09/05/2023
O nível de analfabetismo necessário para o analfabetismo funcional varia de cultura para cultura. Uma pessoa vivendo numa comunidade rural, agrária, por exemplo, num país em desenvolvimento, consegue realizar a maioria das tarefas diárias sem precisar de habilidades avançadas de leitura. Já alguém que vive num ambiente urbano, especialmente num grande centro dominado pela tecnologia, precisa de um nível de alfabetismo muito mais alto para realizar mesmo as tarefas mais simples.
Analfabetos funcionais conseguem ler, escrever, trabalhar, se comunicar e até mesmo votar, sem que tenham uma compreensão plena sobre aquilo que estão fazendo, falando ou escolhendo.
E a questão se torna ainda mais crítica quando percebemos que a internet se tornou disponível para todos, inclusive para os analfabetos funcionais. E a internet trouxe agravantes, como a pressão do volume de informações oferecidos, a total falta de filtros, a velocidade com que se demandam respostas e a facilidade com que fatos são manipulados e a verdade é fragmentada. É nesse contexto que escolhas precisam ser feitas. É nesse contexto que proliferam os alfabestados digitais.
Um alfabestado digital, assim como um analfabeto funcional, consegue ler e escrever, mas tem dificuldades de entender um tuíte, uma citação ou referência.
Ironias, então, cara nem pensar… Em vez de inspirar a busca por novas experiências e habilidades, o alfabestado digital acaba desenvolvendo um estilo de aprendizado preguiçoso. O resultado é o enfraquecimento de habilidades cognitivas. Em vez de motivar a aquisição do alfabetismo básico, o alfabesta, favorece as fontes mais simples de informação, como redes sociais e vídeos. De preferência curtinhos e sem textão, pelo amor de Deus. E se possível, com tretas, muitas tretas. E aí ele começa a dar sua opinião, mesmo que nada entenda sobre o assunto.
O resultado é isso mesmo, a alfabestização digital generalizada.