Sarzedas de São Pedro

Sarzedas de São Pedro Página da aldeia de Sarzedas de São Pedro

A aldeia de Sarzedas de São Pedro, Castanheira de Pera, conta com uma longa tradição no amanho da lã e ao fabrico familiar de lanifícios. Devido a esta pequena indústria, orgulha-se de ser a primeira aldeia do concelho a que pertence a ter luz eléctrica, tal era o número de famílias dedicadas a fabricar meias quentes para o Inverno serrano. Hoje, já longe desses tempos, é uma pacata aldeia sobranceira à Ribeira de Pera, rodeada por carvalhos, castanheiros, oliveiras e eucaliptos.

27/06/2026

A D. Rosinda conta-nos acerca da lenda do feto-real, que crescia nas águas da nossa ribeira e cuja flor, elusiva, era tão difícil de colher que, na Noite de São João, os homens se vestiam de padre e iam à meia-noite para a ribeira só para a conseguirem apanhar, sem sucesso.



Dona Rosinda tells us about the legend of the royal fern, which grew in the waters of our river and whose elusive flower was so difficult to pick that, on St. John’s Eve, men dressed as priests and went to the river at midnight just to try and catch it, without any success, due to the presence of the Goat’s Hoof, aka the Devil.

Gente da Aldeia, este Domingo, dia 28, às 17h, há convívio no adro da capela!A bela da sardinha na fofa da broa! Para ag...
24/06/2026

Gente da Aldeia, este Domingo, dia 28, às 17h, há convívio no adro da capela!
A bela da sardinha na fofa da broa! Para agradar a São João e a São Pedro!



Village Folk!, this Sunday, the 28th, at 5pm, there will be a get-together in the churchyard, with beautiful sardine on fluffy cornbread, to please Saint John and Saint Peter!

Neste Dia de São João, recordamos um dos eventos que mobilizava a aldeia, o Baile do Pavilhão.Não, não era um pavilhão c...
24/06/2026

Neste Dia de São João, recordamos um dos eventos que mobilizava a aldeia, o Baile do Pavilhão.

Não, não era um pavilhão como aqueles em que assistíamos a saraus de ginástica. É, na verdade, o Mastro de Maio ou Árvore de Maio e o recinto onde se dançava à sua volta!

Apesar de estar mais relacionado com os meses de Abril e Maio, aqui na nossa região acontecia por alturas dos Santos Populares, e São João era o agraciado com o “pavilhão” (São Pedro não se importaria…!).

O Pavilhão tinha o Mastro ao centro, decorado com fitas, bandeirolas, flores de papel, tiras de papel que cobriam as varas, ramos verdes de carvalho e pinheiro e outros enfeites coloridos, presos a cordas que partiam do Mastro até às varas que delimitavam o recinto do balho.

O recinto tinha um corredor de entrada, também ele devidamente decorado, percorrido pelos moços e moças que se juntavam aos pares e dançavam à roda, ao toque de harmónio ou concertina. E estava assim o baile armado.

Quem se lembra do Pavilhão de São João?



On this Saint John’s Day, we recall one of the events that mobilised the village — the Pavilion Ball.

No, it wasn’t a pavilion like those where we used to watch gymnastics performances. It’s actually the Maypole or May Tree and the enclosure where people danced around it!

Although more associated with the months of April and May, here in our region it took place during the Popular Saints’ festivities, and Saint John was the one graced with the “pavilion” (Saint Peter wouldn’t mind…!).

The Pavilion had the Maypole in the center, decorated with ribbons, pennants, paper flowers, strips of paper covering the poles, green oak and pine branches, and other colourful decorations, attached to ropes that ran from the Maypole to the poles that delimited the dance area.

The venue had an entrance corridor, also duly decorated, where young men and women would pair up and dance in a circle to the sound of a harmonium or accordion. And that’s how the dance was set up.

✹ O alto do “Carril”, agraciado por uma das pontas do arco-da-velha, neste dia chuvoso. Quem terá ficado com a panela de...
11/05/2026

✹ O alto do “Carril”, agraciado por uma das pontas do arco-da-velha, neste dia chuvoso. Quem terá ficado com a panela de ouro? ✦

Maio chegou, e a aldeia já se apresenta pontilhada com o amarelo da giesta, do alto do Cabeço até ao fundo na Ribeira.A ...
01/05/2026

Maio chegou, e a aldeia já se apresenta pontilhada com o amarelo da giesta, do alto do Cabeço até ao fundo na Ribeira.

