06/09/2026
Porque existem tantas projeções cartográficas?
Nos últimos dias falou-se muito da decisão das Nações Unidas de recomendar a utilização da projeção Equal Earth em detrimento da tradicional Mercator para mapas do mundo destinados à comunicação pública. A discussão despertou o interesse pela cartografia, mas também pode criar a ideia errada de que existem apenas duas formas de representar o planeta.
Na realidade, não existe uma projeção cartográfica perfeita. Como a Terra é aproximadamente esférica e os mapas são planos, qualquer projeção introduz inevitavelmente deformações. Algumas preservam as áreas, outras as formas, as distâncias ou as direções. A escolha depende sempre da finalidade do mapa.
Por essa razão, existem centenas de projeções cartográficas e milhares de Sistemas de Referência de Coordenadas (CRS). A Mercator, criada em 1569, continua a ser excelente para navegação, enquanto a Equal Earth procura representar de forma mais fiel as áreas relativas dos continentes.
As imagens mostram exatamente o mesmo território representado em dois CRS distintos: à esquerda, ETRS89 / Portugal TM06 (EPSG:3763), a projeção oficial para Portugal Continental; à direita, WGS 84 (EPSG:4326), um sistema de coordenadas geográficas baseado em latitude e longitude. Embora o Parque Natural seja exatamente o mesmo, a sua aparência é diferente devido à forma como a superfície terrestre é representada.
A escolha do CRS é muito mais do que uma questão técnica. Na conservação da natureza, o mapeamento de habitats, a localização de espécies protegidas, a monitorização de ecossistemas e a medição rigorosa de áreas exigem sistemas de referência adequados. É essa precisão que permite comparar campanhas de monitorização, acompanhar a evolução dos habitats e apoiar decisões de gestão e conservação baseadas em informação cartográfica fiável.