08/11/2021
Dandara foi símbolo de resistência negra no quilombo em que residia.
Casada com o líder de Palmares, o tão conhecido Zumbi, teve com ele três filhos. Além da certeza de uma destemida guerreira, inspira-se nela a figura de uma mãe cuidadosa e fiel.
Não se sabe ao certo se Dandara nasceu no continente africano ou já no Brasil, mas consta que a história dela com a luta negra começou bem cedo, quando se refugiou no Quilombo dos Palmares em busca de abrigo.
As narrativas sobre sua vida contam que ela ajudou com a caça, a agricultura e a cura dos seus irmãos de quilombo, além de ter organizado a estratégia de muitos embates físicos. Filha de capoeira, Dandara nunca se rendeu e sempre foi aos combates de peito aberto para enfrentar os inimigos.
Dandara nunca foi tão lembrada quanto zumbi, certamente, por traços de uma sociedade que, além de ra***ta, sempre foi machista e sexista.
Dandara foi e é nossa he***na, sua morte não foi em vão. Após várias perseguições, em 1694 o Quilombo dos Palmares sofreu uma invasão organizada pelo bandeirante Domingos Jorge Velho. Depois de uma longa batalha, Macaco, a sede do quilombo, foi totalmente destruída e em 6 de fevereiro desse mesmo ano, Dandara em meio a uma batalha, encurralada à beira de um abismo, se viu com duas opções: voltar à escravidão ou lançar-se à morte.
A guerreira, em um ato de não rendição, se suicidou atirando-se do penhasco. Mostrou a todos que a morte lhe cabia mais do que a prisão.
Com sua imagem e sua história sendo levadas em nomes de músicas e cantigas,
Dandara se formou em altivez, elevando a dignidade de seu povo à liberdade e nos ensinando que a rendição é inaceitável.
Trechos na íntegra de Júlia Rodrigues do livro Narrativas Negras – Biografias Ilustradas de mulheres pretas, construído pelo .negras