A relação com Maio é forte, não fosse a giesta também chamada de maia e, em tempos, foi considerada uma flor mágica com capacidade de neutralizar feitiços, pois é uma planta com propriedades medicinais, utilizada para aliviar a febre ou problemas respiratórios.

Aqui na aldeia, noutras Primaveras, a Gente juntava-se para colher giestas, colocando-as dentro das fechaduras das portas da rua, de modo a que o “maio” não entrasse casa adentro e toda a gente ficasse com “o maio no cu”!

Para também prevenir que o “maio” lhes entrasse pelo dito cujo acima, miúdos e graúdos tinham de se levantar antes do nascer do Sol e comer amêndoas, como protecção.

Na véspera do Primeiro de Maio, eram também feitos arcos de giestas e de outras flores entrelaçadas, que eram colocados nas cangas dos animais ou nas entradas dos currais, para que também estes ficassem protegidos contra o “maio”.



May has just arrived, and the village is already dotted with the yellow of the Portuguese broom flower, from the top of the “Cabeço” down to the bottom of the Ribeira de Pera.

The connection with May is strong, as the broom, also called “maia”, was once considered a magical flower capable of neutralizing spells, as it is a plant with medicinal properties, used to relieve fever or respiratory problems.

Here in the village, in past Springs, people would gather to collect broom, placing it inside the keyholes of the street doors, so that the “maio” wouldn’t enter the house and everyone would get the “maio up in their arses”, as it is said around here!

To also prevent the “maio” from entering them through the private orifices, young and old had to get up before sunrise and eat almonds as protection.

On the eve of May Day, arches of broom and other intertwined flowers were also made and placed on the yokes of animals or at the entrances to paddocks, so that they too would be protected against the “maio”, that evil entity that preys on the unwary, on May’s Eve night.

Fonte/Source: inature.pt

✹ AJUDE-NOS A DIVULGAR AS HISTÓRIAS DA NOSSA ALDEIA ✹SE TIVER FOTOGRAFIAS OU OBJECTOS DE OUTROS TEMPOS, FALE CONNOSCO.  ...
08/03/2026

✹ AJUDE-NOS A DIVULGAR AS HISTÓRIAS DA NOSSA ALDEIA ✹
SE TIVER FOTOGRAFIAS OU OBJECTOS DE OUTROS TEMPOS, FALE CONNOSCO.

Todas as mulheres são portadoras de grandes feitos e das suas próprias histórias.Neste Dia da Mulher trazemos a Lembranç...
08/03/2026

Todas as mulheres são portadoras de grandes feitos e das suas próprias histórias.

Neste Dia da Mulher trazemos a Lembrança e a história de uma mulher cuja crueza da vida a fortificou.

Falamos de Maria dos Reis.
Maria não teve uma vida fácil. Já vos contámos parte da história dela. Filha do Barbeiro de Sarzedas de São Pedro, foi marcada na boca pela mordida de uma das sanguessugas medicinais do pai, acontecimento que deve ter deixado as suas mazelas físicas, emocionais e até sociais.

Como dissemos, Maria não teve uma vida fácil.
Desposada por João Simões, foi a mão invisível por trás de um pequeno negócio de lanifícios, trabalhando arduamente na confecção de meias, numa pequena fabriqueta em casa.

A marca que fabricava apresentava, injustamente, o nome do seu marido — “Meias João Simões Carril”, já existente em 1938, segundo um artigo da edição de 1 de Janeiro do jornal “O Castanheirense” —, mas era Maria quem na verdade produzia as meias, juntamente com duas ou três trabalhadoras a seu encargo, consoante a necessidade.

Tudo estava à sua responsabilidade, desde a confecção, o tingimento, a lavagem, o empacotamento aos meios-centos em serapilheiras e o transporte para Lisboa de autocarro — feito pessoalmente —, onde Maria entregava as meias ao seu marido, que apenas as comercializava e colhia os lucros, e os louros.

Por tudo isto, esta rúbrica não é acerca de João Simões, detentor indevido da marca de meias, mas sim de Maria dos Reis, mulher calejada que foi explorada pelo marido e aguentou um negócio durante cerca de 30 anos.

Depois do falecimento de João Simões, em 1959, afastou-se por completo deste ofício que a desgastou. Dedicou-se à sua horta e a ajudar os seus filhos, um deles Albano, também ele fabricante de meias, como já apresentámos numa publicação anterior.

