02/10/2015
Marcelo Rebelo de Sousa: A reconciliação dos portugueses com PSD/CDS-PP pode dar vitória que "ninguém esperava"
"Reformados, funcionários públicos e jovens, cá dentro e lá fora", reaproximaram-se do PSD e do CDS-PP, por "empatia ou tolerância" para com as opções de Governo e das propostas da coligação Portugal à Frente. E também por "incompreensão" quanto à postura do PS.
"Há um ano, há nove meses, há seis meses, mesmo há quatro, ninguém esperava o resultado que vai ser o do próximo domingo - nem os mais frenéticos dos sociais-democratas, nem os mais militantes dos centristas populares" - reconhece Marcelo Rebelo de Sousa.
"Esta vai ser recordada como uma campanha especial, porque se partiu derrotado e chegou-se vencedor, de longe! (...). E ao longo dela, PSD e CDS foram-se reconciliando com muitos portugueses que estavam ressentidos com eles".
Essa evolução é mais evidente para "quem a vê de fora" e vem, em primeiro lugar, "da cabeça, do coração, da empatia ou da tolerância" que o povo passou a demonstrar para com as medidas mais difíceis adotadas pelo Governo. Em segundo lugar, deve-se também a "coisas incompreensíveis" na liderança socialista "e a primeira delas é o PS não ter assumido o que se passou em 2011".
"Se calhar achou que era uma traição política, mas não era". "[Os socialistas] São tão teimosos, tão teimosos, que não dão o braço a torcer, mas ao menos reconheciam que hoje o país está melhor".
Outra postura socialista que gerou incompreensão nos portugueses foi o anúncio do secretário-geral do PS, António Costa, de que, em caso de vitória da coligação Portugal à Frente sem maioria absoluta, os socialistas chumbariam o Orçamento do Estado e inviabilizariam um programa de Governo.
"Isto nunca aconteceu com um governo minoritário em Portugal, de um lado ou do outro. O próprio PS beneficiou dessa viabilização não uma nem duas, mas várias vezes".
Se agora as sondagens antecipam uma vitória para o PSD e CDS, o social-democrata atribui-a, por isso, à ponderação dos portugueses, que terão decidido que "mais vale um mal seguro (..) do que, realmente, uma coisa que não se percebe".