19/06/2026
No Dia Internacional das Nações Unidas para a Eliminação da Violência Sexual em Conflitos, reiteramos a urgência de abordar a violência sexual em conflitos com seriedade, coerência e clareza moral. Reféns israelitas mantidos em Gaza foram sujeitos a tortura, espancamentos e graves abusos, incluindo alegações credíveis de violência sexual, durante o seu prolongado cativeiro em túneis do Hamas.
Romi Gonen foi uma delas. Foi raptada pelo Hamas a 7 de outubro de 2023, durante o massacre do Festival Nova, quando tentava escapar aos assassinos, depois de ter sido baleada na mão. Foi libertada após 471 dias em cativeiro.
Romi testemunhou que foi agredida sexualmente quatro vezes durante o seu cativeiro, tendo a primeira agressão acontecido apenas quatro dias após o seu rapto, por um profissional de saúde:
“Não me passava pela cabeça muita coisa, eu estava realmente assustada, enojada, e porquê? Porquê? Não é justo. Houve um momento, na casa de banho, enquanto tudo acontecia, em que havia uma pequena janela e eu olhei por ela e vi o céu azul, os pássaros a cantar e, ao mesmo tempo, estava num sítio completamente diferente - a dissonância entre a vida maravilhosa e a sujidade da casa de banho. Foi um momento que nunca esquecerei. Fiquei na pior situação possível. Quando ele saiu da casa de banho e eu segui-o, de repente os meus ouvidos começaram a zumbir e eu deixei de ouvir. Senti como se o mundo estivesse a girar à minha volta. Tudo o que me passava pela cabeça era: ‘Romi, toda a gente em Israel pensa que estás morta mas, na realidade, vais ser uma escrava sexual em cativeiro’.”
“Entrei no d***e - e as coisas aconteceram. “ Eu estava a tomar banho e ele entrou, porque é enfermeiro e ‘veio ajudar-me’. Estou ferida e não tenho poder sobre eles. Estou numa situação em que não posso fazer nada. Ele tirou-me tudo. Isto foi só o início - senti-me tão vazia e sabia que continuaria a ter de viver com ele depois disso.”