Bloco de Esquerda Figueira da Foz

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07/08/2025

Uma alternativa “com transparência, com coragem, com escuta” em que se coloque “o investimento nas necessidades do concelho e da população acima de gastos com eventos esporádicos” são compromissos apresentados pelos cabeças de lista.

Foi recentemente eleita a Comissão Coordenadora Concelhia do Bloco de Esquerda da Figueira da Foz para o biénio 2024-202...
06/03/2025

Foi recentemente eleita a Comissão Coordenadora Concelhia do Bloco de Esquerda da Figueira da Foz para o biénio 2024-2026. Com uma lista subscritora da moção B, a Comissão considera que o estado do concelho da Figueira da Foz é hoje, de certo modo, um reflexo do estado do País.

Foi recentemente eleita a Comissão Coordenadora Concelhia do Bloco de Esquerda da Figueira da Foz para o biénio 2024-2026. Com uma lista subscritora da moção B, a Comiss

28/01/2025
"O 25 de Abril é o andaime que nos sustenta na construção diária do nosso destino comum, o chão seguro em que podemos co...
09/05/2024

"O 25 de Abril é o andaime que nos sustenta na construção diária do nosso destino comum, o chão seguro em que podemos confiar"

::: Discurso de Eduardo Figueiredo nas comemorações da Figueira da Foz dos 50 anos do 25 de Abril. :::

O que esperam os jovens de abril?

Os jovens não estiveram lá naquele dia e naquele tempo. Não ouviram na rádio ‘E depois do Adeus’, de Paulo de Carvalho, nem ‘Grândola Vila Morena’, de Zeca Afonso. Não assistiram à força imparável do povo nas ruas, nem ao gesto simbólico de Celeste Caeiro quando distribuiu cravos vermelhos e brancos pelos soldados, que logo os colocaram nos canos das suas armas. Não sentiram a alegria, o êxtase e a esperança correr-lhe nas veias, após décadas de um regime autoritário ditatorial de inspiração fascista, de polícia política, de “orgulhosamente sós”, de colonialismo e guerra, de opressão e repressão generalizadas.

Somos as netas e netos do 25 de abril. Somos as filhas e filhos da sociedade livre, justa e solidária de que fala a Constituição da República Portuguesa de 1976, a maior conquista da nossa democracia. A revolução corre-nos nas veias através dos nossos avós e dos nossos pais, dos amigos e amigas, dos vizinhos e vizinhas, dos desconhecidos que nos olham nas ruas e nos sorriem. Somos herdeiros das memórias, das cicatrizes, da coragem e da resistência. Fomos presenteados com a possibilidade de um futuro onde todas as pessoas podem atrever-se a florescer no seio de uma comunidade livre de iguais na sua diferença, onde a solidariedade é mais do que um valor e uma teoria, é uma praxis diária e um modo de vida.

É por isso que não esquecemos abril. Para os jovens, abril não é apenas um capítulo de um livro de história ou um inspirador romance que narra o caminho de libertação de um povo oprimido das amarras da pobreza, da exploração, do analfabetismo, do conservadorismo, do isolamento, da violência e da morte. Para os jovens, abril é o compromisso de que nunca mais alguém será submetido a tortura e a tratos cruéis e degradantes, como aqueles que tantas e tantos sentiram na carne, na sede da PIDE/DGS no coração de Lisboa ou nas prisões do Tarrafal ou de Caxias; que nunca mais alguém verá as suas liberdades básicas coartadas em nome de uma suposta razão ou ordem de Estado, como as proibições ad hoc de ‘ajuntamentos com mais de três pessoas’; que nunca mais alguém associe a cor azul ao lápis impiedoso da censura; que nunca mais nenhuma mulher casada necessite de autorização do marido para viajar para o estrangeiro ou para ter um emprego.

Para os jovens, abril é ter a certeza de que este tempo não volta e que as várias portas que abril abriu se manterão para sempre abertas... abertas não... escancaradas (!), pois foram tantas e tão importantes as conquistas de abril: o reconhecimento de que todas as pessoas são dignas e merecedoras de respeito, o sufrágio verdadeiramente livre e universal, a liberdade de reunião e manifestação, a liberdade de expressão e de informação, os direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras, a liberdade sindical, o fim da família instrumentalizada em função do bel-prazer do “chefe de família”, o fim da discriminação legal entre filhos nascidos dentro e fora do casamento, a constitucionalização de um Estado Social que luta para que todos possam ter “paz, pão, habitação, saúde, educação”, como tão bem canta Sérgio Godinho. Para os jovens, abril é futuro – o único futuro que não se teme, o único futuro que se pode verdadeiramente apelidar de futuro e não de passado.

