16/06/2026
Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota
"AS ARMADILHAS DA VITÓRIA"
👉Fossos e covas do lobo: quando o terreno se tornou defesa
No post anterior, falámos da arqueologia em Aljubarrota e da forma como o Campo de São Jorge continua a revelar dados essenciais sobre a batalha.
Hoje olhamos para uma das dimensões mais impressionantes desse trabalho: os obstáculos escavados no terreno.👏
As fontes medievais já referiam a existência de covas e fossos preparados pelos portugueses. O próprio D. Juan I de Castela e o cronista Pêro Lopez de Ayala mencionam obstáculos dissimulados, capazes de surpreender e desorganizar os atacantes.
A arqueologia veio dar corpo a esses relatos.
Nas campanhas conduzidas por Afonso do Paço, entre 1958 e 1960, foram identificadas centenas de covas do lobo e vários fossos no Campo de São Jorge. Um dos fossos postos a descoberto, a Norte e a Leste da Capela de São Jorge, teria cerca de 182 metros. As covas, organizadas em múltiplas filas, funcionavam como parte de um sistema defensivo concebido para travar o avanço inimigo.
No interior do CIBA, encontra-se exposto um fosso descoberto em 2003, durante os trabalhos anteriores à construção do Centro. A sua localização, junto à antiga retaguarda portuguesa, levanta ainda questões aos investigadores: terá sido aberto antes da batalha, durante a preparação final do dispositivo, ou já depois do combate, para proteger o acampamento português durante a noite?
Esta dúvida é precisamente o que torna o vestígio tão importante.
O fosso exposto no CIBA recorda-nos que Aljubarrota não está totalmente encerrada nas crónicas. Continua a ser estudada no terreno, entre fontes escritas, arqueologia e interpretação histórica.
Visitar o CIBA é também observar de perto uma das provas materiais da preparação defensiva portuguesa.