03/11/2023
Nada é tão ruim que não possa piorar.
Têm razão os que classificam nosso atual sistema tributário como sendo um manicômio. Por esta razão, fala-se tanto em reforma tributária no Brasil.
Qualquer reforma serve? Não! Este é o ponto. Dependendo da reforma que for aprovada, nosso sistema tributário pode piorar muito e se transformar em um verdadeiro inferno, tanto para os contribuintes, como para os governos Federal, estaduais e municipais.
Assunto complexo e de difícil compreensão para a maioria da população e mesmo para muitos parlamentares. Novas leis tributárias não são elaboradas sem a interferência de vários interesses. A indústria quer pagar menos impostos, assim como a agricultura e o setor de serviços. Os governos estaduais, municipais e o próprio governo Federal querem arrecadar mais. Os cidadãos brasileiros reclamam dos pesados impostos que já existem e não querem pagar mais.
Os parlamentares querem contentar a todos. Missão obviamente impossível.
Todas as pressões sociais desaguam no Congresso e o resultado parece ser um grande Frankenstein.
O relatório do senador Eduardo Braga, que se empenhou ao máximo para melhorar o que veio da Câmara dos Deputados, manteve a espinha dorsal dos problemas. Vejamos os principais gargalos. O relatório mantem por mais dez anos os atuais impostos, P*S, COFINS, IPI, ICMS e ISS, e cria outros cinco impostos, CBS, IBS, imposto seletivo, CIDE importação e imposto sobre a mineração.
Durante dez anos (transição), esses dez tributos irão conviver. O trabalho para poder pagar os impostos irá aumentar muito. As empresas precisarão de mais contadores e advogados. A máquina pública terá que aprender na prática como fiscalizar e cobrar os novos impostos. Essa reforma, nos próximos dez anos, complica tudo e não simplifica nada.
O setor de serviços, o que mais gera empregos no Brasil, será duramente castigado, terá um substancial aumento de tributos, mesmo aqueles que conseguirem alíquotas diferenciadas.
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