15/06/2026
O CFP lança uma nova série de Policy Briefs: documentos curtos e claros que sintetizam evidência económica e as suas implicações para a política pública.
Com este novo formato, o CFP reforça o seu contributo para um debate informado e acessível sobre temas centrais das finanças públicas.
Nesta publicação, são analisadas as vantagens comparativas das exportações portuguesas no âmbito da crescente concorrência global.
Ideias-chave:
💡 A crescente dominância da China no comércio global representa um desafio estrutural para as exportações portuguesas e europeias. Este "segundo choque da China" distingue-se do primeiro (anos 2000) por estar concentrado em sectores de maior valor tecnológico, como o automóvel, as energias renováveis e a química.
🏭 O peso crescente da China resulta de um modelo de crescimento assente no investimento e na produção industrial, sustentado por políticas de subsídios, uma taxa de câmbio sem flutuação livre e um excesso de capacidade industrial instalada. Este conjunto de fatores tem pressionado em baixa os preços dos bens manufaturados nos mercados internacionais, afetando a competitividade dos produtores europeus.
🌍 Nos últimos 25 anos, o número de categorias de produtos em que Portugal e a China partilham especialização exportadora aumentou de 36 para 52 – e cerca de 75% desses produtos pertencem ao grupo dos manufaturados.
📊 A análise das vantagens comparativas reveladas mostra que Portugal alargou o seu perfil de especialização desde 2000 (de 75 para 102 produtos), com destaque para a cortiça, azeite, couro, vidro e papel. Ainda assim, produtos como o calçado e os artigos têxteis registaram deterioração significativa da competitividade, afetados pelo "primeiro choque da China" – um sinal de alerta para os sectores mais expostos.
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As preocupações em torno do “mercantilismo industrial” da China têm ganho relevo na esfera política europeia. Este debate intensificou-se à medida que a relação comercial com a UE se torna mais desequilibrada e o risco de desindustrialização mais evidente.