IGAEDIS A aldeia histórica de Idanha-a-Velha: cidade, território e população na antiguidade (séc. PTDC/HAR-ARQ/6273/2020. I a.C. Adoricus. VII. IX ou inícios do séc. IX.

I a.C. – XII d.C.) - Projeto apoiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia. Idanha-a-Velha (Idanha-a-Nova), uma das doze Aldeias Históricas de Portugal (https://aldeiashistoricasdeportugal.com/aldeia/idanha-a-velha/), é o lugar central desta investigação. Situada num território interior, próximo da fronteira com Espanha, inscreve-se num concelho que apresenta a nível nacional uma das maiores t

axas de envelhecimento e quebra populacional, abandono escolar e desemprego. Mas este encerra um grande potencial turístico em função dos seus recursos patrimoniais, com particular destaque para Idanha-a-Velha, hoje aldeia, mas outrora cidade capital (Época Romana), sede de bispado (Período Suevo-Visigodo) ou ainda centro Templário (Idade Média). Este lugar, onde hoje vivem 50 pessoas, foi possivelmente o mais importante do atual interior português, entre o Tejo e o Douro, ao longo de quase 1.200 anos, entre o Período Romano e a formação do Reino de Portugal. As marcas da sua herança cultural mostram que foi lugar privilegiado de encontro de povos e culturas distintas: sob um fundo indígena, cruzaram-no romanos, suevos, visigodos, muçulmanos e cristãos. Nesta aldeia permanecem importantes monumentos do seu legado histórico: fórum romano, muralha romana/medieval, ponte antiga, torre do castelo templário, igreja de Santa Maria e dois batistérios suevo-visigóticos. Hoje Idanha-a-Velha está classificada como Monumento Nacional. Idanha-a-Velha foi, em Época Romana, a capital de um vasto distrito administrativo (a ciuitas Igaeditanorum). Não se sabe ainda se teve uma ocupação proto-histórica ou se corresponderá a uma cidade romana fundada de raiz, no final do séc. A inscrição de 16 a.C., que regista a oferta de um relógio (de sol) aos Igaeditani por um colono de Emerita, revela que Igaedis seria capital de ciuitas no momento inicial da província da Lusitânia. A partir de então, a capital dos Igaeditani, localizada estrategicamente no trajeto da via que ligava Emerita (Mérida, Espanha) a Bracara Augusta (Braga, Portugal), terá ocupado um lugar de destaque no interior norte da Lusitania romana. A sua importância é revelada por um conjunto epigráfico excecional (um dos mais numerosos da Hispânia) e por significativas ruínas, entre as quais se destaca a muralha e restos do fórum. A centralidade deste local perdurou no tempo. Tomado pelos Suevos na primeira metade do séc. V, a cidade, desde então designada Egitania, terá ascendido a sede de bispado, ainda que a primeira menção documental date de 569. Nas atas do II Concílio de Braga, em 572, conhecemos o primeiro nome de um bispo egitaniense, D. Em 585 foi integrada no reino visigótico, mantendo-se constante a presença dos seus bispos nos concílios de Toledo no decurso do séc. Foram vários os reis visigodos que cunharam aqui moeda (de ouro), de Recaredo (586-601) a Rodrigo (710-711), último monarca visigótico. Deste Período Suevo-Visigótico destacam-se dois batistérios, enquanto os restos dos primeiros templos cristãos da cidade, intramuros, se encontrarão sob a atual igreja de Sta. Maria, construída a partir de uma outra datada dos finais do séc. X, onde se cruzam e observam influências cristãs, mas também islâmicas, uma vez que foi tomada por muçulmanos no séc. VIII, passando a ser designada Laydaniya. Foi conquistada pelo rei cristão, Afonso III das Astúrias, no final do séc. Foi ainda um importante centro Templário, tendo sido doada aquela Ordem, em 1165, pelo primeiro rei português, D. Afonso Henriques. No final do séc. XII deixou de ser sede de bispado e perdeu importância. Projeto com o apoio/financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia: “A aldeia histórica de Idanha-a-Velha: cidade, território e população na antiguidade (séc. I a.C. – XII d.C.)” - PTDC/HAR-ARQ/6273/2020. O projeto será desenvolvido entre 2021 e 2024 e centra-se na Aldeia Histórica de Idanha-a-Velha (concelho de Idanha-a-Nova), outrora cidade capital em época romana, sede de bispado no período suevo-visigodo e ainda centro nevrálgico dos Templários. A investigação proposta procura ampliar a escala de intervenção de um projeto anterior (2016-2019), e continuará a desenvolver-se no quadro de um protocolo celebrado entre a Universidade de Coimbra (FLUC), a Universidade Nova de Lisboa (FCSH), o Município de Idanha-a-Nova (CMIN) e a Direção Regional de Cultura do Centro (DRCC). Centra-se no estudo da cidade antiga, do seu território e das suas populações, e projeta-se num quadro metodológico inovador, interdisciplinar e diacrónico: interdisciplinar porque articula diferentes investigadores/disciplinas, procurando uma visão integrada do passado; diacrónico porque se inscreve num tempo longo, desde a Época Romana (séc. I a.C.) à Idade Média (séc. XII). Estrutura-se em 3 eixos de investigação: i) a cidade antiga: configuração das morfologias urbanas; ii) o território: da geografia política antiga ao mundo rural e à exploração dos recursos; iii) a população: dos hábitos do quotidiano a uma perspetiva genética sobre a sua origem e mobilidade. Uma outra dimensão fundamental deste projeto é a divulgação social do conhecimento e a valorização patrimonial.

