10/07/2026
A 10 de Julho de 2004 faleceu em Lisboa, com 74 anos de idade, a abrantina Maria de Lourdes Pintasilgo, engenheira química e primeira-ministra do V governo constitucional de Portugal.
Depois da Revolução do 25 de Abril de 1974, foi nomeada secretária de Estado da Segurança Social no I Governo Provisório. Foi ministra dos Assuntos Sociais nos II e III Governos Provisórios, entre 17 de julho de 1974 e 25 de março de 1975.
O programa de acção que concebeu para aquele Ministério mereceu a classificação de programa-modelo, por parte do Secretariado do Desenvolvimento Social para a Europa da ONU. Introduziu, no programa daquele ministério, a aplicação do princípio da universalidade das prestações sociais do Estado. Entre maio e setembro de 1975, foi ainda designada membro-eleito do Conselho de Imprensa.
Em 1 de maio de 1975, retomou a presidência da Comissão da Condição Feminina, permanecendo em funções até à tomada de posse como embaixadora junto da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), em 8 de agosto de 1975.
Permaneceu como embaixadora delegada de Portugal junto da UNESCO (Paris) até 1979, embora administrativamente tenha conservado o cargo até 27 de maio de 1981. Foi eleita, por quatro anos, membro do Conselho Executivo da UNESCO, por proposta dos países ocidentais, durante a Conferência Geral de 1976, realizada em Nairobi, pelo reconhecimento das suas capacidades na resolução de problemas difíceis e pelo seu conhecimento profundo em matérias como ciência, educação e cultura.
Em 19 de julho de 1979, foi indigitada pelo então Presidente da República, general António Ramalho Eanes, para chefiar o V Governo Constitucional (1 de agosto de 1979 a 3 de janeiro de 1980), um governo de gestão incumbido de preparar as eleições legislativas intercalares marcadas para 2 de dezembro desse ano. Ao aceitar desempenhar aquelas funções, tornou-se a primeira mulher portuguesa a assumir o cargo de chefe do Governo.
Foram características da sua acção governativa, nas palavras de um historiador, uma liderança dialogante, bem como a manifesta preocupação de justiça social que trespassou a produção legislativa daquele período.
Em 1980, apoiou a candidatura do general Ramalho Eanes à Presidência da República. Entre 1 de outubro de 1981 e 1 de fevereiro de 1985, exerceu funções como consultora do Presidente António Ramalho Eanes, gerindo durante essa época o dossier Timor-Leste.
Dotada de um estilo carismático, foi dinamizadora de importantes movimentos sociais e cívicos, resultantes da sua preocupação com o aprofundamento da democracia. De nomear, entre outros: a Rede de Mulheres (1980-1986), a Plataforma Inter-Grupos, o Movimento para o Aprofundamento da Democracia (MAD), surgido entre 1982 e 1985, e a Plataforma Europeia para o Ambiente.
Foi candidata independente às eleições presidenciais de 1986, as mais competitivas e polarizadas do regime democrático português, onde pela primeira vez os candidatos eram civis e já não militares. Sem o apoio de qualquer máquina partidária e gozando do prestígio que recolhera enquanto primeira-ministra, formalizou a sua candidatura em 9 de dezembro de 1985 com cerca de 15 000 assinaturas e surgia como a candidata mais bem posicionada nas sondagens, recolhendo elevadas percentagens das intenções de voto.
Todavia, na primeira volta foi preterida em face dos candidatos de esquerda dotados de apoios dos partidos políticos. Os resultados eleitorais traduziam o triunfo dos aparelhos partidários sobre as apostas singularizadas, penalizando fortemente aquela que havia sido a candidatura mais personalizada, a sua, com 7,4% dos votos. Entre 1987 e 1989, foi deputada ao Parlamento Europeu, na qualidade de independente integrada no Grupo Socialista.
Assinala-se hoje o 22º Aniversário do seu falecimento. Os abrantinos não a esquecem e inspiram-se no seu exemplo cívico e político.
Fonte: Wikipédia