14/05/2026
𝑨𝒑𝒓𝒆𝒏𝒅𝒆𝒓 𝒄𝒐𝒎 𝒂 𝑩𝒊𝒃𝒍𝒊𝒐𝒕𝒆𝒄𝒂
𝐃𝐢𝐚 𝐝𝐚 𝐄𝐬𝐩𝐢𝐠𝐚
Hoje celebra-se o 𝐃𝐢𝐚 𝐝𝐚 𝐄𝐬𝐩𝐢𝐠𝐚 (ou a Quinta-feira da Ascensão no calendário litúrgico), simbólico, desde tempos antigos e na senda de tradições pagãs, do acolher da natureza, da esperança e da renovação das estações e das colheitas.
Neste dia (feriado nacional até 1952) era comum a ida pelos campos e pelos pinhais em busca dos elementos naturais com os quais se faziam os 𝐫𝐚𝐦𝐨𝐬 𝐝𝐨 𝐃𝐢𝐚 𝐝𝐚 𝐄𝐬𝐩𝐢𝐠𝐚. Os grupos permaneciam depois pela natureza para as romarias, a partilha de comida e de bebida, o descanso do afã diário.
Cada elemento do ramo possui uma simbologia que, embora podendo variar em alguns pormenores de região para região, mantém o mesmo traço: as 𝐞𝐬𝐩𝐢𝐠𝐚𝐬 (em número ímpar) simbolizam o pão e a fecundidade; as 𝐩𝐚𝐩𝐨𝐢𝐥𝐚𝐬, o amor e a vida; os 𝐦𝐚𝐥𝐦𝐞𝐪𝐮𝐞𝐫𝐞𝐬, a prosperidade; o 𝐫𝐚𝐦𝐨 𝐝𝐞 𝐨𝐥𝐢𝐯𝐞𝐢𝐫𝐚, a paz e a luz; o 𝐚𝐥𝐞𝐜𝐫𝐢𝐦, a força e a resistência; e o 𝐫𝐚𝐦𝐨 𝐝𝐞 𝐯𝐢𝐝𝐞𝐢𝐫𝐚 (em algumas regiões), a alegria e o vinho.
Ditam os antigos costumes que o ramo deve ser colocado 𝐚𝐭𝐫𝐚́𝐬 𝐝𝐚 𝐩𝐨𝐫𝐭𝐚 𝐝𝐞 𝐞𝐧𝐭𝐫𝐚𝐝𝐚 𝐝𝐨 𝐥𝐚𝐫 e apenas deve ser substituído no ano seguinte, por um ramo novo, como símbolo de sorte e prosperidade. Em alguns territórios é comum, em dias de trovoada, 𝐪𝐮𝐞𝐢𝐦𝐚𝐫 𝐚𝐥𝐠𝐮𝐦𝐚𝐬 𝐝𝐚𝐬 𝐞𝐬𝐩𝐢𝐠𝐚𝐬 𝐝𝐨 𝐫𝐚𝐦𝐨 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐚𝐟𝐚𝐬𝐭𝐚𝐫 𝐫𝐚𝐢𝐨𝐬 𝐞 𝐭𝐫𝐨𝐯𝐨̃𝐞𝐬.
Em alguns municípios portugueses este dia mantém-se como feriado (municipal) e é ainda praticado o costume da ida pelos campos. Também em Lisboa, até há alguns anos, era ainda comum encontrar pelas ruas as vendedoras dos raminhos do Dia da Espiga.
Partilhamos duas pequenas notas sobre o Dia da Espiga em duas edições (1902 e 1914) do periódico ‘Portugal, Madeira e Açores’.
📸 Portugal, Madeira e Açores, A. 18, Nº 842 (1902-05-14) e Portugal, Madeira e Açores, A. 30, Nº 1419 (1914-05-27).