19/03/2024
PRECISAMOS VOLTAR AOS IDEAIS DOS ANOS 1990
Há 32 anos, tenho estado envolvido no movimento monárquico. Até 2012, nossos problemas eram essencialmente os mesmos do final dos anos 1980 e não afetavam muito os grupos. A grande maioria de nós se opunha ao sistema presidencialista demagogo. O messianismo era raramente perceptível e, quando ocorria, era geralmente em privado.
No entanto, a partir de 2016, os veteranos foram energizados por uma nova onda da direita e, misturados, começaram a trazer para o movimento pautas externas e até mesmo contraditórias. Isso resultou na emergência de um tipo de monarquista peculiar ao Brasil. Com o advento do extremismo a partir de 2018, a nova direita cresceu entre os monarquistas. Alguns se separaram em novos grupos, enquanto outros, por afinidade pessoal, permaneceram nos grupos originais. No entanto, todos esses chamados neoconservadores passaram a patrulhar o politicamente correto em nome da moralidade e questões divinas.
O messianismo e a defesa de um estado teocrático eram raros nos anos 1990, mas em poucos anos tornaram-se padrão entre os novatos. Em 2022, no ano do Bicentenário da Independência, eles são praticamente a maioria dos monarquistas.
Influenciados por novas lideranças monarquistas e envolvidos em questões da demagogia presidencialista, esses novatos criaram um tipo de "monarquista" que só existe no Brasil como grupo, sendo raros casos semelhantes no exterior. Esse "monarquista" brasileiro é caracterizado por ser contra as monarquias europeias, defender um governo teocrático, apoiar a Rússia, defender políticas de reserva de mercado e nacionalismo. O pior de tudo é o apoio incondicional a um ex-governo presidencialista populista, liderado por um ex-parlamentar do baixo clero do Centrão.
Assim como os neoconservadores republicanos, os neoconservadores monárquicos adotam a moral e o lema do ex-presidente como algo universal, embora muitos deles estejam além do segundo casamento, apoiem pautas modernistas e se considerem mais alinhados ao cristianismo do que os próprios sacerdotes. Eles não confiam em nenhum veículo da imprensa formal, embora, de vez em quando, usem a imprensa tradicional quando acham algo favorável, e dão voz e credibilidade absoluta a opiniões de pessoas fora de suas áreas de expertise, como quando uma esteticista opina sobre direito constitucional, um mecânico fala sobre imunidade de rebanho ou um atleta questiona a forma do planeta. Pior ainda, eles reproduzem essas "fakes" e cancelam ou suspeitam de quem não as compartilha. Este é o mundo das redes sociais pós-pandemia.
Estamos reunidos em um pequeno grupo que valoriza a democracia, o estado de direito e os ideais e projetos dos anos 1990, que ainda são fundamentais para o Brasil nos dias de hoje.
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