Mas os jovens sabem que abril não é eternidade, abril é uma responsabilidade de todos os dias. E os jovens sabem que, desde 1974, muito mudou no país, na Europa e no mundo. A abril, este abril que hoje cumpre meio século de vida, hão-de somar-se tantos outros, construídos permanentemente a partir da luta por um modelo de desenvolvimento que respeite os limites planetários e todas as formas de vida; da luta por condições materiais que tornam possível a emancipação dos jovens e de todas as pessoas e assegurem a sua liberdade; na luta pela saúde, pela educação e pela habitação; na luta por carreiras dignas e com perspetivas de futuro; na luta contra o conservadorismo e todas as formas de discriminação; na luta pela paz e pelo fim da ‘terceira guerra mundial aos pedaços’ a que hoje se assiste. E faça-se o mundo saber que os jovens não se demitem destas suas responsabilidades – eles estão aí, preparados para fazer todas as lutas, por si, pelos seus filhos, pelos seus netos e por aqueles que lhes seguirão.

O que esperam os jovens de abril?

Os jovens esperam que abril seja cuidado e regado, para que os cravos que o simbolizam nunca percam a sua cor ou a vejam esmorecer. Os jovens esperam que abril se cumpra, em todos os locais, em todos os momentos, para todas as pessoas. Os jovens esperam que abril se faça sentir de Melgaço a Faro; das ilhas nos arquipélagos dos Açores àquelas da Madeira; mas também em todos aqueles locais onde a sobrevivência é uma luta de todos os dias, onde tantas crianças e jovens veem a sua vida ser-lhes subtraída pela miséria, pela ganância, pela violência e pelo ódio. Os jovens esperam que abril se faça sentir hoje e amanhã, com a mesma força e o mesmo vigor, como legado que não sofre os efeitos desagregadores da passagem do tempo, mesmo quando tantos procuram, com todas as forças, decretar o seu óbito. Os jovens esperam que abril esteja aqui para todas e para todos: para os que cá estão e para aqueles que foram lá para fora; para aqueles que aqui chegam e para aqueles que se viram forçados a aqui chegar; para aqueles que nos são familiares e para aqueles que nos são estranhos – e, principalmente, para aqueles que nos são estranhos, pois abril não olha a géneros, a “raças” ou etnias, a orientações se***is, a identidades de género, a deficiências, a fés e religiões, a condições socioeconómicas.

O que esperam os jovens de abril?

Os jovens esperam que estes 50 anos de abril se repitam por mais 50 anos, e por outros tantos depois disso. Os jovens agradecem a quem fez abril e nunca cessou de o defender e fazer cumprir. Os jovens comprometem-se a conservar abril como a sua mais preciosa herança e a nunca perder a esperança. A esperança que neste dia, há precisamente 50 anos atrás, venceu o medo. E o medo não voltará a vencer, pois cá estaremos para evitar que alguém logre voltar a furtar-nos a esperança.

Viva a Democracia, viva o 25 de abril!

"O 25 de Abril é o andaime que nos sustenta na construção diária do nosso destino comum, o chão seguro em que podemos co...
08/05/2024

"O 25 de Abril é o andaime que nos sustenta na construção diária do nosso destino comum, o chão seguro em que podemos confiar"

::: Discurso do deputado municipal do Bloco de Esquerda, Pedro Jorge, na sessão da Assembleia Municipal da Figueira da Foz na comemoração dos 50 anos do 25 de Abril. :::

Entre o passado dia 9 de Janeiro e anteontem, 23 de Abril, a Conferência de Líderes desta Assembleia, sob proposta do PSD prontamente acolhida pelos outros grupos políticos, teve oportunidade de promover três encontros em escolas do concelho, com alunos de diferentes idades, para falar e dar a conhecer um pouco desta Assembleia, do poder local e dos 50 anos do 25 de Abril. Enquanto aproveito para saudar e agradecer a todos os intervenientes – a mesa da Assembleia, os restantes líderes de bancada, os deputados Célia Morais e José Ligeiro, a D. Helena Pereira e todas as senhoras professoras e professores e demais pessoal organizador – pela oportunidade que me deram de participar nestes encontros, lembro que conversámos com centenas de alunos da Escola Secundária c/3ºCEB de Cristina Torres, do Jardim-Escola João de Deus das Alhadas e da Escola EB1 do Serrado, em Buarcos. Entre alunos que votaram pela primeira vez no passado dia 10 de Março ou que ainda o vão fazer no próximo dia 9 de Junho, e muitos outros, filhos e filhas de pessoas que não eram sequer nascidas há 50 anos, onde estavam crianças que nem sequer nos perceberam muito bem por terem chegado recentemente a Portugal, e ainda crianças com medidas de inclusão por terem necessidades diferentes das da maioria, tivemos a oportunidade de conhecer e dar a conhecer um pouco do Portugal que emergiu desta data histórica, em contraste com o que existia até 24 de Abril de 1974. Foi um exercício de cidadania magnífico, com o traço comum da curiosidade presente em idades tão diferentes, onde se pôde aprender sobre factos tão diversos como a inexistência de iogurtes e Coca Cola antes do 25 de Abril, até ao método de Hondt e aos círculos eleitorais do país. Está de parabéns esta Assembleia.

