06/09/2026
COMUNICADO
Até quando têm os doentes oncológicos do Alentejo de fazer centenas de quilometros para receber os tratamentos?
RADIOTERAPIA SUSPENSA HÁ 3 MESES NO HOSPITAL DO ESPÍRITO SANTO
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A Comissão Coordenadora Distrital de Évora do Bloco de Esquerda manifesta enorme preocupação quanto à situação dos doentes oncológicos submetidos a tratamentos de Radioterapia que, para além das dificuldades físicas e psicológicas que a doença lhes impõe, se vêm obrigados, há meses, a deslocações para poder receber os tratamentos essenciais à sua condição, sem que, de forma clara e transparente, seja prestada informação pública sobre a reabertura da Unidade de Radioterapia do Hospital do Espírito Santo.
Desde 1 de Junho, com o encerramento do serviço de Radioterapia do Hospital do Espírito Santo de Évora, centenas de doentes oncológicos continuam a ser obrigados a deslocações de muitos quilómetros para poderem prosseguir os tratamentos de radioterapia, em Santarém, Faro ou Lisboa, primeiro por força da renovação de equipamento e agora, aparentemente, por problemas na operação.
Com efeito, a ULSAC- Unidade Local de Saúde do Alentejo Central suspendeu temporariamente os tratamentos de Radioterapia para proceder à substituição dos dois equipamentos de tratamento e dos aceleradores lineares, investimento público ao abrigo do PRR, estimado em 4 milhões de euros, pese embora o serviço de Radioterapia estar concessionado há anos à Joaquim Chaves Oncologia S.A.
Em paralelo, já em Fevereiro de 2026, a ULSAC tinha lançado um novo concurso para nova concessão do Serviço de Radioterapia, por 4 anos prorrogável por mais um, no montante de 18.658.209,00 Euros. Este concurso, a que concorreu também a Joaquim Chaves SA, foi ganho pela Altrys Portugal, empresa de origem espanhola, que já anteriormente havia tido a concessão deste serviço.
Ao que se sabe, o concurso terá acabado por ser anulado, alegadamente pelo Tribunal de Contas, sem que se conheçam os fundamentos de tal anulação.
Por outro lado, é preciso que os postos de trabalho dos técnicos de radioterapia sejam assegurados. Os trabalhadores e trabalhadoras da Unidade, apesar de até agora não terem visto afectado o seu contrato de trabalho com a Joaquim Chaves SA, também não sabem o que o futuro próximo lhes reserva.
Como o Bloco de Esquerda há anos vem defendendo e como a experiência ao longo dos anos vem demonstrando, a concessão a privados dos tratamentos de radioterapia aos doentes oncológicos do Alentejo não dá garantia de que a Unidade de Radioterapia do Hospital do Espírito Santo cumpra sem sobressaltos a sua função nem dá aos doentes oncológicos e famílias a tranquilidade que é exigida nesta fase tão difícil das suas vidas.
A Comissão Coordenadora Distrital de Évora do Bloco de Esquerda insta, pois, o Senhor Presidente do Conselho de Administração da ULSAC a que promova a reabertura da Unidade de Radioterapia do Hospital do Espírito Santo, adoptando as necessárias medidas para que a ULSAC cumpra de forma autónoma as suas responsabilidades na prestação dos cuidados de radioterapia e que, de forma transparente, informe doentes, trabalhadores e publico em geral das medidas que pretende adoptar.