03/04/2013
Uma geração privilegiada (Tecnologia)
Costumo dizer que informação, conhecimento e relações pessoais são a base da formação de uma criança ou jovem. Nos dias de hoje, principalmente com os avanços da tecnologia, a oferta nestas frentes se tornou muito vasta, o que traz coisas boas, mas também exige um olhar cada vez mais atento por parte das famílias.
Não restam dúvidas, um dos principais benefícios da tecnologia é o acesso facilitado à informação. Antes, tínhamos que torcer para achar o livro certo em alguma biblioteca ou livraria, ou então esperar nossos pais voltarem do trabalho para tirar as dúvidas do dia. Hoje, nossos filhos têm uma série de ferramentas para resolver estes dilemas de forma rápida, lúdica, interativa e prazerosa. Curiosidade não passa mais fome.
Por outro lado, nunca se viu uma juventude tão apática frente ao conhecimento. A tecnologia ampliou o volume e a velocidade da informação, mas em contrapartida ampliou também um dos grandes problemas dessa informação, sobretudo para as crianças: como aplicá-la no dia a dia? Como pesquisar, selecionar, avaliar, classif**ar, ordenar e utilizar todo esse conteúdo disponível, transformando-o em conhecimento prático e aplicável?
Já no campo das relações pessoais, tudo que nossos filhos supostamente pensam, sentem e vivem está ao alcance de um clique nas redes sociais. Mas isso também tem seus pontos positivos e negativos. Por conta do fluxo intenso e aberto de informações (que os pensadores da modernidade têm definido como “ideias líquidas”), nossos filhos aprendem que não existe verdade absoluta. Suas mentes são treinadas para operar na incerteza, no constante questionamento, o que é importante em meio a tempos de tanta pluralidade e diversidade.
Contudo, essa mesma multiplicidade é responsável por romper com a hierarquização do conhecimento; ou seja, na internet, a opinião de uma pessoa mais experiente tem o mesmo peso da opinião dos nossos filhos. Quando isso é transportado para o dia a dia da família e da escola, reverbera como falta de respeito e de discernimento.
A juventude de hoje, em suma, vive sob a presunção de que o conhecimento que adquirem no mundo virtual será suficiente para navegar no mundo real. Logo, não valorizam a experiência, a prática, o lúdico. Tornam-se extremamente competentes nas esferas tecnológicas, mas esquecem da vida lá fora.
Nossa liderança familiar precisa estar voltada a promover exatamente este olhar: o da tecnologia como uma ferramenta, e não como uma substituição da própria vida.