Estes exercícios de democracia deixaram-me, contudo, a pensar em algo mais abrangente e sobre o qual gostava de deixar uma breve reflexão, e que tem a ver com aquilo que somos enquanto povo – a memória e a identidade. Num tempo em que, ao contrário do que aconteceu na grande maioria dos anos em democracia, uma parte de nós, de quem se diz que está zangada, decidiu vocalizar de forma mais directa e até desassombrada, ideias opostas às que hoje celebramos, não disfarçando mesmo o incómodo que lhes causam estas celebrações – torna-se cada vez mais importante falar com as novas gerações, deixando-lhes um legado dos valores democráticos surgidos de Abril e que nos sustentam a identidade forjada de séculos. É importante fazer-lhes perceber a ligação que existe entre os acontecimentos de há 50 anos e o país que somos hoje. É preciso ter memória para não cair em mentiras e discursos populistas que nos corroem a identidade comum e minam o que tanto custa a construir, em democracia e liberdade.

É preciso lembrar sempre que, há exactamente 50 anos, uma 5ª feira como hoje, acordávamos para um país a fazer despontar em si mesmo uma nova alma. Um arregaçar de mangas, um deitar as mãos ao trabalho, percebendo-se quase de imediato que todos tinham lugar neste novo Portugal que então emergia. Não se perdeu tempo, pois o edifício democrático estava por construir, após décadas de abandono. E fez-se: incluindo todos, mesmo em tempos conturbados de orientações desavindas, organizaram-se eleições livres, elaborou-se uma nova Constituição e elegeram-se assembleias e governos democráticos correspondentes à vontade da maioria. Acolheu-se, de forma exemplar, 600 mil portugueses que viviam nas ex-colónias e que voltaram durante o processo de descolonização, sem praticamente qualquer tipo de conflito social que pusesse em causa o processo de conquistas democráticas em curso. Restituiu-se a dignidade às mulheres, metade da população, através da vivência plena da sua condição, com a remoção de leis discriminatórias e impensáveis de machismo e paternalismo. Criou-se um sistema nacional de saúde universal que é um garante de vida, e retirou-se das trevas do analfabetismo a grande maioria da população portuguesa. Entre aflições económicas e financeiras, conseguimos, em apenas 12 anos, deixar de ser um estado pária na nossa vizinhança europeia ocidental para entrarmos na então Comunidade Económica Europeia, beneficiando dessa integração plena e tornando-nos um estado democrático integrado na sua verdadeira dimensão. Consolidámos a nossa democracia nas décadas seguintes, reforçando o ensino, a saúde e as diversas áreas da nossa vida, combatendo a nossa pobreza endémica e construindo um país onde, qualquer que seja o quadrante político de onde vimos, todos sabemos que a larguíssima maioria dos portugueses vive muito melhor do que há 50 anos. Que povo extraordinário este!

E no entanto…
O que é que explica que, sabendo em momentos decisivos da sua história distinguir entre o essencial e o acessório, conseguindo fazer coisas tão bem e sendo por vezes apontado como exemplo a nível europeu e mundial, Portugal pareça às vezes deitar tudo a perder por se pôr em causa a si próprio? Camões já o sabia: na sua obra maior, canta-nos como “forte gente”, que realizou feitos “mais do que prometia a força humana”, mas também nos aponta como “gente surda e endurecida”, “de uma pátria/ Que está metida/ No gosto da cobiça e na rudeza/ De uma austera, apagada e vil tristeza.”. O que explica esta ambivalência? Talvez o facto de, sendo um só povo, termos nas profundezas da nossa história uma génese múltipla, feita de muitos povos antigos, vindos de diversas partes? Ou será porque gostamos de nos desafiarmos a nós próprios, incessantemente em busca de “um sentir português”? O que quer que seja, torna-nos um caso único de uma gente ao mesmo tempo universal e paroquial, grandiosa e comezinha, optimista em excesso e pessimista em igual medida, sem precisarmos que no-lo digam, pois nós sabemo-lo, até ao fundo do nosso âmago.

