05/08/2026
D. BERTRAND ENVIA MENSAGEM AO PAPA
[Artigo publicado originalmente na edição nº 37 do boletim “Herdeiros do Porvir”, de abril, maio e junho de 2014. Para receber futuras edições, cadastre-se em monarquia.org.br/faca-parte.]
Alcançou ampla repercussão nacional e internacional o documento intitulado “Quo vadis, Domine? — Reverente e filial mensagem a Sua Santidade o Papa Francisco”, enviado ao Pontífice pelo Príncipe D. Bertrand de Orleans e Bragança em 8 de fevereiro último, mostrando sua perplexidade diante do recebimento festivo por autoridades de Roma e pelo próprio Papa de líderes de invasão de terras na América do Sul, entre eles o conhecido João Pedro Stédile, do MST, e o argentino Juan Grabois, do Movimento de Trabalhadores Excluídos (MTE). A seguir alguns trechos do documento, que pode ser lido na íntegra no site monarquia.org.br.
APRESENTAÇÃO — Dirijo-me a Vossa Santidade em meu duplo caráter de Príncipe da Casa Imperial do Brasil e ativo participante da vida pública de meu País, para lhe externar uma grave preocupação concernente à causa católica no Brasil e na América do Sul em geral. É bem conhecido dos brasileiros o fato de que foi a instâncias do Papa Leão XIII, e apesar dos previsíveis inconvenientes políticos que daí adviriam, que minha bisavó, a Princesa Isabel, regente do Império, assinou a 13 de maio de 1888 a Lei Áurea, abolindo definitivamente a escravatura no Brasil. Custou-lhe o trono, mas valeu-lhe passar à História como “A Redentora”, e receber das mãos do Papa a Rosa de Ouro, em recompensa pela sua abnegação em favor da harmonia social e dos direitos dos mais desvalidos. Movido pelo mesmo senso de justiça e devotamento ao bem comum de meus antepassados, honro-me em ter dado início e animado durante 10 anos a campanha Paz no Campo, a qual promove a harmonia social no agro brasileiro. Tarefa tanto mais imperiosa quanto, nas últimas décadas, o meio rural do País vem sendo notoriamente conturbado por uma sequência de invasões de terra, assaltos, destruição de plantações, desapropriações confiscatórias, exigências ambientalistas descabidas e insegurança jurídica. No cerne dessa agitação agrária [...] encontram-se o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra, mais conhecido pela sua sigla MST, e a organização internacional Via Campesina.
STÉDILE E MST — Por isso, foi com consternação que tomei conhecimento do convite enviado pela Academia Pontifícia de Ciências ao Sr. João Pedro Stédile, coordenador nacional do MST e representante da Via Campesina, para participar como observador de um seminário organizado pela referida Academia, em Roma, no dia 5 de dezembro de 2013, com as despesas de viagem pagas pelo Vaticano. [...] O conhecido agitador aproveitou-se do evento como tribuna para promover seus princípios baseados na premissa marxista da luta de classes, e ameaçou: [...] “A curva da luta de classes será mundial e, portanto, quando começar a fase de ascensão, será assim por toda parte. E a terra tremerá.” [...]
Não posso deixar de me perguntar, Santo Padre, qual a razão de que esse paladino de uma utopia revolucionária tão visceralmente anticristã e promotor da violação sistemática das leis tenha sido convidado pela Pontifícia Academia de Ciências. Pois é obvio que, sendo as classes populares cada vez mais infensas à pregação revolucionária, o interesse do líder do MST só pode ser a sua pretensão de utilizar-se da Igreja Católica como companheiros de viagem nessa utópica aventura. [...]
