconhecida, estabelece relação com a memória e o tempo vivido.”
A professora também chama a atenção para o risco de reduzir o patrimônio ao seu potencial turístico e econômico. Quando determinados lugares são transformados em produtos turísticos, afirma, pode ocorrer um afastamento da população de seus próprios espaços culturais. “As pessoas em sua vida cotidiana são as protagonistas”, destaca.
Essa discussão ganha contornos ainda mais concretos em São João del-Rei, diante das transformações da paisagem urbana, da verticalização e da descaracterização de bairros e conjuntos arquitetônicos. Para Luzia, a preservação não pode se limitar ao centro histórico e aos monumentos reconhecidos oficialmente. A cidade como um todo possui história e valores que precisam ser considerados no planejamento urbano.
Nesse sentido, a paisagem ocupa um lugar central em sua reflexão. “A paisagem abraça tudo o que vemos, e devem ser reconhecidas como os espaços de vida das pessoas”, afirma. Preservá-la significa também pensar em qualidade de vida, acessibilidade, arborização, espaços públicos, praças e possibilidades de convivência.