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Patrono N° 01Padre José Antônio Maria Ibiapina.Infância, formação e início da carreira.José Antônio de Maria Ibiapina (o...
16/02/2026

Patrono N° 01
Padre José Antônio Maria Ibiapina.

Infância, formação e início da carreira.

José Antônio de Maria Ibiapina (originalmente José Antônio Pereira) nasceu em 5 de agosto de 1806, na cidade de Sobral, estado do Ceará. Filho de Francisco Miguel Pereira e Teresa Maria de Jesus, foi o terceiro de oito irmãos, numa família de fazendeiros que enfrentava dificuldades financeiras. Ainda adolescente, teve contato com a realidade da Justiça local, já que seu pai era escrivão, o que despertou nele uma consciência social e uma inclinação para defender os mais vulneráveis.
Em 1823 matriculou-se no seminário de Olinda, porém, por circunstâncias pessoais e familiares, acabou mudando de rumo, ingressando no curso jurídico em 1828 e concluindo seus estudos em 1832. Atuou como professor, advogado, magistrado e, em 1834, foi eleito deputado no Parlamento brasileiro, onde defendeu causas ligadas à justiça para os trabalhadores rurais e aos menos favorecidos.

Vocação missionária e mudanças radicais.

Por volta de 1850, já desgostoso com a vida política e jurídica, Ibiapina tomou a decisão de abandonar sua carreira promissora e dedicar‐se ao sacerdócio. Em 1853 foi ordenado padre. A partir desse momento, sua missão se concentrou no sertão nordestino, onde percorreu regiões dos estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí, pregando, evangelizando e promovendo obras sociais de grande impacto.
Em sua atividade missionária, Ibiapina fundou numerosas capelas, igrejas, açudes, cemitérios e, especialmente, as chamadas “Casas de Caridade”, 22 (vinte e duas) no total — instituições que ofereciam acolhimento, educação, trabalho e assistência à saúde para órfãos e pessoas em situação de vulnerabilidade social. Um dos métodos que utilizava envolvia o trabalho coletivo, tipo mutirão, para construção de infraestruturas essenciais nas comunidades rurais.

O legado no sertão nordestino e reconhecimento.

Devido à sua dedicação de vida aos mais pobres e à prática concreta da fé e da caridade, Ibiapina ficou conhecido como o “peregrino da caridade” ou “Apóstolo do Nordeste”. Mesmo já acometido por uma paralisia progressiva dos membros inferiores em seus últimos anos, manteve sua obra missionária até falecer em 19 de fevereiro de 1883, no município de Solânea, Paraíba.
Em 31 de março de 2025, o Papa Francisco reconheceu oficialmente suas virtudes heroicas, declarando-o “Venerável” no processo de sua beatificação. Além disso, o estado da Paraíba lhe concedeu, em outubro de 2025, o título póstumo de Cidadão Paraibano, em reconhecimento à sua relevante atuação no território da Paraíba.

Relevância para a história de Santa Luzia e região.

As obras de Padre Ibiapina deixaram marcas duradouras nas comunidades do interior nordestino, entre elas a cidade de Santa Luzia, localizada no Vale do Sabugy, onde ele fundou a Casa de Caridade e um açude, no ano de 1863, que ainda hoje leva seu nome. A iniciativa para promover assistência à população pobre, educação e infraestrutura levou à transformação de realidades locais e consolidou-se como um legado de fé, solidariedade e mudança social.
Sua figura inspira a preservação da memória histórica, material e imaterial, da região — mostrando que a missão religiosa, aliada à ação social, pode gerar progresso humano e comunitário de forma sustentável. Para o IHGSL e para os estudiosos da história nordestina, Ibiapina representa a articulação entre o espiritual, o social e o cultural, em um contexto onde a modernidade ainda parecia distante.

No Instituto Histórico e Geográfico de Santa Luzia, quem ocupa a cadeira cujo patrono é o Padre José Antônio Maria Ibiapina é Augusto Karol Marinho de Medeiros.

