06/09/2026
𝗖𝗼𝗺𝗲́𝗿𝗰𝗶𝗼 𝗱𝗼 𝗕𝗲𝗿𝗰̧𝗼 | 𝗥𝗲𝗹𝗼𝗷𝗼𝗮𝗿𝗶𝗮 𝗦. 𝗚𝘂𝗮𝗹𝘁𝗲𝗿 ⏱️
Há lugares onde o tempo passa. E há lugares onde o tempo f**a.
Na Relojoaria S. Gualter, no 53 da Rua Dom Domingos Silva Gonçalves, o tempo vive nas bancadas, dentro das gavetas, entre ferramentas minúsculas e pequenas peças desmontadas sobre uma bancada, numa história que atravessa mais de dois séculos.
Fernando Silva, de 86 anos, é a quarta geração de uma família de relojoeiros. Antes dele estiveram o bisavô, o avô e o pai. Hoje, são os filhos, José Sérgio e Alberto, que o acompanham e ajudam a perpetuar uma arte cada vez mais rara, mas que o tempo teima em não deixar desaparecer.
É uma história que se confunde, também, com a própria história de Guimarães. Fernando guarda a memória do avô, que, por volta dos anos 1940, esteve ligado à montagem de muitos dos relógios antigos, que hoje fazem parte da paisagem de Guimarães. Ao longo dos anos, a família era chamada a servir espaços como a Igreja de São Pedro, o antigo Mercado Municipal e, atualmente, a Plataforma das Artes. “Um tempo único, em que reparar era mais importante do que substituir”, recorda Fernando.
Tem a carta de relojoeiro, uma certif**ação que garante “pouca gente tem” e continua a trabalhar com uma precisão que impressiona.
Sobre a bancada, as peças parecem quase invisíveis. São engrenagens, molas e parafusos minúsculos que exigem mãos firmes, olhos atentos e uma enorme paciência.
“Tem de se ter muito amor à arte.” Talvez seja essa a principal razão para a tradicional oficina continuar aberta. Porque os tempos mudaram.
Os relógios são hoje diferentes e cada vez mais tecnológicos.Quatro gerações depois, o tempo continua a passar de mão em mão. Fernando e os filhos continuam a reparar relógios. E, sem talvez se darem conta, continuam também a reparar uma pequena parte da memória de Guimarães.