08/09/2026
Biometano nas Marés:
Não podemos começar a contar a história apenas quando o problema já está à porta.
Há uma coisa que, enquanto vereador da Câmara Municipal de Alenquer, considero que deve ser dita com toda a clareza a discussão sobre a unidade de biometano nas Marés não começou agora, nem começou com o atual parecer desfavorável da Câmara.
O problema começou muito antes.
Começou quando foi apreciado e aprovado o Pedido de Informação Prévia (PIP) que abriu caminho à possibilidade de instalação daquela unidade naquele local.
E é precisamente aí que devemos começar a fazer as perguntas difíceis.
Quem decidiu?
Em que condições?
Que informação existia nessa altura?
Que avaliação foi feita sobre os impactos para a população?
E, sobretudo, que conhecimento teve a população quando essas decisões foram tomadas?
Não podemos agora agir como se todo este processo tivesse surgido ontem e como se a Câmara estivesse simplesmente a reagir a uma decisão que lhe caiu no colo.
A questão essencial é perceber o que foi feito no início do processo e quais foram as consequências dessas decisões para aquilo que hoje ainda pode ser decidido.
É também por isso que considero insuficiente apresentar à população apenas um parecer desfavorável da Câmara como se esse documento, por si só, resolvesse a questão.
Não resolve.
Se o processo continuar a depender de outras entidades e, nomeadamente, da avaliação da APA, então temos de ser absolutamente transparentes sobre aquilo que está em causa.
Um parecer desfavorável da Câmara é uma posição política e administrativa importante.
Mas, se posteriormente a entidade competente em matéria ambiental emitir uma decisão favorável, a margem de intervenção do município poderá ficar significativamente reduzida, dependendo naturalmente da fase concreta do procedimento e das decisões administrativas já tomadas.
E é aqui que não podemos criar falsas expectativas.
Não vale a pena dizer às pessoas que está tudo resolvido quando sabemos que o processo é mais complexo.
Não vale a pena apresentar uma posição desfavorável da Câmara como se fosse uma garantia de que a unidade não será construída.
As pessoas têm direito à verdade.
Têm direito a saber o que foi aprovado, quando foi aprovado, quem tomou essas decisões e quais são hoje, concretamente, as possibilidades de impedir, alterar ou condicionar o projeto.
Onde estavam aqueles que hoje presidem a Câmara e outros as freguesias na altura?
O que fiscalizaram na altura em que estavam na Assembleia Municipal e nas comissões de Agricultura?
Enquanto vereador, entendo que devemos exigir que todo este processo seja tratado com a máxima transparência e que as preocupações relacionadas com os odores, o tráfego pesado, a EN1/IC2, a segurança e a proximidade da população sejam devidamente ponderadas.
Alenquer precisa de investimento e de desenvolvimento.
Mas isso não significa que qualquer investimento deva ser aceite independentemente da sua localização e dos impactos que possa provocar.
O que está em causa não é ser contra o desenvolvimento.
É saber que desenvolvimento queremos e quem vai suportar as suas consequências.
E uma coisa é certa, não podemos esperar que o problema esteja criado para depois fingirmos que estamos a tentar resolvê-lo.
A responsabilidade política também se mede pelas decisões tomadas quando ainda era possível prevenir os problemas e não apenas pelas posições assumidas quando estes já estão instalados.
Parem de lançar areia para os olhos das pessoas
Carlos Sequeira
Vereador do partido CHEGA
Câmara Municipal de Alenquer