24/07/2020
Reposted from Quando uma pergunta tem fundamento ecoa e a resposta também.
Tenho por Ivete Sangalo () profundo respeito, adoro ela e isso não vem de agora. Desde o começo antes dela entrar para a banda Eva, quando ela fez uma apresentação na área verde do Othon. Ivetinha cantava na noite acompanhada por Saul Barbosa e outros violonistas, ela sempre me tratou como maior carinho e alegria brincando com minha timidez. Ela é uma baiana da gema com uma expressão autêntica que conquistou com o seu talento e carisma o coração da gente.
A pergunta que a querida Taís Araújo () fez a Ivete, ressoou e continuará ressoando, porque não é uma questão de negar as conquistas das pessoas, mas traz para a discussão uma prática perversa da indústria musical da e cultural da Bahia e do Brasil. Por que na terra que tem tantos artistas negros de talento e qualidades inegáveis os espaços de projeção não nos contempla? Por que em todas as raras vezes que estamos contemplados não acham que devem nos pagar dentro de um valor equivalente ao nosso legado?. É claro que é um assunto complexo e delicado, não estamos questionando as conquistas alheias e sim, a forma como a indústria trata os artistas negros nos cenários da música popular.
Em todos os estilos da MPB existe esse recorte racial perverso e o que estamos buscando é o equilíbrio justo e necessário. Se a arte afro brasileira fortemente é usada para rotular a identidade da cultura nacional, desde a culinária até as expressões artísticas, precisamos também colher os frutos e os benefícios.
O que já foi, já foi. Agora está nas nossas mãos lutar e agir para remodelar esse formato identificando, mostrando e questionando de forma clara e objetiva essas práticas espúrias que só nos traz sofrimentos e injustiça.
A minha geração de artistas negros da Bahia, construiu um legado sem precedentes para o mercado da indústria musical brasileira, isso é um fato. Em especial com o advento do samba reggae trazidos pelas e suas diversas claves rítmicas, melódicas e refrões eternizados na memória popular e renovando a música pop brasileira.