A EMEF Nossa Senhora da Soledade através formação permanente das profissionais de educação relacionada à Educação do Campo, busca embasamento para promover a aprendizagem como ato de aprender que é um processo dinâmico, integrado e centrado nas relações cognitivas, provocando a transformação do indivíduo com o meio em que vive, uma vez que o mesmo constrói um sentido próprio para um objeto do conh
ecimento já existente. Os alunos não dominavam os conteúdos desenvolvidos pelas professoras, diga-se de passagem, através de aulas expositivas e planejadas sob a lógica da seriação, mesmo que as turmas da escola sejam multisseriadas. Os alunos, então, permaneciam apáticos perante as atividades, com a obrigação de decorar conceitos para, através de avaliações pouco eficazes, pensarem que tinham aprendido, mas esquecendo-se logo depois o que fora estudado. Assim, este processo de ensino-aprendizagem totalmente falho era, de forma ilusória, validado como eficaz. Neste sentido, consideramos que o mundo das crianças do campo, está muito vinculado ao trabalho produtivo, diferentemente das crianças da cidade, onde os pais trabalham longe de casa. No campo, o ambiente de trabalho é geralmente familiar, doméstico. As crianças crescem inseridas, direta ou indiretamente, no mundo do trabalho dos pais. Por isso, no campo não há infância em si, mas experiências concretas de vida e a escola não deve ser apenas um espaço físico definido pelos limites de sua construção, mas sim um espaço social, cuja ação se amplia para além de seus muros. O tempo de aprendizagem escolar também não pode ser pensado apenas como o tempo em sala de aula, mas ampliado e articulado com as atividades da comunidade e da família. A escola, portanto, deve um espaço de convivência, desenvolvimento e aprendizagem na e para a vida, atuando como dinamizadora e mobilizadora social e cultural, polo de valorização de diferentes saberes locais e de difusão científica da sua comunidade. Esta convicção é uma das maiores contribuições que tivemos a partir da formação ocorrida sobre Educação no Campo e esta postura político-metodológica nos possibilitou a consciência de que a construção de conhecimentos novos não ocorre necessariamente de forma linear, nem sua aprendizagem é um processo mecânico de acúmulo de informações “depositadas” sobre os estudantes (concepção presente nos métodos antigos de ensino). Deste modo, a partir dos estudos realizados, buscamos de forma gradativa e muito consciente, mudar a metodologia utilizada nas aulas, realizando algumas ações determinantes para possibilitar a construção de conhecimentos significativos por parte das crianças, além de valorizar os diferentes saberes de seu povo, comunidade, família, contribuindo para sua identificação cultural, social e política. Assim, passamos a buscar metodologias de organização do trabalho pedagógico coerentes com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento infantil em variados aspectos, não apenas no cognitivo e passamos a planejar as atividades em conjunto, organizando o planejamento por Temas ou Projetos decorrentes de assuntos ou problemas vinculados a comunidade. Assim, ora organizados em grupos homogêneos (de acordo com o nível de cada aluno) ou heterogêneos (favorecendo a inclusão e o aprendizado múltiplos), ora individualmente, mas de forma que o atendimento prestado não seja realizado na perspectiva do isolamento, os alunos pesquisam, estudam, aprofundam seus conhecimentos, solucionam desafios e produzem materiais relacionados a relevantes temas de sua vida cotidiana, além de estimulados a proporem ações concretas que possam entender e aplicar para além dos muros escolares, para que possam interagir na comunidade e trazer para dentro do espaço físico escolar as vivências políticas e experiências culturais de sujeitos diversos. Estas atividades estimulantes contribuem para a integração entre ações concretas e reflexão sobre os conhecimentos, experiências escolares e extraescolares, desenvolvendo a educação de caráter emancipatório e transformador que se configura como uma postura crítico-investigativa diante da realidade e do conhecimento. Este é o início de um grande desafio e um longo processo, onde devemos assumir a responsabilidade que nos é atribuída de não “darmos aula” apenas para nos enganarmos de que estamos desempenhando nosso trabalho e sim, encarar o compromisso de contribuir para a real e significativa aprendizagem dos alunos realizando movimentos constantes entre prática social e reflexão, comunidade e escola, proporcionando que as crianças elevem o conhecimento que já possuem e aprofundem conceitos sobre sua realidade.