04/07/2016
“A CARNE MAIS BARATA DO MERCADO É A CARNE NEGRA”
“Mas mesmo assim
Ainda guardo o direito
De algum antepassado da cor
Brigar sutilmente por respeito
Brigar bravamente por respeito
Brigar por justiça e por respeito
De algum antepassado da cor
Brigar, Brigar, Brigar...”
Segundo dados do mapa da violência (nas suas edições de 2011 e 2012) publicado pela UNESCO, no ano de 1997 o índice de mortes era de 30 em 100 mil jovens; no ano de 2011 o número cresceu para 52. O mapa traça ainda o perfil racial desses jovens assassinados, demonstrando que os homicídios de jovens negros é 250% maior do que o de jovens brancos.
No mesmo ano da publicização desses dados o STF decidiu por unanimidade que as cotas são constitucionais.
É nesse cenário que a juventude negra adentra em maior quantidade as universidades públicas e privadas no Brasil. Enfrentando de peito aberto uma nova seara, que reserva experiências violentas e até mesmo letais, uma vez que sabidamente esse espaço se sofistica no exercício de expelir tal povo.
Dentro e fora dos muros das universidades o povo negro é alvo de investidas violentas com intenções finais nitidamente letais. Frente aos recortes de sexualidade e gênero a seletiva racial acentua a violência e morte sofrida por LGBTTIs e mulheres.
Com a convicção de que há um projeto GENOCÍDA CONTRA O POVO NEGRO de alta intensidade em curso, imputado por diversas frentes, destacamos a condição de negro, gay, oriundo do norte do país e estudante de letras, Diego Vieira Machado, que se tornou o primeiro estudante espancado a pauladas e morto dentro do Campus do Fundão na UFRJ.
SIM, O PRIMEIRO, pois o email que saiu no dia 20/05/2016 pela via de contatos do SIGA, sistema interno de comunicação e notificação da UFRJ, ameaçou investir na caça aos bolsistas (cotistas) desta universidade.
Entendemos que NÃO HÁ POSSIBILIDADE de retomar as aulas e ignorar, negligenciar, se omitir frente ao fato irreversível da morte do nosso irmão Diego Vieira, reproduzindo a naturalização da morte violenta do corpo da pessoa negra, se esquivando com quatro linhas de pesar.
Certos da ínfima habilidade da instituição e suas instancias, inclusive as de representação tradicional discente, em prevenir e conduzir casos que envolvem crimes de ódio (racismo, machismo, homofobia...), o usufruto desonesto e desautorizado da identidade e trajetória do nosso irmão, para auto promoção e incertos quanto a política de segurança que poderá ser imputada com potencial de acentuar ainda mais a criminalização desses grupos, sobretudo as pessoas negras, declaramos nos sentir sob profunda ameaça e EXIGIMOS:
• Que seja decretado oficialmente um dia de LUTO na UFRJ;
• Que esse período de LUTO seja aproveitado para a formulação de ações concretas em direção a plena segurança de TODOS OS PERFIS que compõe a comunidade universitária, a começar por fomentar um espaço urgente e efetivo de ESCUTA!!!!