I a.C. – XII d.C.) - Projeto apoiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia. Idanha-a-Velha (Idanha-a-Nova), uma das doze Aldeias Históricas de Portugal (https://aldeiashistoricasdeportugal.com/aldeia/idanha-a-velha/), é o lugar central desta investigação. Situada num território interior, próximo da fronteira com Espanha, inscreve-se num concelho que apresenta a nível nacional uma das maiores t
axas de envelhecimento e quebra populacional, abandono escolar e desemprego. Mas este encerra um grande potencial turístico em função dos seus recursos patrimoniais, com particular destaque para Idanha-a-Velha, hoje aldeia, mas outrora cidade capital (Época Romana), sede de bispado (Período Suevo-Visigodo) ou ainda centro Templário (Idade Média). Este lugar, onde hoje vivem 50 pessoas, foi possivelmente o mais importante do atual interior português, entre o Tejo e o Douro, ao longo de quase 1.200 anos, entre o Período Romano e a formação do Reino de Portugal. As marcas da sua herança cultural mostram que foi lugar privilegiado de encontro de povos e culturas distintas: sob um fundo indígena, cruzaram-no romanos, suevos, visigodos, muçulmanos e cristãos. Nesta aldeia permanecem importantes monumentos do seu legado histórico: fórum romano, muralha romana/medieval, ponte antiga, torre do castelo templário, igreja de Santa Maria e dois batistérios suevo-visigóticos. Hoje Idanha-a-Velha está classificada como Monumento Nacional. Idanha-a-Velha foi, em Época Romana, a capital de um vasto distrito administrativo (a ciuitas Igaeditanorum). Não se sabe ainda se teve uma ocupação proto-histórica ou se corresponderá a uma cidade romana fundada de raiz, no final do séc. A inscrição de 16 a.C., que regista a oferta de um relógio (de sol) aos Igaeditani por um colono de Emerita, revela que Igaedis seria capital de ciuitas no momento inicial da província da Lusitânia. A partir de então, a capital dos Igaeditani, localizada estrategicamente no trajeto da via que ligava Emerita (Mérida, Espanha) a Bracara Augusta (Braga, Portugal), terá ocupado um lugar de destaque no interior norte da Lusitania romana. A sua importância é revelada por um conjunto epigráfico excecional (um dos mais numerosos da Hispânia) e por significativas ruínas, entre as quais se destaca a muralha e restos do fórum. A centralidade deste local perdurou no tempo. Tomado pelos Suevos na primeira metade do séc. V, a cidade, desde então designada Egitania, terá ascendido a sede de bispado, ainda que a primeira menção documental date de 569. Nas atas do II Concílio de Braga, em 572, conhecemos o primeiro nome de um bispo egitaniense, D. Em 585 foi integrada no reino visigótico, mantendo-se constante a presença dos seus bispos nos concílios de Toledo no decurso do séc. Foram vários os reis visigodos que cunharam aqui moeda (de ouro), de Recaredo (586-601) a Rodrigo (710-711), último monarca visigótico. Deste Período Suevo-Visigótico destacam-se dois batistérios, enquanto os restos dos primeiros templos cristãos da cidade, intramuros, se encontrarão sob a atual igreja de Sta. Maria, construída a partir de uma outra datada dos finais do séc. X, onde se cruzam e observam influências cristãs, mas também islâmicas, uma vez que foi tomada por muçulmanos no séc. VIII, passando a ser designada Laydaniya. Foi conquistada pelo rei cristão, Afonso III das Astúrias, no final do séc. Foi ainda um importante centro Templário, tendo sido doada aquela Ordem, em 1165, pelo primeiro rei português, D. Afonso Henriques. No final do séc. XII deixou de ser sede de bispado e perdeu importância. Projeto com o apoio/financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia: “A aldeia histórica de Idanha-a-Velha: cidade, território e população na antiguidade (séc. I a.C. – XII d.C.)” - PTDC/HAR-ARQ/6273/2020. O projeto será desenvolvido entre 2021 e 2024 e centra-se na Aldeia Histórica de Idanha-a-Velha (concelho de Idanha-a-Nova), outrora cidade capital em época romana, sede de bispado no período suevo-visigodo e ainda centro nevrálgico dos Templários. A investigação proposta procura ampliar a escala de intervenção de um projeto anterior (2016-2019), e continuará a desenvolver-se no quadro de um protocolo celebrado entre a Universidade de Coimbra (FLUC), a Universidade Nova de Lisboa (FCSH), o Município de Idanha-a-Nova (CMIN) e a Direção Regional de Cultura do Centro (DRCC). Centra-se no estudo da cidade antiga, do seu território e das suas populações, e projeta-se num quadro metodológico inovador, interdisciplinar e diacrónico: interdisciplinar porque articula diferentes investigadores/disciplinas, procurando uma visão integrada do passado; diacrónico porque se inscreve num tempo longo, desde a Época Romana (séc. I a.C.) à Idade Média (séc. XII). Estrutura-se em 3 eixos de investigação: i) a cidade antiga: configuração das morfologias urbanas; ii) o território: da geografia política antiga ao mundo rural e à exploração dos recursos; iii) a população: dos hábitos do quotidiano a uma perspetiva genética sobre a sua origem e mobilidade. Uma outra dimensão fundamental deste projeto é a divulgação social do conhecimento e a valorização patrimonial.