09/06/2026
Condeixa quer recuperar o Rio Ega e a Ribeira de Bruscos
Mas há uma pergunta que ninguém pode ignorar:
Como podemos valorizar os nossos rios quando continuam por resolver problemas no saneamento que influenciam diretamente a qualidade das suas águas?
O problema está identificado.
As oportunidades de financiamento existem.
O que falta?
👉 Leia a reflexão do PSD Condeixa sobre o futuro do saneamento, do ambiente e dos nossos recursos hídricos.
Porque não basta valorizar as margens.
*É preciso valorizar o rio* "
Ao longo dos últimos anos, Condeixa investiu na valorização de espaços públicos de grande qualidade. Um dos melhores exemplos é o Parque Verde da Ribeira de Bruscos, hoje um espaço de referência para o lazer, para a prática desportiva e para o contacto com a natureza.
Mas a valorização de uma ribeira não se faz apenas através de percursos pedonais, zonas verdes ou equipamentos de utilização pública.
A verdadeira valorização de um curso de água começa na qualidade da água que nele circula, na saúde dos seus ecossistemas e na capacidade de proteger e recuperar o património natural que lhe está associado.
Por isso, quando falamos da Ribeira de Bruscos ou do Rio Ega, não estamos apenas a falar de ambiente. Estamos a falar da qualidade de vida das populações, da valorização do território e da forma como queremos preparar Condeixa para o futuro.
Os documentos estratégicos do próprio Município reconhecem esta realidade. A valorização ambiental da Ribeira de Bruscos e do Rio Ega surge identificada como um objetivo para o concelho.
Ao mesmo tempo, os documentos e informações tornados públicos nos últimos meses vieram confirmar a existência de fragilidades importantes no sistema de saneamento do concelho. O próprio Município reconheceu que seis das doze ETAR municipais não possuem licença de descarga da APA e que se encontram em incumprimento de parâmetros de descarga há vários anos. Foram igualmente identificadas infraestruturas com necessidade de reformulação, reabilitação ou intervenção corretiva.
Estes factos devem levar-nos a uma reflexão séria.
Como podemos aspirar à recuperação ecológica dos nossos cursos de água sem discutir o funcionamento das infraestruturas que influenciam diretamente a qualidade dessas mesmas águas?
Como podemos falar da valorização da Ribeira de Bruscos sem olhar para toda a sua bacia hidrográfica?
Como podemos falar da recuperação do Rio Ega quando a própria ETAR de Arrifana continua associada a problemas de funcionamento que, ao longo dos anos, têm motivado preocupações ambientais, reclamações das populações e sucessivas intervenções corretivas?
O PSD de Condeixa entende que chegou o momento de fazer este debate.
Esta reflexão é ainda mais importante quando recordamos que, ao longo dos últimos anos, o concelho teve oportunidades de financiamento destinadas à valorização e recuperação dos seus recursos hídricos que não chegaram a traduzir-se nas intervenções que todos desejávamos ver concretizadas. Essa experiência deve servir de alerta. Identificar problemas não chega. É necessário ter estratégia, capacidade de planeamento e projetos preparados para aproveitar as oportunidades quando elas surgem.
Condeixa já perdeu oportunidades importantes para recuperar e valorizar os seus recursos hídricos. Não pode dar-se ao luxo de perder as próximas.
Ao longo dos anos, o PSD tem alertado para a necessidade de olhar para o saneamento de forma integrada, não apenas como um conjunto de infraestruturas dispersas, mas como um sistema que deve servir simultaneamente as populações, o ambiente e o desenvolvimento do território. Hoje, muitos dos problemas entretanto reconhecidos pelo próprio Município demonstram que esse debate era necessário e continua a ser urgente.
Durante demasiado tempo, a discussão centrou-se na gestão dos problemas existentes. Contratos de operação, manutenção, reparação e regularização são necessários e indispensáveis. Mas a verdade é que gerir problemas não é o mesmo que resolvê-los.
Quando uma infraestrutura apresenta dificuldades persistentes, quando exige sucessivas intervenções corretivas ou quando levanta dúvidas quanto à sua sustentabilidade futura, é legítimo perguntar se não existem soluções mais eficientes, mais duradouras e mais vantajosas para o interesse público.
É por isso que defendemos uma nova abordagem para o saneamento em Condeixa.
Uma abordagem que aproveite os financiamentos atualmente disponíveis para modernizar infraestruturas, aumentar a cobertura da rede, melhorar a qualidade ambiental e reforçar a eficiência dos sistemas existentes.
Uma abordagem que procure resolver vários problemas através do mesmo investimento.
Uma abordagem que coloque a proteção dos recursos hídricos no centro das decisões.
Foi precisamente esta visão que esteve na base da proposta apresentada pelo PSD para o sistema de saneamento de Bruscos.
Ao longo dos anos defendemos o fecho da malha de saneamento entre Bruscos e Alcabideque, através da criação de um coletor que permita encaminhar os efluentes para o sistema de tratamento de Condeixa.
Não se trata apenas de uma solução para uma ETAR.
Trata-se de um exemplo da forma como entendemos que os investimentos públicos devem ser pensados.
Uma solução que poderá eliminar uma infraestrutura problemática, reduzir a pressão ambiental sobre a Ribeira de Bruscos, aproveitar a capacidade instalada da ETAR de Condeixa e criar condições para levar saneamento a localidades que ainda hoje continuam sem acesso a esse serviço essencial, como Mata, Beiçudo, Traveira e Casal Novo.
Mas os benefícios não terminam aí.
Uma solução deste tipo poderá significar menos riscos ambientais, menor dependência de pequenas infraestruturas isoladas, menor necessidade de sucessivos investimentos corretivos e uma utilização mais eficiente dos recursos públicos. Poderá também traduzir-se em melhores condições de vida para as populações, maior cobertura da rede de saneamento e maior proteção dos recursos hídricos que queremos preservar para as gerações futuras.
Naturalmente, cada situação deve ser avaliada com rigor técnico e económico.
Mas o princípio deve ser sempre o mesmo.
Sempre que exista necessidade de investir, devemos perguntar se estamos apenas a corrigir um problema ou se estamos a aproveitar a oportunidade para melhorar o sistema como um todo.
Esta reflexão aplica-se a Bruscos, mas aplica-se igualmente a Arrifana, a Vale de Janes, a Bom Velho e a outras situações que o próprio Município reconhece necessitarem de intervenção.
Condeixa não precisa apenas de ETAR a funcionar.
Condeixa precisa de rios mais limpos.
Precisa de uma Ribeira de Bruscos ambientalmente valorizada.
Precisa de um Rio Ega recuperado e protegido.
Precisa de mais população servida por saneamento.
Precisa de utilizar de forma inteligente os financiamentos disponíveis.
Precisa, acima de tudo, de uma estratégia.
O PSD continuará a defender essa estratégia, assente em critérios técnicos, responsabilidade ambiental e visão de futuro.
Porque não basta valorizar as margens. É preciso valorizar o rio.