19/07/2026
A 18 de julho de 1926, era inaugurada a Colónia Agrícola dos Milagres, uma área que compreendia áreas da atual freguesia de Milagres e da atual freguesia da Bidoeira. Cem anos depois, foi feita a evocação desse ato com a presença de descendentes de antigos colonos, entre os quais será de destacar a D. Albertina Quitério, ali nascida há 97 anos, e também a Junta de Freguesia, a Câmara Municipal, A Assembleia Municipal e a professora Sara Mónico que investigou e publicou sobre a chamada colonização interna, centrando-a na Colónia dos Milagres. É fácil atribuir a colonização interna ao Estado Novo, com a criação da Junta de Colonização Interna, em 1936, numa aparente política de reforma agrária com uma função social, mas que não ia além de modelar o mundo rural, no quadro da "lição de Salazar", com gente humilde, esforçada e resignada na obediência à Igreja e ao ditador. Na verdade, o desenho das colónias agrícolas vem da 1ª República, precisamente com o objetivo de uma tímida reforma agrária com o aproveitamento de baldios e terrenos incultos, assumindo ainda a função social de facilitar courelas a quem as trabalhasse. Com o derrube da 1ª República a 28 de maio de 1926, a dos Milagres chegou a ser projetada, mas não a abriram. Os militares da ditadura acabada de impôr, tal como mais tarde Salazar, e muito em particular com a influência do Padre José Ferreira Lacerda, viram a mais valia deste projeto, agarraram-no e trabalharam-no a seu modo. Foi assim que logo em julho seguinte, no dia 18, a Colónia Agrícola dos Milagres foi a 1ª do país a abrir. A evocação mostra a importância em percebermos este pioneirismo na freguesia e como se foi pensando a economia agrária e a sociedade, conforme os tempos. Com isso tiraremos as ilações de interpretação que devem ser objetivas