02/02/2024
Nesta data…
…em 1823, naufraga próximo da Ericeira o navio de guerra francês “la Cornaline” (CNS29251). A bordo, além da tripulação, encontravam-se cerca de 300 soldados que iriam reforçar as guarnições das colónias de Martinica e Guadalupe.
As dificuldades do navio em manobrar devido a ventos desfavoráveis já se sentiam desde pelo menos o dia anterior. Um golpe de mar próximo da ilha Berlenga já teria ferido alguns tripulantes, provocado estragos no navio e obrigado ao funcionamento das bombas de bordo.
Na madrugada de 2 de fevereiro, quando já sentiam o perigo, o capitão Lettré toma a decisão de largar âncora… tarde de mais. A quilha toca no fundo e o navio parte-se posteriormente em dois. Os sobreviventes reúnem-se na popa, mais próxima de terra e protegida pela proa que continua a ser fustigada pela ondulação. Os clamores dos sobreviventes foram ouvidos pelos habitantes das populações mais próximas da costa, nomeadamente de Assenta, que se apinharam nas falésias e tentaram ajudar os náufragos, dizendo-lhes que esperassem pela baixa-mar.
Os conselhos dos populares foram de uma mais-valia preciosa. Com efeito, o mastro da embarcação quase tocava uma zona de rochas, o que veio permitir a ligação a terra. Os sobreviventes, cansados e fustigados pelo vento e pela ondulação, temiam abandonar o que restava da embarcação e foi o próprio capitão do navio que procurou dar o exemplo. No entanto, uma onda atirou-o ao mar, e ainda que se tivesse conseguido agarrar novamente ao mastro encontrava-se agora demasiado fraco para tentar chegar a terra. Um outro tripulante conseguiu transportá-lo.
O resultado desta tragédia marítima foi a perda do navio e a morte de 140 pessoas, entre tripulantes, passageiros e soldados.
A 31 de Março do mesmo ano, em Brest (França), um conselho de guerra acabará por ilibar de responsabilidades pelo naufrágio o capitão Lettré, considerando honrosa toda a sua conduta e dos seus oficiais de bordo.
Este e outros episódios de naufrágios, batalhas e achados, constam do Sistema de Informação e Gestão Arqueológica – Endovélico, que se encontra em processo de revisão e sistematização pela equipa do Projeto Water World, financiado pelos EEA Grants Portugal no âmbito do Programa Cultura, operado pela EEA Grants Culture.
Património Cultural, I.P.
Norsk Maritimt Museum
EEA Grants Portugal
EEA Grants Culture
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