09/08/2026
🇵🇹 LANHELAS — UMA TERRA COM HISTÓRIA
Há histórias que pertencem a uma aldeia. E há aldeias que, pelas suas gentes, acabam por fazer parte da História.
Este quadro recorda 23 de abril de 1644, quando, durante a Guerra da Restauração, embarcações espanholas subiram o Minho e encontraram a resistência dos homens de Lanhelas e das terras vizinhas. A memória popular guarda a figura de António de Azevedo, o Catrôlho, e a captura do temido comandante Toro.
São Jorge, o dragão, as embarcações e os homens da terra transformam este episódio numa representação da coragem, inteligência e união dos nossos antepassados.
E o Cruzeiro da Independência, erguido em 1940, perpetua essa memória.
Mas este quadro não representa o nascimento de Lanhelas.
Muito antes de 1644, já havia gente nestas terras. As gravuras rupestres do Monte de Góios e da Laje das Fogaças testemunham uma presença humana de milhares de anos.
Depois vieram gerações de agricultores, pescadores, carpinteiros, comerciantes e fogueteiros. Vieram os nossos carochos do Rio Minho, resultado de uma longa evolução das tradições de navegação do rio, com influências construtivas que a investigação relaciona também com contactos nórdicos dos séculos IX a XI.
Vieram homens que levaram o nome de Lanhelas muito mais longe.
José António Guerreiro, um dos protagonistas do Liberalismo português.
Francisco José dos Santos Marrocos, ligado à Real Biblioteca.
E o seu filho Luís Joaquim dos Santos Marrocos, que atravessou o Atlântico e participou na organização da Real Biblioteca no Rio de Janeiro.
E a família Marrocos liga-se ainda à ascendência de Sidónio Alberto Marrocos Pais, pai do Presidente da República Sidónio Pais.
Em breve, Deborah Trois dará também a conhecer O Segredo de Marrocos, sobre a vida de Luís Joaquim dos Santos Marrocos.
Lanhelas foi também trabalho e economia: rio, carochos, pirotecnia, agricultura, comércio e indústria, contribuindo para o desenvolvimento do concelho de Caminha.
Por isso, o nosso bairrismo não deve ser apenas orgulho.
É memória, respeito e responsabilidade.
Porque não somos o princípio da História de Lanhelas.
Somos apenas o capítulo que estamos a escrever agora.
LANHELAS.
Uma terra. Uma memória. Uma força. Uma história que continua.