Será talvez este traço que, nos momentos de maior dificuldade, nos faz por vezes andarmos perdidos em nós próprios, pondo tudo em causa e deixando que se instale no país um clima de revolta e desespero, sem sabermos muito bem porquê, deixando vir ao de cima as piores facetas que temos. Há mais portugueses zangados, sem dúvida. Com mais ou menos razões para isso, uma parte dessa população deixou-se levar por discursos simplistas e mesmo falsos. Só isso pode explicar, por exemplo, a falta de memória de alguns quando abordam o tema dos imigrantes que nos escolhem para viverem uma vida melhor, em paz e liberdade, tantas vezes fugindo da miséria, de perseguições e da guerra. Como é que nos podemos esquecer que somos ainda um país de portugueses que escolhem sair, com a agravante de, nestes tempos, serem maioritariamente quadros qualificados que o fazem, ao contrário do que acontecia nas grandes vagas de emigração dos anos 60, de fuga à guerra colonial ou apenas à pobreza e à miséria? Não me posso esquecer de um familiar que teve de dormir numa banheira durante os primeiros tempos após a sua chegada a uma “bidonville” dos subúrbios de Paris até conseguir arranjar condições mais dignas, que lhe permitiram posteriormente alojar a sua mulher, que foi empregada de limpeza num aeroporto de Paris. Até regressarem nos finais dos anos 90, depois de anos e anos a enviarem as suas remessas que ajudaram o país nos difíceis anos de finais de 70 e inícios de 80, puderam construir a sua vida, educar as suas filhas e regressarem, gratos por uma reforma que mereceram inteiramente. Não nos podemos esquecer. Quem nos procura participa no esforço do país, sustenta várias actividades económicas, contribui para a sustentabilidade da Segurança Social, exigindo bastante menos em troca, como mostram os números oficiais. Só pedem dignidade e uma vida decente. Não, não nos podemos esquecer. Sempre celebrámos a nossa hospitalidade e, sobretudo, não somos ingratos.

É por estas e outras razões que hoje celebramos esta data num momento em que, mais do que nunca, é preciso lembrar o espírito de Abril na sua essência – a liberdade de sermos nós próprios, com as nossas contradições e divisões, com a sensação muitas vezes lembrada nestas cerimónias, de que Abril está por cumprir. Está, obviamente, pois foi feito por nós. Mas está em nós, também. De cada vez que lembramos versos e poemas de Sophia de Mello Breyner, José Carlos Ary dos Santos e canções como “E Depois do Adeus e o “Grândola, Vila Morena”, estamos a realizar Abril, na nossa vivência única de uma comunidade que constrói o seu futuro dentro do espírito deste dia 25.

É nesse sentido de pertença que este dia nos dá que, cada vez que leio Camões, Pessoa, Eça ou Torga, quando contemplo um quadro de Paula Rego, quando oiço os primeiros acordes dos “Verdes Anos” de Carlos Paredes ou a inesquecível voz de Amália a cantar o “Povo que lavas no rio”, sei que pertenço – pertenço a um povo tantas vezes perdido nas suas contradições e lamúrias, um povo que não é melhor nem pior que tantos outros povos do mundo, e que se esquece de se lembrar de que tem o seu lugar único nesse mundo, que tantas vezes o aprecia pelas suas imensas qualidades.

Caros concidadãos,
Os acontecimentos de há 50 anos foram o momento fundador da nossa identidade renovada, aquela que soubemos construir a partir da nossa história e cultura de quase 9 séculos, corrigindo o rumo de maneira decisiva, um rumo mais consentâneo com o nosso lugar no mundo dos séculos XX e XXI. O 25 de Abril não é o edifício que construímos ou qualquer fortaleza de virtudes para apenas evocar todos os anos. O 25 de Abril é o andaime que nos sustenta na construção diária do nosso destino comum, o chão seguro em que podemos confiar para alcançarmos as tarefas mais difíceis nesse processo de construção da nossa identidade – respeitando os valores democráticos, não deixando ninguém de lado, e sempre, sempre, em liberdade.

Hoje e sempre,
VIVA O 25 DE ABRIL!
VIVA PORTUGAL!

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Rua Da República, Edifício Foz Center, Loja N. º 67
Figueira Da Foz
3080-036

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