08/26/2026
You're never too old to learn new skills. Please take a moment to read this wonderful story from our friend and peer.
A ARTE NA IDADE DA VELHICE
O meu nome é Ricardina Nogueira, tenho 86 anos e sempre pensei que não tinha muito jeito para desenhar. Por isso, quando me inscrevi numa aula de pintura na Casa do Alentejo, não foi para ser artista; foi mais para sair de casa, distrair-me e conviver um pouco.
Quando cheguei, começaram a dar-nos uns papéis para desenhar raminhos de flores e outras coisas que não me encantaram. Olhei para aquilo e pensei: “Isto não é para mim. Vou desistir das aulas!” Mas depois pensei: “Então eu não quero sair de casa, estar com outras pessoas e conviver?” Decidi ficar e foi o melhor que eu fiz!
Agora, ao fim de cinco semanas, até já gosto de pintar. Aprendi a gostar, sobretudo porque a professora tem muita paciência connosco e todas as semanas prepara uma atividade diferente.
Continuo a achar que não tenho muito jeito, mas ela ensina muito bem e ajuda-nos muito. Às vezes, depois de terminar um trabalho, olho para ele e fico admirada: “Fui eu mesma que fiz isto?”
O curso chegou ao fim, mas em setembro já me inscrevi para continuar com a pintura e também para aprender cerâmica. Além disso, já vinha à Casa do Alentejo aprender ponto de Arraiolos, de que gosto imenso.
O meu marido já não sai muito de casa, porque tem alguns problemas de respiração, mas não se importa que eu venha às atividades. Antigamente vínhamos muitas vezes juntos à Casa do Alentejo. Agora já não conseguimos conduzir à noite e, como as festas são quase sempre à noite, não podemos participar como dantes. Estas atividades são durante o dia e, por isso, ainda consigo vir.
Tenho pena de ver que muitas das pessoas mais velhas que antigamente tinham tanto gosto em vir à associação, deixaram de aparecer devido aos horários. É importante haver atividades durante o dia, que nos permitam continuar a sair de casa, aprender e conviver.
Aos 86 anos, descobri que nunca é tarde para aprender uma coisa nova. E, afinal, talvez eu tenha mesmo algum jeito para a arte. Até eu gosto!
Por: Manuela Marujo