10/08/2026
【Sala da Yumi】
“Os desafios de trabalhar no Japão sem ser funcionário efetivo (Seishain)”
No Japão, muitos dos trabalhadores estrangeiros trabalham em empregos sem serem funcionários efetivos.
Na postagem de hoje da [Sala da Yumi], quero refletir com vocês sobre os problemas relacionados ao trabalho que nós, estrangeiros enfrentamos trabalhando no Japão.
Trabalhar sem ser funcionário efetivo possui alguns aspectos positivos, como maior flexibilidade, mas também apresenta desafios.
Por exemplo, quando a situação financeira de uma empresa piora ou ocorre uma grande crise econômica, funcionários temporários (Haken Shain) e funcionário contratados (Keiyaku Shain) poderão ser os primeiros a terem os seus contratos encerrados ou perderem os seus empregos.
Na verdade, eu trabalho na Prefeitura de Inuyama desde a época da crise financeira de 2008 (crise dos Lehman Brothers).
Ainda me lembro bem como, naquela época, muitos trabalhadores estrangeiros foram demitidos por suas empreiteiras de trabalho temporário (Hakengiri), o que tornou a vida deles extremamente difícil.
As pessoas que não eram funcionários efetivos foram as primeiras a perderem o emprego, e houve muitas famílias em que ambos os cônjuges ficaram desempregados, enfrentando dificuldades financeiras. Além disso, não foram poucos os que, por não conseguirem encontrar um novo emprego no Japão, tiveram que voltar para seus países de origem.
No entanto, esse problema não se limita a apenas estrangeiros.
Há também os japoneses conhecidos como a "Geração da Era do Gelo em Busca de Emprego" (Shuushoku Hyougaki Sedai). Essa geração se refere às pessoas que se formaram entre 1993 a 2004. Durante esse período, e as empresas não contratavam muitos funcionários efetivos novos.
Por isso, mesmo depois de se formarem em escolas técnicas ou universidades, muitas pessoas não conseguiram se tornar funcionários efetivos e acabavam trabalhando como funcionários temporários (Haken Shain) ou em empregos de meio período (Arubaito).
Atualmente, a "Geração da Era do Gelo em Busca de Emprego" (Shuushoku Hyougaki Sedai) já tem mais de 50 anos de idade. Mesmo hoje, muitas pessoas dessa geração ainda têm dificuldades para conseguir trabalhar como funcionários efetivos, e isso se tornou um dos problemas sociais do Japão.
Além disso, no trabalho como empregado não efetivo (não regular), muitas vezes não há bônus nem indenização de aposentadoria, e a tendência é que a renda acumulada ao longo da vida seja menor quando comparada à das pessoas que trabalham como funcionários efetivos.
Por outro lado, os funcionários efetivos, de modo geral, à medida que acumulam 5,10 anos de experiência, vão tendo seus salários e cargos aumentados gradualmente.
E, quando chegam por volta dos 40 anos, não é raro que surjam uma grande diferença de renda entre os funcionários efetivos e os trabalhadores com empregos não regulares.
Nas idades de 40 e 50 anos também são períodos em que muitas famílias têm filhos entrando no ensino médio ou na universidade, sendo uma fase da vida em que é necessário gastar bastante dinheiro, principalmente com educação.
É justamente por isso que, desde jovem não devemos pensar apenas no "salário de hoje", mas também considerar "como estaremos daqui a 10 ou 20 anos". É claro que ser funcionário efetivo não é a melhor opção para todas as pessoas.
Algumas pessoas, levando em consideração suas circunstâncias familiares e seu estilo de vida, escolhem por vontade própria uma forma de trabalho diferente de ser funcionário efetivo.
O mais importante não é decidir qual tipo de trabalho é melhor. O importante, na minha opinião, é conhecer as vantagens e desafios de cada forma de trabalho e fazer uma escolha pensando no próprio futuro.
Eu também vim para o Japão na década de 1990 como trabalhadora imigrante temporária, sem praticamente saber japonês.
Naquela época, quase não havia outra opção além de trabalhar por meio de empresas de trabalho temporário, e era uma época em que era extremamente difícil se tornar um funcionário efetivo.
Além disso, muitas pessoas precisavam enviar dinheiro para suas famílias que estavam em seus países de origem. Por isso, havia muitas pessoas que precisavam escolher “um trabalho que pagasse um salário maior imediatamente”, em vez de “um trabalho em que o salário aumentasse gradualmente no futuro”.
Por isso, naquela época, acredito que, para muitos estrangeiros, trabalhar por meio de uma empresa de trabalho temporário (empreiteira/agência de recrutamento) trazia grandes vantagens.
No entanto, os tempos mudaram.
Cada vez mais, os nossos filhos e netos estão nascendo e crescendo no Japão.
É justamente por isso que espero que as próximas gerações, se tiverem a oportunidade de escolher, compreendam bem as vantagens e os desafios tantos de ser funcionário efetivo quanto o de não ser funcionário efetivo e, levando em consideração a aposentadoria, os bônus e também a possibilidade de construir uma carreira por meio do trabalho, escolham o caminho que melhor se adaptem a elas.
Muitos de nós, da primeira geração de imigrantes, vivemos em uma época com poucas oportunidades de escolha. Muitos trabalhadores estrangeiros que vieram para o Japão não conseguiram emprego fixo por não entenderem japonês.
Consequentemente, muitos que trabalhavam por meio de empresas de trabalho temporário não estavam inscritos no Seguro Social (Shakai Hoken). Além disso, alguns também não contribuíam para o Sistema Nacional de Aposentadoria (aposentadoria pública). Hoje, essas pessoas estão idosas e, como recebem uma aposentadoria muito baixa, muitas enfrentam dificuldades para sobreviverem. Essa questão é frequentemente abordada na televisão e nos jornais como um dos principais problemas sociais do Japão.
É justamente por isso que espero que a próxima geração passe por menos dificuldades do que nós. Ficarei muito feliz se este artigo puder ajudá-los, nem que seja um pouco.
Daqui para frente, vamos continuar refletindo juntos, pelo Facebook, sobre os problemas e desafios enfrentados pela comunidade estrangeira.