Tudo quanto foi exposto, Santidade, é de molde a chocar milhões de católicos brasileiros, que f**arão ainda mais desconcertados quando tomarem conhecimento de que, além do convite enviado a João Pedro Stédile para participar do referido seminário, Vossa Santidade gravou em vídeo, nessa ocasião, mensagem de saudação aos integrantes da Via Campesina. Talvez Vossa Santidade não tenha sido informado, mas essa organização subversiva ficou tristemente conhecida dos brasileiros, em abril de 2006, quando 2.000 militantes dessa organização invadiram a empresa Aracruz Celulose, depredando grandes estufas experimentais, sistemas de irrigação, viveiros de mudas, incendiaram instalações e destroçaram modernos equipamentos de laboratório. Pode Vossa Santidade calcular o quanto soará inverossímil a milhões de brasileiros saber que Vossa Santidade, nesse vídeo, estimulou a Via Campesina a “seguir adelante”! Esse procedimento não foi o único, Santo Padre. [...]
GRABOIS E MTE — Minha perplexidade seria maior na eventualidade de Vossa Santidade não saber perfeitamente quem é Juan Grabois, argentino militante da “esquerda popular” peronista, também convidado pela Pontifícia Academia de Ciências, não só para ser um dos organizadores do referido seminário, como também para ser o primeiro de seus relatores. Articulador da rede de “cartoneros” — os catadores de papel de Buenos Aires — no chamado Movimento de Trabalhadores Excluídos (MTE) bem como um dos fundadores da Confederação dos Trabalhadores da Economia Popular, esse advogado e militante da esquerda peronista não esconde suas convicções abertamente marxistas. Em artigo para AgendaOculta.net, sustenta que a “acumulação originária” de riqueza das classes abastadas “provém de algum grande crime”. Para ele, tal riqueza particular é necessariamente fruto de “saque, escravidão, rapina, contrabando, evasão de capital, tráfico de pessoas, tráfico, usurpação, calote, corrupção, malversação de fundos públicos...” [...] Ou seja, é a velha teoria de Marx segundo a qual todo proprietário particular seria um ladrão pelo simples fato de ser abastado. [...]
Vossa Santidade convidou “cartoneros” a subirem no palanque da Praia de Copacabana, durante a Via Sacra da Jornada Mundial da Juventude, além de lhe tributar outros gestos de acolhimento, como a audiência que concedeu a Grabois, por duas horas, no mês de agosto passado, em sua residência de Santa Marta. Envolveriam estes gestos um apoio à linha traçada pelo ideólogo Juan Grabois? Eis minha filial e respeitosa pergunta. [...]
“QUO VADIS, DOMINE?” — Vossa Santidade, agindo com calculada prudência, vai definindo aos poucos os rumos do seu pontif**ado. É natural que os fiéis acompanhem com atenção os passos que vão sendo dados nesse sentido. Diante das inevitáveis perplexidades que toda mudança de rumo naturalmente produz, compreende-se que muitos façam, no interior de seus corações, a pergunta que, segundo a legenda, o próprio São Pedro fez quando, fugindo da perseguição de Nero, encontrou Jesus Cristo que vinha em sentido contrário: “Quo vadis, Domine?” — Aonde vais, Senhor?
Ao ouvir a resposta de Nosso Senhor de que Ele se dirigia a Roma para ser novamente crucif**ado, São Pedro entendeu que o momento havia chegado de ele próprio sofrer o martírio. E, assim, submeteu-se ao suplício com grande humildade, pedindo aos algozes que o crucif**assem de cabeça para baixo — segundo piedosa tradição — porque não se considerava digno de que sua morte igualasse em todos os pormenores a de Cristo.
Assim, em vista dos fatos acima descritos, e das perplexidades por eles suscitadas, um fiel poderia ser levado a dirigir ao Papa Francisco idêntica pergunta — “Quo vadis, Domine?” [...] Faço-o, pois, nesta Reverente e Filial Mensagem, convencido de que Vossa Santidade receberá a presente manifestação com paternal benevolência, e como uma leal contribuição para o êxito de sua excelsa missão no governo da Santa Igreja.
📸 Sua Santidade o Papa Francisco (1936-2025).