24/05/2026
Hoje despedimo-nos de um homem que era muito mais do que um bombeiro.
Era o nosso Fernandel,
O bastinhas,
O cigano,
O Né,
Hoje despedimo-nos de um amigo, de um companheiro, de um pai, de um avô, de uma presença que fazia parte da nossa casa há tantos anos que custa imaginar o nosso quartel sem ele.
Durante anos vestiu esta farda, até nos questionávamos muitas vezes se ele tinha roupa civil, mas quem o conheceu sabe que aquilo que ele deu aos bombeiros nunca coube apenas numa farda ou num cargo.
Porque há pessoas que ocupam funções, e há pessoas que ocupam lugares no coração de quem as rodeia.
E ele ocupava esse lugar.
Era impossível não gostar dele. Tinha aquele dom raro de chegar a toda a gente. Era divertido, tinha uma ironia única, metia-se com todos, fazia rir toda a gente e nunca levava nada a mal.
No meio da correria, do cansaço, dos dias difíceis e das noites longas, ele tinha sempre uma palavra, uma brincadeira, uma maneira de aliviar o peso das coisas.
Era o nosso Operador de Central, mas para nós era muito mais do que isso.
Quantas vezes ouvimos aquela frase que já ficou gravada em nós para sempre?: "Tô, anda daí que é para sair."
São palavras simples, mas hoje percebemos que são também uma marca dele. Uma daquelas coisas que o tempo nunca apaga.
E a verdade é que, a partir de hoje, vamos continuar a ouvi-la. Vamos ouvi-la nas memórias, nas conversas, na central, no bar e no hall do quartel, e no meio das gargalhadas quando alguém se lembrar de uma história dele.
Porque há pessoas que partem fisicamente, mas continuam presentes em pequenos gestos, em frases, em hábitos e em lembranças que se recusam a desaparecer.
Hoje custa-nos aceitar que ele já não está aqui. Custa olhar para o lugar dele e saber que não se volta a sentar ali. Mas também sabemos uma coisa: o lugar que ele conquistou em cada um de nós nunca ficará vazio.
Há homens que passam pela vida. E há homens que deixam marca na vida dos outros.
Ele deixou uma marca enorme.
E por isso hoje não dizemos apenas adeus. Dizemos, também, obrigado.
Obrigado pelos anos de dedicação.
Obrigado pelas brincadeiras.
Obrigado pelas gargalhadas.
Obrigado pela amizade.
Obrigado pela pessoa extraordinária que foste.
Nunca te vamos esquecer. Porque quem é lembrado com carinho nunca desaparece verdadeiramente.
Descansa em paz, Né,
Estarás para sempre no nosso quartel e para sempre em nós.
E, quando o telefone tocar... dentro de nós através da memória, vamos sorrir e quase conseguir ouvir outra vez:
"Tô... anda daí que é para sair."