07/09/2026
𝐀 𝐒𝐚𝐥𝐚 𝐝𝐞 𝐋𝐞𝐢𝐭𝐮𝐫𝐚 𝐞 𝐄𝐦𝐩𝐫𝐞́𝐬𝐭𝐢𝐦𝐨 𝐃𝐨𝐦𝐢𝐜𝐢𝐥𝐢𝐚́𝐫𝐢𝐨 𝐫𝐞𝐜𝐨𝐦𝐞𝐧𝐝𝐚…
🌿𝙄𝙧𝙢𝙖, 𝗱𝗲 𝗔𝗻𝘁𝗼́𝗻𝗶𝗼 𝗠. 𝗦. 𝗔𝘃𝗲𝗹𝗮𝗿
Em escassas três décadas, uma pequena baía encravada na costa sul de uma breve ilha, ganhava centralidade à escala global. Esta Angra transformava-se em cidade, fruto das atividades empreendedoras, crenças e sonhos dos que a demandavam. Irma e Lourenço, sobrinha e tio, estão entre os que iluminaram os trilhos da ilha Terceira, escudados nos princípios do culto do Espírito Santo. Mas houve que defender essa herança. Os eventos iniciam-se em Duas Ribeiras, onde Lourenço projetou o povoamento da costa sul da ilha; e levarão Irma a São Miguel, onde estará presente aquando do Terramoto de Vila Franca, bem como a Lisboa, onde verá a prosperidade e a miséria trazidas pelas naus da Índia e do Brasil.
Irma e Lourenço, sendo personagens do Renascimento, possuem uma visão de futuro que ultrapassa a sua circunstância, interagindo com sonhadores, marinheiros, povoadores — todos eles saídos da forja ficcional, mas enraizados no mundo concreto. Angra, de forma idêntica, não é retratada apenas como um emergente burgo renascentista — os ventos que nela circulam são portadores de uma pulsão futura, patente no diálogo entre Irma e Côrte-Real, o capitão donatário. Haverá, como sempre, vencedores e vencidos. E uma pergunta sobrará da intriga: afinal quem ganhou? Caberá ao leitor dar a resposta.
🌿𝙊 𝙑𝙞́𝙘𝙞𝙤 𝙙𝙤𝙨 𝙇𝙞𝙫𝙧𝙤𝙨 𝙄𝙄, 𝗱𝗲 𝗔𝗳𝗼𝗻𝘀𝗼 𝗖𝗿𝘂𝘇
Sócrates não deixou escrita uma linha que fosse para a posteridade, Charles Darwin não suportava a poesia, Henry David Thoreau acreditava que a leitura de um livro marcava o início de uma era para cada leitor, Fernando Namora dizia que não escrevia para agradar a ninguém e Julian Green fazia-o para não sufocar.
Tudo isto e muito mais ficamos a conhecer neste segundo volume de O vício dos livros, onde Afonso Cruz — ciente de que os vícios são difíceis de matar, mas que ao contrário de outros este tem tanto de prazer quanto de benefício — alimenta o leitor com um sem-número de curiosidades literárias, reflexões e memórias, provando que é possível, sim, compreender a vida através da literatura.
🌿𝙄𝙣𝙫𝙚𝙣𝙩𝙖́𝙧𝙞𝙤 𝙙𝙖 𝙎𝙤𝙡𝙞𝙙𝙖̃𝙤, 𝗱𝗲 𝗝𝗼𝗮̃𝗼 𝗧𝗼𝗿𝗱𝗼
Ao fim de quase quarenta anos de silêncios e ausências, um antigo grupo de colegas da faculdade reúne-se na Irlanda para um último adeus a Rebecca Connelly, cuja morte, súbita e inesperada, traz ao de cima fantasmas há muito enterrados.
De todos a mais intrépida, mas também a mais inconstante, ninguém poderia imaginar o rumo que a vida de Becca levaria, nem a devastação que traria na sua esteira. Ninguém, exceto o rapaz que a amou durante os tempos de faculdade - o narrador, agora sexagenário, que tenta ainda fazer sentido de todos os caminhos que trilharam o seu destino.
Será que na revisitação desse passado de segredos encontrará resposta para a solidão que o consome? Conseguirá ele, com a morte do seu primeiro amor, apaziguar-se com o rapaz que foi e o homem que se tornou?
Mais do que um romance sobre o vazio que os grandes amores deixam em nós quando terminam, Inventário da solidão é um livro poderoso sobre as doenças invisíveis que corroem o espírito, as matérias perigosas de que todos somos feitos.