25/04/2022
ATENÇÃO! Proibido Para Pessoas Sensíveis
Descobrimento do Brasil/ descobrimento pra quem?
Território que hoje conhecemos como Brasil, já fora batizado como Pindorama (pelos Tupis-guaranis), Terra de Santa Cruz, Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, e por último, a “orgulhosa” República Federativa do Brasil.
Assim que as 13 caravelas, ao comando do fidalgo Pedro Alvares Cabral, que haviam saído de Lisboa no dia 09 de março de 1500, se atracaram na costa do Estado que hoje conhecemos como Bahia, no dia 22 de abril de 1500, a primeira impressão que os europeus tiveram sobre os moradores do "novo mundo" foi:
“A linguagem de que usam, por toda a costa, carece de três letras; convém a saber, não se acha nela F, nem L, nem R, coisa digna de espanto, porque assim não tem fé, nem lei, nem Rei, e essa maneira vivem desordenadamente, sem terem além disso conta, nem peso, nem medida. (GANDAVO, 1576, p.70 – 71)”.
Contextualizando
Para muitos é motivo de asco ou lamentação a data de 22 de abril, digo-vos que de forma alguma é um momento de tristeza para a América. Poderia dizer que foi apenas um acontecimento histórico, só que estaria encobrindo toda realidade porque além de ter sido um acontecimento histórico, isso interferiu diretamente sobre a existência do Brasil como ele é. Não só do Brasil, mas de toda América. Para termos uma noção do bravo povo que descobriu e conquistou ou colonizou o território que hoje conhecemos como Brasil, precisamos retroceder um pouco antes de 1500, retrocedendo iremos contemplar seus feitos e perceber que tais também tiveram suas virtudes, virtudes como: de expulsar os mouros (mulçumanos) do seu território (teve início no século X), de conquistar sua independência e ser reconhecido como Reino de Portugal (no ano de 1139) e seus investimentos nas grandes navegações (a partir do ano 1415). Sem esses pormenores não teríamos a existência, não existiria o Brasil territorial como ele é, e o Gigante do Sul não teria vindo a vida.
América x “Mundo”
Enquanto o resto do mundo já havia encontrado a fundição dos minérios; enquanto no ocidente era discutido a filosofia, liberdade, democracia, deuses e mitos; enquanto o restante do mundo descobria a matemática, geometria, geografia; enquanto na África os egípcios elaboravam obras de estruturas gigantescas, enquanto na África (Alexandria) havia uma das maiores bibliotecas que o mundo já havia visto; enquanto os chineses já haviam elaborado obras tão grandes, se não maiores, que as do Egito, enquanto os chineses já haviam criado a pólvora; enquanto Roma discutia e criava o direito romano; enquanto tudo isso acontecia, do outro lado do mundo existia “um povo” que nem ao menos haviam criado a roda, ou um modo de vida sedentário, eram tudo seminômades. Bom, enfim... na américa não existia um povo, uma ideia de país ou território, não existia uma ideia geográfica, o que de facto existia aqui eram povos aborígenes que em geral existiam mais de 218 etnias diferentes. Povos esses que acreditavam (alguns ainda acreditam) em ideias e práticas bem rudimentares de convivência em grupo, como por exemplo: enterravam seus bebês que nascessem gêmeos ou com qualquer deformidade ( infanticídio); praticavam a antropofagia (cozinhavam a carne humana para o consumo em um ritual macabro onde eles diziam que ao ingerir a carne, tomavam pra si a virtude ou a força de seu rival); o canibalismo (comiam carne humana por puro prazer); entregavam gente de sua própria gente como escravos para conseguir objetos que para eles eram valorosos (...)
Não há uma conclusão exata sobre a quantidade de aborígines que existiam por aqui, mas dá pra ter uma equivalência que ficaria entorno de 800 mil a 6 milhões antes da chegada dos europeus, vale ressaltar novamente que, não eram um só povo, eram povos que viviam em pé de guerra desde sempre entre si. Inclusive, o povo tupi (que eram diversos: Goitacazes, aimorés, Tremembé ...), estariam ocupando o território que anteriormente pertenciam aos sambaquis. Ou seja, meus amigos, na história do território em que conhecemos hoje como Brasil, não existe mocinhos ou anjinhos, o que existe na história é: o leão mais forte devorando o mais fraco.
Primeiro contato
Os primeiros encontros entre portugueses e aborígenes foram mais ou menos amistosos (teve um padre ou outro europeu morto, cozido e comido, mas nada de muita importância). E desde já, houve trocas de objetos e trocas de interesses; da parte de Portugal, o que interessava eram as riquezas que a terra produzia, e, futuramente, a mão de obra escrava; da parte dos ameríndios de linguagem tupi, queriam, além de objetos vindos do mundo desconhecido (lembrem-se, os ameríndios não conheciam se quer a roda, ou o espelho, não sabiam o que era um machado de ferro), acharam um bom aliado contra seus inimigos de tribos rivais. Podemos dizer que, no encontro entre os dois mundos houve nada mais nada menos que trocas de interesses como qualquer outro negócio do mundo afora, inclusive como nos dias de atuais.
Finalizando
Entre confrontos, alianças, mortes, escravidão, e muito, mas muito sangue nasceu o que conhecemos hoje como Brasil. Mas antes que os insensíveis digam ou se envergonham pelo modo que viemos e passamos a existir, digo-vos que: não há uma nação se quer que tenha nascido sem derramamento de sangue, sem lutas, sem guerras e sem vitórias, sem identidade como nação. Os índios foram importantíssimos para a construção do nosso país, seja como mão escrava, seja como soldados ou na formação dos bandeirantes. Os índios colaboraram de forma efetiva para a defesa e a expansão territorial do nosso país, inclusive foram decisivos contra invasores externos e inimigos internos (contra os próprios ameríndios, nada amistosos com os portugueses).
Sem dúvidas que, depois de todo esse contexto a gente consiga desvendar a frase: “descobrimento pra quem?” Meus nobres, como podemos perceber o descobrimento foi para ambos os mundos e não só para os europeus, esse fato trouxe benesses para ambos, tanto para o mundo americano quanto para o mundo europeu. Lógico que o povo europeu teve mais benesses, mas não podemos deixar de pôr em conta que, todos os índios que foram favoráveis aos europeus, tiveram suas vidas impactadas de forma mais para o bem que para mal. Principalmente nos dias de hoje, objetivamente falando das revoluções tecnológicas e científicas que o resto do mundo moderno descobriu ou inventou que abraça e atinge diretamente tanto os descendentes de índios que vivem na sociedade ocidental quanto dos índios que permanecem nas matas, os que preferem permanecer vivendo com o tipo de vida ortodoxa de seus antepassados, mas que não deixam de usufruir nada daquilo que é elaborado pela sociedade desenvolvida.
Só para encargo de conhecimento. Fizeram uma pesquisa sobre os descendentes de ameríndios através de um exame que descobriria através da mitocôndria a quantidade de descendentes dos ameríndios que teríamos hoje vivendo em sociedade. Segundo essa pesquisa, existem quase 20 milhões de descendentes dos ameríndios, da época de Cabral, vivendo em sociedade. Ou seja, suponhamos que a quantidade de ameríndios fosse a superestimada de 6 milhões, podemos dizer que a quantidade quase quadruplicou. Esses viveram, se misturaram e se multiplicaram em sociedade se caracterizando como realmente é o povo brasileiro, porque essa é a nossa característica, mistura entre povos dos três continentes: americano, africano e europeu! Essa é a nossa identidade, isso é o que nos faz grandes, desculpem-me, grandes não, GIGANTES!
Deus salve o Brasil