Sabem histórias de outras grandes mulheres da Aldeia? Partilhem nos comentários!





All women are bearers of great achievements and of their own stories.

On this Women's Day, we bring to mind the Remembrance and story of a woman whose life's harshness strengthened her.
We speak of Maria dos Reis.

Maria did not have an easy life. We have already told part of her story. Daughter of the Barber of Sarzedas de São Pedro, she was marked on the mouth by the bite of one of her father's medicinal leeches, an event that must have left her with physical, emotional, and even social scars.

As we said, Maria did not have an easy life.
Married to João Simões, she was the invisible hand behind a small wool business, working hard making socks in a small factory at home.

The brand she manufactured unfairly bore her husband's name — "João Simões Carril Socks," already existing in 1938, according to an article in the January 1st edition of the newspaper "O Castanheirense" — but it was Maria who actually produced the socks, along with two or three workers under her supervision, as needed.

Everything was her responsibility, from making, dyeing, washing, packaging by the half-hundred in burlap sacks, and transporting them to Lisbon by bus — done personally — where Maria delivered the socks to her husband, who only marketed them and reaped the profits and the rewards.

For all these reasons, this publication is not about João Simões, the unjustified holder of the sock brand, but about Maria dos Reis, a hardened woman who was exploited by her husband and endured a business for about 30 years.

After João Simões' death in 1959, she completely distanced herself from this craft that had worn her down. She dedicated herself to her garden and helping her children, one of whom, Albano, is also a sock maker, as we have already presented in a previous publication.

“Se o candil vier a rir está o Inverno para vir, se o candil vier a chorar está o Inverno a passar”Quer este dito dizer ...
02/02/2026

“Se o candil vier a rir está o Inverno para vir, se o candil vier a chorar está o Inverno a passar”

Quer este dito dizer que se a candeia estiver acesa na manhã de 2 de Fevereiro, depois de uma noite passada à janela, teremos Inverno rigoroso até à chegada da Primavera. Se a candeia estiver apagada nessa mesma manhã, significa que o pior do mau tempo já passou e a Primavera chegará rápido.

Neste Dia das Candeias, em tempos que já lá vão, acendiam-se na aldeia candeias de azeite na noite de 1 de Fevereiro para o dia 2 de Fevereiro, que eram colocadas às janelas abertas ou aos postigos, e assim ficavam acesas durante toda a noite — ou não —, mediante o capricho da Natureza.

Curiosamente, a véspera do Dia das Candeias coincide com a antiga celebração céltica do Imbolc — que marca o início da Primavera e o meio caminho entre o solstício de Inverno e o equinócio da Primavera — e que foi apropriada pelo Cristianismo, sendo trasladada para o dia 2 de Fevereiro, de modo a anular o ritual pagão.

Deveria esta tradição regressar à aldeia?



“If the lamp comes laughing, winter is here to stay; if the lamp comes weeping, winter is passing.”

This saying means that if the lamp is lit on the morning of February 2nd, after spending the night by the window, we will have a harsh Winter until the arrival of Spring. If the lamp is extinguished that same morning, it means that the worst of the bad weather has passed and Spring will arrive quickly.

On Candlemas Day, in times gone by, oil lamps were lit here in the village on the night of February 1st to February 2nd, placed in open windows or shutters, and remained lit throughout the night—or not—depending on the whims of Nature.

Interestingly, the eve of Candlemas Day coincides with the ancient Celtic celebration of Imbolc—which marks the beginning of spring and the midpoint between the Winter solstice and the Spring equinox—and which was adopted by Christianity, being moved to February 2nd, in order to nullify this pagan ritual.

Should this tradition be brought back to the village?

Nesta rúbrica iremos celebrar os ditos que mais são ditos aqui na aldeia, ou que foram outrora ditos, mas que ainda se m...
02/02/2026

Nesta rúbrica iremos celebrar os ditos que mais são ditos aqui na aldeia, ou que foram outrora ditos, mas que ainda se mantêm n’A Lembrança colectiva.



In this section, we will celebrate the sayings that are most often used here in the village, or that have been said in the past but still remain in the collective Remembrance.

Endereço

Sarzedas De São Pedro
Castanheira De Pêra

Notificações

Seja o primeiro a receber as novidades e deixe-nos enviar-lhe um email quando Sarzedas de São Pedro publica notícias e promoções. O seu endereço de email não será utilizado para qualquer outro propósito, e pode cancelar a subscrição a qualquer momento.

Atalhos

Compartilhar