29/08/2026
𝗔 𝘃𝗲𝗿𝘁𝗲𝗻𝘁𝗲 𝘀𝘂𝗹 𝗱𝗼 𝗰𝗼𝗻𝗰𝗲𝗹𝗵𝗼 𝗱𝗮 𝗖𝗼𝘃𝗶𝗹𝗵𝗮̃ 𝗻𝗮̃𝗼 𝗽𝗼𝗱𝗲 𝗰𝗼𝗻𝘁𝗶𝗻𝘂𝗮𝗿 𝗲𝘀𝗾𝘂𝗲𝗰𝗶𝗱𝗮.
Fortemente atingida pelo incêndio de 2025, o maior de sempre registado em Portugal, precisa mais do que medidas de emergência: precisa de investimento estruturante, acessibilidades e uma verdadeira estratégia de desenvolvimento.
A criação da Estrada Estrela-Sul, como acesso alternativo à Serra da Estrela, pode ser decisiva para dinamizar o turismo, a economia local, a mobilidade, a segurança e a fixação de população.
Não estamos a falar apenas de uma estrada. Estamos a falar de criar uma nova porta de entrada para a Serra e de dar novas oportunidades a um território que há demasiado tempo espera por respostas.
Uma nova ligação poderá melhorar acessos para proteção civil, vigilância, gestão florestal e intervenção em situações de emergência, criando simultaneamente melhores condições para a gestão e usufruto do território.
Uma intervenção moderna deve ser capaz de compatibilizar acessibilidade e proteção ambiental, utilizando soluções adequadas à sensibilidade ecológica do território e evitando os erros de planeamento do passado.
Mas também é necessário rejeitar uma visão segundo a qual proteger a Serra significa impedir qualquer intervenção ou condenar as populações que nela vivem à ausência de investimento.
Não existe conservação sustentável de um território sem comunidades vivas.
Uma Serra sem pessoas, sem economia, sem agricultura, sem atividades tradicionais e sem capacidade para fixar novas gerações será sempre uma Serra mais vulnerável ao abandono e ao fogo.
A Serra da Estrela não pode desenvolver-se apenas a partir de uma das suas vertentes.
Uma estratégia verdadeiramente regional tem de distribuir oportunidades, visitantes e investimento por todo o território.
A criação da Estrada Estrela-Sul pode contribuir decisivamente para esse objetivo.
Depois dos incêndios, temos duas opções: reconstruir o passado ou construir um território melhor preparado para o futuro.