22/07/2023
05/07/2023

Esta semana a equipa Igaedis está a fazer escavações no chamado Paço dos Bispos. Novidades para breve!!

Prontos para vos receber "Valete Vos Viatores".
23/06/2023

Prontos para vos receber "Valete Vos Viatores".

21/06/2023
21/06/2023

Demos início à 6ª campanha de escavações arqueológicas. Work in progress!

20/06/2023
24/11/2022

Early Medieval Cities 2022. New approaches to Early Medieval Cities in the West of the Iberian Peninsula

24.11.2022 - 26.11.2022 | Centro Cultural Raiano, Idanha-a-Nova, Portugal

Site do evento: https://emcity.jimdosite.com/
Early Medieval Cities Meetings (EMCITY) são organizados pelo Instituto de Estudos Medievais (IEM | NOVA FCSH) em parceria com várias instituições e destinam-se a ser um ponto de encontro para especialistas interessandos no estudo das ciudades altomedievais na Península Ibérica. Os Encontros EMCITY visam promover um diálogo interdisciplinar e uma divulgação atempada e produtiva do trabalho de investigação em curso, realizado a nível nacional e internacional. Cada edição de EMCITY será realizada em pequenas/médias cidades seleccionadas onde estão em curso projectos sobre arqueologia da Alta Idade Média, procurando a descentralização dos encontros científicos e o envolvimento com as comunidades locais e a sua história e património.
Esta primeira reunião terá a seguinte temática: New approaches to Early Medieval Cities in the West of the Iberian Peninsula e será dedicado a novas abordagens dos contextos urbanos altomedievais realizados por equipas multidisciplinares de áreas como arqueologia, história, antropologia, paleobotânica, bioarqueologia, geoarqueologia, etc. Em 2022 inauguraremos estas reuniões no Centro Cultural Raiano em Idanha-a-Nova, que acolherá as palestras e debates, e visitaremos a aldeia histórica de Idanha-a-Velha na companhia da equipa do projeto de investigação IGAEDIS. Um plano de trabalho tornado possível graças à colaboração da Câmara de Idanha-a-Nova e do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra (CEIS20).
Crédito de todas as fotografias: Manuel Ferreira / IGAEDIS

12/11/2022

Dentro de 1 mês realiza-se a primeira edição do EMCITY, integrado no ciclo de encontros sobre arqueologia alto-medieval (EMCAM19, EMBIO21) organizados desde o IEM - NOVA FCSH, em parceria com diferentes instituições.

Esta primeira reunião terá como tema: “New approaches to Early Medieval Cities in the West of the Iberian Peninsula” e pretende promover a partilha de resultados e o debate internacional desde diferentes abordagens disciplinares e metodológicas aos contextos urbanos.

Esta reunião conta com a colaboração da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova e do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra (CEIS20).

Inauguraremos estas reuniões no Centro Cultural Raiano em Idanha-a-Nova, que acolherá as palestras e debates, e visitaremos a aldeia histórica de Idanha-a-Velha na companhia da equipa do projeto de investigação IGAEDIS.

Programa completo e inscrições para assistentes: https://emcity.jimdosite.com/

12/11/2022

Encontra-se disponível em acesso aberto a obra "Manuscritos de Alcobaça. Cultura, identidade e diversidade na unanimidade cisterciense", coordenada por Catarina Fernandes Barreira.
Esta edição é fruto da parceria entre o Instituto de Estudos Medievais, o Projeto Horizontes Cistercienses (PTDC/ART-HIS/29522/2017) e a Direção Geral do Património Cultural/Mosteiro de Alcobaça.