GENTE E FATOS DO SABUGYFELIPE EMÍDIO DE MEDEIROSFelipe Emídio de Medeiros (foto 01) nasceu em Santa Luzia, no dia 13 de ...
13/02/2026

GENTE E FATOS DO SABUGY
FELIPE EMÍDIO DE MEDEIROS

Felipe Emídio de Medeiros (foto 01) nasceu em Santa Luzia, no dia 13 de setembro de 1886, filho de Joaquim Estanislau de Medeiros e Antônia Maria de Jesus. Foi o nono filho de uma prole de 12 filhos. Eram seus irmãos: Manoel Emiliano, Zezé Francisco Leandro, Tobias, Cristina, Maria da Paz, Joaquim, Berto, Antônio, João Maurício e Vina.
Formou-se em Direito em 1908 pela Faculdade de Direito do Recife-PE, sendo colega de turma do paraibano José Américo de Almeida (Foto 02).
Graduado, foi cumprir o seu ofício no Estado das Minas Gerais (Foto 03), onde exerceu a magistratura em Juiz de Fora, Carmo do Parnaiba e Patos de Minas.
Enquanto estava no Sudeste, escrevia constantemente para seu irmão Manoel Emiliano, onde demonstrava a preocupação com a estiagem, a escassez de água e a seca no Sertão Nordestino. Temas como a transposição do Rio São Francisco e a construção de um Açude grande em Santa Luzia estavam entre os principais assuntos de suas cartas (Foto 04).
Voltou em definitivo à Paraíba em meados da década de 1910, onde foi Juiz de Direito e Inspetor Escolar nas cidades de Araruna, Santa Luzia e Catolé do Rocha, onde faleceu.
Era um homem rigoroso na sua profissão, cobrando dos pais a frequência dos filhos na escola, ao ponto de investigar se meninos que ele encontrasse brincando ou perambulando pelas ruas, estavam faltando às atividades escolares.
Mas, a fatalidade privou à Paraíba por muitos anos de ter um jurista capacitado, disciplinado, rigoroso e preocupado com a educação.
Ele faleceu no dia 30 de abril de 1934, solteiro, aos 47 anos, vítima de Febre Tifóide. Seu corpo foi sepultado em Catolé do Rocha em cova com 14 palmos de profundidade. Neste local existe hoje uma Praça na cidade de Catolé do Rocha (Foto 06).
Em Santa Luzia foi proprietário do Sítio Cacimba de Pedra, recebida por herança, nas imediações do cemitério público da cidade.
Em sua homenagem, a rua que margeia o Açude que ele tanto sonhou, tem o seu nome.

FOTOS:
Foto 01 – Felipe Emídio de Medeiros
Foto 02 - Na terceira fila de cima para baixo e da esquerda para a direita:
Juiz Felipe Medeiros (terceira posição) e José Américo de Almeida (quinta posição).
Foto 03 - Felipe Medeiros, é o quarto da esquerda para a direita.
Foto 04 - Cartas para o irmão Manoel Emiliano.
Foto 05 - Juiz Felipe Emídio de Medeiros (o primeiro à direita), enquanto exercia a magistratura em Santa Luzia PB. Na fotografia no centro, o Presidente da Paraíba João Suassuna e sua esposa dona Ritinha.
Foto 06 - Túmulo do Juiz Felipe Medeiros (1934), Catolé do Rocha PB.

BIBLIOGRAFIA:
MEDEIROS, Bartolomeu (Barto). Antes que o Tempo Destrua à Lembrança (2008).
Comissão Histórica – 1998. Dos Mesas aos Filhos de Quinca Berto.

Renato Romero de Medeiros.
Sócio do IHGSL - Cadeira N° 19.

Endereço

Rua Jovino Machado, N° 112
Santa Luzia, PB
58000-600

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