10/06/2026
Portugal celebrou a amizade em Madrid
Madrid recebeu esta segunda-feira, dia 9 de junho, as comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. No auditório do Museu Reina Sofía, perante representantes dos governos dos dois países, corpo diplomático, empresários, artistas e membros da comunidade portuguesa, o Embaixador José Augusto Duarte escolheu uma palavra pouco habitual para falar de política externa: amizade.
Ao longo da sua história, afirmou o Embaixador, Portugal aprendeu que a independência nunca significou isolamento. E que a capacidade de construir alianças faz parte da própria identidade do país. A intervenção transformou-se numa homenagem à relação entre Portugal e Espanha.
Portugal, lembrou, é uma das nações mais antigas do mundo. Há mais de novecentos anos que vive com as mesmas fronteiras, debatendo-se com as mesmas perguntas sobre identidade, sobrevivência e futuro.
Portugal só existe porque sempre teve consciência dos seus limites, enfatizou o Embaixador. Porque percebeu cedo que as suas ambições eram maiores do que os seus recursos. E porque compreendeu que, para sobreviver, não bastava ter exércitos, território ou riqueza. Era preciso ter aliados.
A amizade surgiu, no discurso, mais como estratégia do que como sentimento, mais como inteligência política do que como emoção. A tese não é nova na história portuguesa. A mais antiga aliança diplomática do mundo continua a ligar Portugal ao Reino Unido. A construção europeia tornou-se uma das grandes apostas da democracia portuguesa. E a relação com Espanha vive um dos períodos mais sólidos de sempre.
Ainda assim, é raro ouvir esta ideia formulada de forma tão generosa e original.
José Augusto Duarte recordou a cooperação entre Lisboa e Madrid durante as tempestades que atingiram Portugal no início do ano, agradecendo publicamente à vice-presidente do Governo espanhol, Sara Aagesen, e à ministra portuguesa Maria da Graça Carvalho o trabalho desenvolvido na gestão dos caudais dos rios internacionais.
Evocou também o Duque de Alba, Carlos Fitz-James Stuart, pelo apoio à divulgação da cultura portuguesa em Espanha, através da exposição de Joana Vasconcelos no Palácio de Liria e da cedência daquele espaço para a celebração do Dia de Portugal em 2025.
Quando o mundo parece regressar à linguagem das esferas de influência, das tarifas e das fronteiras, o Embaixador português recordou uma velha intuição nacional, a de que os países pequenos sobrevivem menos pela força do que pela inteligência com que escolhem os seus amigos. É uma excelente definição para Portugal. E talvez ajude a explicar porque continua a existir, quase nove séculos depois, um país que tantas vezes pareceu demasiado pequeno para as ambições que nunca deixou de ter.
Fotografias: RUI OLIVEIRA