31/08/2026
**HOSPITAL TERMAL | COMUNICADO**
A situação do Hospital Termal preocupa-nos seriamente. Não apenas pelo encerramento, mas pela sucessão de informações que têm vindo a público e, sobretudo, pelas perguntas que continuam sem resposta.
Há duas semanas, o vereador do PSD Hugo Oliveira levantou este assunto em reunião de Câmara. Até então, nunca tinha sido comunicada aos vereadores qualquer situação anómala com esta gravidade.
Perante as questões colocadas, o presidente da Câmara referiu que vários dos problemas encontrados resultariam de trabalhos de manutenção indevidamente executados e informou que os trabalhos com a empresa responsável pela manutenção tinham sido suspensos.
Procurando apurar todos os factos relativos à situação atual do Hospital Termal, solicitámos a presença da Artecer, empresa responsável pela instalação e manutenção dos equipamentos termais, para que possa ser ouvida e sejam esclarecidas as intervenções realizadas, as anomalias verificadas e as eventuais responsabilidades técnicas.
Pedimos igualmente acesso às comunicações trocadas, desde outubro de 2025, entre a empresa e a Câmara Municipal e entre a empresa e a direção técnica das Termas.
Embora o presidente da Câmara considere que a audição da empresa já não faz sentido, por os serviços terem sido entretanto suspensos, entendemos que é indispensável apurar o que aconteceu nas intervenções realizadas ao longo dos últimos dois anos. Segundo o próprio presidente, algumas dessas intervenções terão causado danos à atividade termal e afetado a qualidade dos serviços prestados.
**A audição da Artecer foi aprovada hoje em reunião de Câmara, com quatro votos a favor, dos vereadores do PSD e do CHEGA, e três votos contra, dos vereadores do Vamos Mudar.**
Entretanto, foi tornada pública a deteção de *Pseudomonas*. É fundamental esclarecer, com rigor, em que equipamento ou componente do sistema foi identificada, em que data, através de que análise e quando essa informação foi transmitida ao Município.
Se a situação já era conhecida, importa também perceber por que motivo não foi comunicada aos vereadores quando questionámos o presidente na reunião anterior.
Foram igualmente ouvidos os serviços técnicos do Hospital Termal e solicitado um calendário das situações identificadas e dos equipamentos envolvidos.
O presidente da Câmara tem referido que as características da água termal das Caldas são propícias ao desenvolvimento de bactérias. Admitindo essa realidade, ela não pode servir de explicação para tudo o resto. Pelo contrário: **se o risco é conhecido, maior tem de ser a exigência na prevenção, na manutenção dos equipamentos e na monitorização permanente da água e dos circuitos.**
É necessário assegurar que existem planos de manutenção preventiva, procedimentos adequados, recursos técnicos e humanos suficientes e mecanismos de controlo capazes de identificar problemas antes de estes obrigarem ao encerramento.
Não basta realizar obras de embelezamento do edifício. É indispensável garantir que os sistemas que permitem ao Hospital funcionar estão operacionais e que a qualidade da água é permanentemente assegurada.
Queremos, por isso, conhecer a sequência exata dos acontecimentos desde a identificação da anomalia no furo AC2: que intervenções foram efetuadas, quem as acompanhou e validou, quais os resultados das análises realizadas antes e depois dos trabalhos e que condições terão de estar reunidas para a reabertura.
Queremos igualmente esclarecer quantas vezes foi utilizada a captação JK1, furo de reserva usado em alternativa ao AC2, furo concessionado, desde outubro de 2025; por que motivos; durante quanto tempo; que critérios técnicos determinaram as mudanças entre furos; e se foram cumpridos todos os procedimentos e obtidas as autorizações necessárias.
**Foi, entretanto, clarificado que as alterações na utilização dos furos e os períodos de encerramento do Hospital Termal não tinham sido comunicados às entidades competentes, ao contrário do que o presidente da Câmara afirmara na reunião da semana passada.**
Após essa reunião, a equipa técnica reviu a situação e efetuou as comunicações devidas, facto hoje assumido pelo próprio presidente.
Apesar desta clarificação, continuam por ser entregues documentos e prestados vários dos esclarecimentos solicitados.
É esta insuficiência de respostas, perante a importância do que está em causa, que agrava a nossa preocupação.
**Não pretendemos criar alarmismo. Mas também não aceitamos que um assunto desta dimensão seja tratado através de informações parciais, corrigidas apenas à medida que surgem novas perguntas.**
A transparência é indispensável para proteger a confiança de quem procura as Termas por razões de saúde. E é igualmente necessária para garantir a salvaguarda e a sustentabilidade do próprio aquífero.
Antes de discutir um novo balneário ou qualquer outro investimento, é urgente conhecer com rigor a situação atual do aquífero: a sua qualidade, capacidade, regime de recarga, condições de exploração e vulnerabilidades.
**Não podemos avançar para novos planos sem demonstrarmos capacidade para gerir corretamente aquilo que já temos nas mãos.**
O futuro do termalismo das Caldas da Rainha não se constrói sobre dúvidas por esclarecer.
**PSD Caldas da Rainha**