O livro reúne um conjunto de textos produzidos a partir de três ciclos de conferências intitulados “Manuscritos de Alcobaça”, que tiveram lugar no Mosteiro de Alcobaça entre 2017 e 2019, e que se concretizou num total de 28 conferências. A iniciativa teve como principal objetivo divulgar e familiarizar públicos com os códices de Alcobaça, um património único que, embora, atualmente, esteja sob a tutela da Biblioteca Nacional, durante séculos pertenceu à comunidade monástica alcobacense. Esta obra representa um importante contributo para a renovação dos estudos sobre a Ordem de Cister na Península Ibérica, oferecendo-se, assim, a um público mais alargado, um panorama atual sobre as investigações mais recentes que se têm vindo a realizar a partir desta extraordinária comunidade cisterciense, que nos legou uma das maiores bibliotecas da Europa que ainda hoje se conserva.

A obra encontra-se disponível em acesso aberto nas plataformas PURE e RUN. Pode aceder através do link:
https://run.unl.pt/handle/10362/145239

12/11/2022

[ATUALIZAÇÃO] Devido à necessidade de se fazerem alterações no PDF, informamos que o link para descarregamento desta obra se encontra temporariamente indisponível. Lamentamos o incómodo e prometemos ser breves.

Disponível em acesso aberto: "A Vida Quotidiana da Cidade na Europa Medieval"

Já se encontra disponível, em acesso aberto, a obra "A Vida Quotidiana da Cidade na Europa Medieval", editada por Amélia Aguiar Andrade e Gonçalo Melo Silva.

Incluída nas Edições IEM, série "Estudos", foi lançada em Outubro a obra "A Vida Quotidiana da Cidade na Europa Medieval", editada pelos investigadores do IEM Amélia Aguiar Andrade e Gonçalo Melo Silva.

Fruto de uma longa e frutuosa parceria, os editores têm o grato prazer de apresentar, com o apoio do Instituto de Estudos Medievais e da Câmara Municipal de Castelo de Vide, o sexto volume resultante das Jornadas Internacionais de Idade Média e da Escola de Outono em Estudos Medievais.

O trabalho desenvolvido nas duas atividades realizadas permitiu reunir 26 textos – três resultam de lições apresentadas na Escola de Outono – elaborados por 29 investigadores provenientes da Alemanha, Argentina, Áustria, Espanha, França, Itália, Países Baixos, Portugal e Turquia. Todos beneficiaram das observações e comentários produzidos nos debates ocorridos nas diferentes sessões, bem como dos olhares minuciosos e valorativos dos avaliadores que fizeram a sua prévia leitura crítica. A maioria dos artigos orientam a sua reflexão, como é de esperar, para os reinos ibéricos, mas outros há que abordam geografias mais longínquas, como os Balcãs, a Escandinávia, a Flandres ou, a Itália.

O período cronológico predominante corresponde aos séculos finais da Idade Média, uma escolha que, no caso peninsular, mais uma vez não constitui uma surpresa, devido às bem conhecidas limitações das disponibilidades documentais para as primeiras centúrias medievais.

A obra encontra-se disponível em acesso aberto nas plataformas PURE e RUN. Pode aceder através do link:
http://hdl.handle.net/10362/145006

23/10/2022

Em contagem decrescente para o início da 5ª Campanha de Escavações Arqueológicas, do projeto IGAEDIS. ❤️🙏🏛️ Estamos novamente na National Geographic.
https://igaedis.uc.pt/

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Idanha-A-Velha

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A atual aldeia de Idanha-a-Velha foi, em época romana, a importante capital da ciuitas Igaeditanorum. A cidade de Igaedis dominou um vasto território. Da antiga cidade romana restam significativas construções, entre as quais se destaca o templo do fórum (sobre o qual se ergueu a Torre Templária). Na época suévica, a cidade, desde então designada Egitania, foi promovida a sede de diocese, encontrando-se a presença dos seus bispos registada em vários concílios. Em 585, é integrada no reino visigótico, mantém-se como sede episcopal, tendo sido vários os reis visigodos que cunharam aqui moeda. Deste tempo parecem destacar-se dois batistérios e talvez parte da muralha que rodeia a atual aldeia. Face a todo o significado e potencial histórico e arqueológico que encerra, Idanha-a-Velha é um dos sítios mais emblemáticos da arqueologia portuguesa, tendo esta aldeia histórica sido classificada, primeiro, como Imóvel de Interesse Público (1956) e, depois, como Monumento Nacional (1997). Não obstante os trabalhos de investigação já realizados em Idanha-a-Velha, este espaço continua em grande medida por descobrir e são mais as perguntas do que as respostas que hoje podem ser dadas sobre a história deste singular sítio. Assim, face ao carácter único e desafiante de Idanha-a-Velha, foi apresentado e aprovado pela tutela (DGPC) o projeto de investigação Da Civitas Igaeditanorum à Egitânia. A construção e evolução da cidade e a definição dos seus territórios da época romana até à doação dos Templários (séculos I a XII). IGAEDIS, dirigido por Pedro C. Carvalho da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e Catarina Tente da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e no qual participam, em estreita articulação, investigadores de ambas as instituições universitárias e da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova.